Aprendendo com nossos fracassos

A derrota do Brasil para a França nas semifinais da copa do mundo de 2006 me levou a algumas reflexões. O time do Brasil, como sempre, franco favorito, contava, e ainda conta com os melhores jogadores do mundo. Titulares absolutos em seus clubes, alguns campeões da copa de 2002, sua comissão técnica, com um currículo fantástico, todos vencedores, experientes. Nada disso adiantou, perdemos o jogo e fomos desclassificados, voltamos para casa mais cedo. No País uma decepção geral, gente chorando por todos os cantos, para alguns foi um dos maiores fracassos do ano mais mesmo assim, podemos tirar algumas lições deste episódio e aprender muito com o fracasso. Somos criados para ser vencedores Na sociedade atual somos criados para vencermos sempre, mesmo em detrimento do outro ou não considerando as qualidades do adversário, somos forjados para a vitória, o fracasso não existe em nosso vocabulário. Na vida profissional não é muito diferente. Em reuniões e palestras somos bombardeados com mensagens motivacionais e brados que nos impulsionam para a vitória imediata. O que mais vemos são publicações sobre como ser o melhor em vendas, nos relacionamentos, no sexo, no futebol, etc... Na televisão o apelo visual ainda é maior. Para ser o melhor você precisa ter muito dinheiro, ter um carrão, ser casado e ter um monte de amantes, ter fama, posição, ter poder. Os exemplos estão aí, ou você é o melhor ou você não está com nada. Na primeira derrota vem a frustração, o sentimento de não termos cumprido o nosso dever, de termos falhado. Não se choque com o que vou lhe dizer mas é nos momentos de maior aflição, de maior aperto, nos dias mais negros de nossas vidas que decidimos ser campeões ou meros peões que passam a vida tentando ser o que os outros acham melhor. . Além de ser músico, admiro muito a história dos grandes mestres e uma em especial me chamou a atenção, a história de Beethoven. Vejamos: Nasceu em 17/12/1770 Fez sua primeira apresentação aos 7 anos de idade Aos 12 anos fez suas primeiras composições Aos 13 anos foi nomeado cravista do teatro de ópera Aos 17 anos tocou para Mozart Em 1801, aos 31 anos ficou surdo. Em 1802 escreveu seu testamento e compôs a 2ª sinfonia. Variações de Eroica. Em 1824 estréia a 9ª sinfonia Morreu em 26/03/1827 Você pensa que a vida de Beethoven era moleza? Seu pai era um alcoólatra que quase todos os dias batia nele e muitas das vezes chegava bêbado em casa e o acordava de madrugada para estudar piano. Beethoven tinha então 5 anos. Na escola era problemático, perdeu sua mãe muito cedo, tinha um gênio terrível. Aos 30 anos de idade sofreu seu maior baque. Ficou surdo. Imagine sua dor, sua frustração, sua angústia ao ter sua única fonte de prazer arrancada desta forma. Chegou ao fundo do poço. Contra todas as possibilidades, contra todos os diagnósticos, com muita dor, sofrimento, perseverança, uma fé inabalável em Deus, Beethoven venceu e desenvolveu sua percepção ao ponto de criar uma relação entre a nota que estava sendo tocada e a vibração produzida pelo som em vários objetos. No começo ouvia música com o ouvido colado ao solo para sentir a vibração, depois com o ouvido colado ao corpo do piano e, mesmo surdo, um ano depois voltou a compor. Era o início de sua maravilhosa carreira. que Em seu testamento, mais conhecido como O Testamento de Heiligenstadt (1802), Beethoven resume em uma única página o que foi sua vida. Alguns trechos me chamaram a atenção: Meu Deus, sobre mim deita teu olhar!. .... Recomendai aos vossos filhos a virtude. Só ela poderá dar a felicidade, não o dinheiro, digo-vos por experiência própria. Só a virtude me levantou da minha miséria... E termina assim seu testamento: Sedes felizes! No Evangelho de João, capitulo 16, versículo 33, Jesus Cristo nos encoraja dizendo: Tenho-vos dito estas coisas, para que em mim tenhais paz. No mundo tereis tribulações; mas tende bom ânimo, eu venci o mundo. Preparar-se para o Sucesso é muito bom, mas não devemos nos esquecer de que a vida é uma estrada muito longa e cheia de desafios. Cada experiência nos ajuda de alguma forma a melhorarmos como indivíduos, inclusive nossos fracassos... Parafraseando Beethoven, Sejam Felizes! Fontes de pesquisa: www.unb.br/coral/repertorio/kompositores/Bethoven.htm O testamento de Heiligenstadt você encontra em: www.unb.br/coral/repertorio/kompositores/testamento_de_heiligenstadt.htm Bíblia Sagrada, edição Almeida, revista e atualizada.
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