As coisas nem sempre são o parecem ser

Neste novo ano, sem mágoas, sem rancor, sem ódio, que todos possamos viver intensamente, e que no novo ano sejamos verdadeiros, e que possamos cantar uma só canção, um só hino, o hino da paz, da fraternidade e do amor.<br /> <br /> <br />

Dois anjos viajantes pararam para passar a noite na casa de uma família muito rica. A família era rude e se recusou a deixar os anjos ficarem no quarto de hospedes da mansão. Em vez disso, colocaram os anjos para dormir num pequeno porão, frio e mal cheiroso.

Quando estavam fazendo suas camas no chão duro, o anjo mais velho viu um buraco na parede e consertou-o. O anjo mais novo ficou indignado e perguntou por que ele fizera aquilo? O anjo mais velho com sua sabedoria celestial respondeu calmamente:

- As coisas nem sempre são o que parecem ser.


Os anjos despertaram cedo e seguiram viagem. À noite já exaustos e com fome, encontraram um casebre rústico e pobre em um lugarejo em meio a uma pequena plantação. Moravam ali um agricultor e sua esposa. Apesar da pobreza, foram extremamente simpáticos e hospitaleiros. Depois de dividir o pouco de comida que tinham com os visitantes, o agricultor e sua esposa ofereceram a própria cama aos viajantes onde poderiam ter uma boa noite de sono e refeitos poderiam seguir viagem em paz.

Quando o sol nasceu na manhã seguinte os anjos encontraram o velho agricultor e sua esposa em lágrimas. A vaca, cujo leite tinha sido a única fonte de renda da família, amanhecera morta. O anjo mais novo ficou furioso e perguntou ao anjo mais velho;

- Como você pode deixar isso acontecer? O primeiro homem tinha tudo e você ajudou esta família que não tem nada, vive na miséria você deixou a vaquinha deles morrer?

O anjo mais velho abraçou o amigo e respondeu;

- As coisas nem sempre são o que parecem ser.

Diante do semblante de incompreensão do jovem, o anjo mais velho continuou:

- Quando nos colocaram no porão daquela bela mansão, eu vi que havia ouro guardado naquele buraco na parede. Como você percebeu o proprietário da mansão era um homem totalmente obcecado por dinheiro e incapaz de dividir sua fortuna. Eu tapei o buraco para que ele não achasse o ouro.

- E o que isso tem a ver com a morte da vaquinha desta pobre gente? - questionou o jovem anjo.

- Esta noite quando estávamos dormindo, o anjo da morte veio buscar a esposa do agricultor, conversei com ele e propus que ele levasse a vaca no lugar da esposa. Foi uma troca e ele entendeu e aceitou fazer a permuta.

Colocando o braço sobre o ombro do jovem anjo disse:

- Meu amigo, percebe agora que as coisas nem sempre são o que parecem ser?

A verdade é que nunca estamos completamente felizes, sempre temos algo a reclamar. Por quê? Por que nunca ficamos satisfeitos?

Nem todas as coisas são como queremos e nem por isso temos que ser infelizes e avaliar o ano como um ano ruim. O fato é que não adianta levar a vida como se fosse um conto de fada, ao contrário, a vida é um jogo e se não soubermos jogar perderemos.

É o que acontece quando as coisas não se concretizam do jeito que deveriam ou do jeito que gostaríamos. Se você tiver fé, você só precisa acreditar que tudo que acontece e aconteceu, independente se for ruim ou bom, é a seu favor.

O grande Chico Xavier ensinava que a gente pode morar numa casa mais ou menos, numa rua mais ou menos, numa cidade mais ou menos e até ter um governo mais ou menos. A gente pode até dormir numa cama mais ou menos, comer um feijão mais ou menos, ter transporte mais ou menos, e até ser obrigado a acreditar mais ou menos no novo ano que se aproxima. Enfim, a gente pode olhar em volta e sentir que tudo está mais ou menos.

Tudo bem, mas, o que a gente não pode, em hipótese alguma, e de jeito nenhum nesse próximo ano e nos outros que virão, é amar mais ou menos, sonhar mais ou menos, ser amigo mais ou menos, namorar mais ou menos, ser honesto e ético mais ou menos, ser feliz mais ou menos, ser sincero mais ou menos, ter fé mais ou menos e acreditar mais ou menos, senão, correremos o risco de no próximo ano nos tornar uma pessoa mais ou menos.

Logo os fogos de artifícios, as taças de champanhe irão se cruzar anunciando que o ano novo está presente e que o ano velho ficou para trás. Neste momento muitos olhos irão se cruzar, muitas mãos iram se entrelaçar e todos, num abraço caloroso e num só pensamento irão exprimir um só desejo e uma só aspiração; paz e amor.

E em especial neste dia, não importa a nação, não importa a cidade, não importa a língua, não importa a cor, a origem, não importa a classe social, porque todos irão sentir neste momento que são descendentes de um só Pai, e todos irão se lembrar apenas de um só verbo; amar.

Lembre-se que nos vivemos e morremos e independente se vivemos oitenta, cem ou duzentos anos nunca saberemos o segredo da vida, por isso neste novo ano, sem mágoas, sem rancor, sem ódio, que todos possamos viver intensamente, e que no novo ano sejamos verdadeiros, e que possamos cantar uma só canção, um só hino, o hino da paz, da fraternidade e do amor.



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    Rubens Fava

    Rubens Fava

    Rubens Fava é formado em Ciências Econômicas e Administração com ênfase em marketing, especialização em Productivity Improvement pelo JPC – Japan Productivity Center for Sócio-Economic Development – Tokyo - Japan, Teoria das Restrições – Institute Goldratt – Saint Paul – USA., Management Study – Baldwin-Wallace College – Berea – Ohio – USA. Mestre em Administração pelo ESADE de Barcelona ES e doutorando em Engenharia de Produção pela Universidade Federal de Santa Catarina - USFC. Autor dos livros Caminhos da Administração, Arauto, Gestão Empresarial – Volume II, Um tributo a Peter Drucker – capítulo 2, Gestão & Administração – A trajetória de uma executiva de sucesso e Espiritualidade Organizacional.

    É autor dos livros

    1- Caminhos da Administração.


    2- A trajetória de uma executiva de sucesso.

    3- Espiritualidade Organizacional
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