As artes ensinam que mobilidade é o nome da revolução
As artes ensinam que mobilidade é o nome da revolução

As artes ensinam que mobilidade é o nome da revolução

Vivemos um momento em que valorizar o intangível é tão essencial quanto o tangível. Entretanto, muita gente ainda se sente desconfortável com esse novo parâmetro, pois o mundo do tangível, previsível, fixo, ainda parece mais confortável

Vivemos um momento em que valorizar o intangível é tão essencial quanto o tangível. Entretanto, muita gente ainda se sente desconfortável com esse novo parâmetro, pois o mundo do tangível, previsível, fixo, ainda parece mais confortável.

Quando falo de “intangíveis” me refiro a aspectos como marca, reputação, confiança, ética, transparência, relacionamentos, sentimentos e tudo mais que não vemos, mas percebemos. E os tangíveis são os fatores tradicionais como o capital, as tecnologias, os produtos, tudo que de fato está ao alcance dos olhos e das mãos.

No mundo industrial e agropecuário, por exemplo, ainda predominam profissionais mais especializados, focados em tangíveis. Já no mundo dos serviços e dos negócios criativos, tecnológicos e menos tradicionais, começa uma valorização muito maior do profissional que equilibra adequadamente o tangível e o intangível no exercício de suas atividades.

O grande fator diferenciador, independente do segmento, tem sido o avanço da tecnologia, que permite que os meios de produção estejam mais democratizados e que os profissionais possam produzir sem precisar fazer isso dentro das grandes empresas. A revolução industrial concentrou a produção no ambiente da fábrica, visando economia de escala e especialização. Hoje, os meios de produção são acessíveis e estão em casa, no bolso, têm mobilidade. E isso desestruturou o processo central de produção e cria mais condições para o “profissional-artista” criar.

Vou dar aqui um bom exemplo de como a tecnologia influenciou o mundo das artes: as pinturas eram feitas dentro dos ateliês. Quando as tintas puderam ser colocadas em tubos, os pintores passaram a pintar ao ar livre, observando a natureza e não apenas se esforçando para lembrar, no ambiente fechado do estúdio, o que tinham visto. A marcante fase do Impressionismo, no mundo da pintura, só foi possível com essa revolução tecnológica.

Percebe a semelhança do ambiente fechado da fábrica para produzir e da produção hoje em casa, no avião, na rua, na piscina? Mobilidade é o nome da revolução. E tudo que puder ser móvel, será! Por isso, os modelos mentais do management e das áreas de Recursos Humanos terão de ser desconstruídos e ressignificados. A realidade mudou e os que ainda tentam aplicar princípios da Era Industrial não são mais úteis no mundo em que vivemos: móvel, volátil, digital, dos serviços etc. É essencial entender como focar no cliente e os relacionamentos instáveis e descartáveis.

A tecnologia libertará cada vez mais os profissionais criativos e inovadores, que trabalharão mais em “tribos” e em ambientes dispersos geograficamente do que em ambientes corporativos fechados. Exatamente como aconteceu no Impressionismo e no Cubismo. Desconstruir e ressignificar serão a tônica desse novo “jogo” na vida empresarial do futuro – que já começou.

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