Argentina: ¿Qué pasa con los Hermanos?

Quem vê o Brasil e a Argentina inimigos eternos no futebol, nem imagina que, no âmbito comercial, são grandes parceiros

Quem vê o Brasil e a Argentina inimigos eternos no futebol, nem imagina que, no âmbito comercial, são grandes parceiros. E como entender esse paradoxo? Não é uma tarefa simples, mas perfeitamente possível.

Primeiro, é preciso deixar um pouquinho o futebol de lado, já que o desempenho de uma seleção não influencia o da outra. Não obstante, já se pode ver que o desempenho da economia de um país influencia diretamente a do outro. Dado isso, a economia dos nossos vizinhos também nos diz respeito, quando observados os interesses em comum dos países pertencentes ao Cone Sul.

Para que se tenha uma ideia, quando o Brasil juntamente com a Argentina, Paraguai e Uruguai estabeleceram a criação do Mercosul visando o aprofundamento da união aduaneira, ampliada com a entrada da Venezuela, em 2012. Houve com certeza um aumento considerável do fluxo comercial entre esses países. Isso em número mostra que, em 1991, ano da criação do Mercosul por meio do Tratado de Assunção, a corrente de comércio (soma das exportações e importações) era de aproximadamente USD 4 bilhões. Já em 2013, esse valor era de USD 44 bilhões. De fato, em se tratando de vizinhos, o Brasil até então não podia reclamar, devido aos ganhos que essa união permitiu.

Aliás, se for considerado a corrente de comércio do Brasil com as principais economias do Mercosul pode-se perceber que em relação à Argentina, saltou de USD 3 bilhões, em 1991, para USD 36 bilhões, em 2013; quanto ao Uruguai, esse salto foi de USD 750 milhões, para USD 4 bilhões; e, já com o Paraguai, passou de USD 700 milhões, para USD 4 bilhões, respectivamente. Certamente, em termos comerciais, o Brasil vem se mostrando um bom vizinho.

Se em toda relação existem aqueles momentos de crise, não pense que o esforço em evitá-la será suficiente. As crises são inevitáveis. A questão é como lidar com esses momentos. E neste requisito percebe-se que o Mercosul não vem se mostrando um lugar de boa vizinhança.

Talvez já tenha percebido que o Brasil vem enfrentando uma crise na vizinhança. Logo com a Argentina, a segunda principal economia do Mercosul. E falando em Argentina: ¿Qué pasa con los Hermanos?

Antes de entender essa crise, pense em algum conhecido que trabalha para o setor automobilístico. Se tiver a oportunidade, pergunte a essa pessoa como anda o trabalho. É bem provável que tenha como resposta: preocupante. Esse é o momento atual que vive a relação Brasil-Argentina, da qual apenas devemos esperar esperançosamente confiantes por um desfecho positivo.

Se você ainda não percebeu a dimensão dessa crise e o reflexo dela para nós, veja que só o setor automobilístico representou 45,9% das exportações do Brasil para a Argentina, em 2013. Realmente, é importante sabermos como anda los hermanos argentinos, ainda mais que o nosso vizinho foi o terceiro principal parceiro comercial brasileiro.

Assim, pense bem antes de mudar de canal quando ouvir falar de mais um calote argentino que, desta vez, precisa acertar as contas com dois fundos de investimentos e treze particulares para pagamento da dívida de fundos abutres – quando tais investidores compraram títulos de dívidas a preços baixos.

Além disso, preste um pouco mais de atenção quando ouvir falar das barreiras que a Argentina impôs aos produtos importados, em especial os carros ou peças originárias do Brasil, tendo como instrumento de proteção a DJAI*, reduzindo de 44% para 37,9% as exportações de automóveis para o nosso vizinho de janeiro a julho, se comparado com o mesmo período do ano passado ou quando ler em um jornal que o Mercosul deixou de ser o principal parceiro comercial da Argentina, posto ocupado agora pelo países asiáticos, juntamente com a União Europeia.

Por isso, não se lembre da Argentina somente nos momentos de jogos contra a seleção brasileira. Lembre também que o seu emprego hoje talvez dependa dos rumos que essa parceria esteja conduzindo a relação comercial entre o Brasil e a Argentina.

(*) DJAI (Declaração Jurada Antecipada de Importação): Empresas argentinas que importam serão obrigadas a apresentar, a partir de 1º de fevereiro de 2012, a chamada “Declaração Juramentada Antecipada de Importação” (DJAI). O documento informará a intenção de importar produtos, insumos, matéria-prima e equipamentos e precisará ser entregue previamente à Administração Federal de Ingressos Públicos - Afip, órgão equivalente à Receita Federal brasileira.

REFERÊNCIAS

  1. Disponível em: http://www.mdic.gov.br/sitio/interna/interna.php?area=5&menu=2 081. Acesso em 03 Set 2014
  2. www.fiesp.com.br/arquivo-download/?id=105582. Acesso em 03 Set 2014
  3. http://www.itamaraty.gov.br/temas/america-do-sul-e-integr acao-regional/mercosul. Acesso em 03 Set 2014
  4. http://www.camarbra.com.br/imprensa/201201-Declaracao Juramentada.asp. Acesso em 04 Set 2014
  5. http://www.brasilglobalnet.gov.br/ARQUIVOS/Indi cadoresEconomicos/INDArgentina.pdf. Acesso em 04 Set 2014

AG/FP. Diário do Comércio. Internacional: Mercosul deixa de ser principal parceiro comercial da Argentina. Belo Horizonte. 27 de Ago 2014

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