Estou acompanhando desde o início o programa Master Chef, gosto muito de cozinhar e é uma excelente oportunidade para aprender novos pratos e fazer surpresas gourmet em casa. A expectativa inicial era apenas aprender novas receitas, mas, como boa coach e gestora de RH, é claro que comecei a observar o perfil comportamental dos participantes e me deliciar muito mais com a riqueza de diferenças de personalidade e comportamento do que com as iguarias apresentadas ali. Tenho aprendido muito com essa observação no que diz respeito à liderança, trabalho em equipe, foco, determinação, conhecimento técnico e habilidade de relacionamentos. Aliás, esse último é o ponto alto, a habilidade de se relacionar. Fica altamente explícito que ter conhecimento técnico é uma coisa, mas aplicar isso sabendo lidar com o outro é o que faz a diferença!

Ontem assistindo os finalistas: Cristiano, Isabel, Fernando, Jiang e Raul, eu pude observar um programa riquíssimo no quesito ponto de vista. Na prova da caixa surpresa, uma prova onde todos recebem uma caixa misteriosa, a surpresa estava em todos receberem os mesmos ingredientes e terem então que criar pratos diferentes inspirados na cozinha espanhola. Como nada é fácil, teve uma “pegadinha” em que dentro de castanholas distribuídas entre eles haveria o nome de um ingrediente que perderiam em sua receita. Aqui, pude ver o primeiro sinal de como cada pessoa encara a vida e os problemas de maneira diferente, de como o ponto de vista é algo interessante e fundamental em como enfrentamos o dia a dia, as dificuldades, as felicidades etc. Enquanto uns fecharam a cara, torciam o nariz e ficavam desanimados, outros encararam o desafio com positividade e bastante alegria. Como é interessante observar que uma mesma situação pode ser, e é encarada de maneiras diferentes.

Aqui nesse momento do programa temos um grupo com uma única tarefa. Apenas um dos participantes está com todo o material necessário e todos os demais com a deficiência de um item. Todos têm à sua disposição as mesmas ferramentas, o mesmo prazo estabelecido e a mesma meta diante de si, mas, cada um encara a tarefa de uma maneira diferente. Destaco alguns pontos de vista observados durante a missão: um participante extremamente otimista e calmo, outro extremamente irritadiço, outro melancólico com bastante autocomiseração, outro com foco e determinação e outro autossuficiente e nervoso. Todos, sem exceção, se atrapalharam e de alguma maneira tiveram que superar as suas dificuldades. Ganharam a prova, aqueles que mantiveram o foco e souberam dominar suas emoções, procurando na criatividade a solução para os percalços do caminho. Entre todos os pontos de vista, quero destacar um: o da chinesa Jiang que durante toda a tarefa, desde quando a caixa surpresa foi apresentada e até o final da execução do seu prato, não perdeu a calma, o sorriso e o foco. Ainda contribuiu com a equipe, no final da segunda etapa do programa, com o bônus de ensinar Tai chi chuan de uma maneira leve, divertida e lúdica, fazendo com que o ambiente se tornasse menos estressante.

Faço um paralelo aqui trazendo o foco para o nosso dia a dia, para as nossas tarefas diárias, o relacionamento família, no trabalho e com os amigos. Todos os dias têm “caixas surpresas” se abrindo diante de nós, com os mais variados ingredientes ou até mesmo a falta deles. Como iremos encarar isso dependerá muito do nosso ponto de vista, da maneira com a qual enxergamos o mundo à nossa volta. Eu sempre digo que o modo como enxergamos o mundo define a nossa maneira de viver. Enfrentaremos as caixas surpresas da vida com valentia e determinação ou sairemos por aí abatidos e reclamando?

Como coach, eu pergunto à você como tem encarado sua vida, bem como os fatores incontroláveis aos quais somos apresentados a cada dia? Diante de nós temos metas diárias a cumprir, como queremos alcança-las? De que maneira podemos criar meios mais criativos e seguros para alcançar nosso objetivos sem desvios? Como tem sido o nosso ponto de vista diante das dificuldades diárias? De 0 à 10, o quanto está disposto a manter uma visão positiva sobre a sua missão? A resposta aqui cabe a cada um, levando em consideração a sua meta e realidade diária.

Espero que possamos manter sempre o foco, mesmo diante das dificuldades e sem perder a visão positiva.

“Cada um lê com os olhos que tem. E interpreta a partir de onde os pés pisam. Todo ponto de vista é a vista de um ponto.”(Leonardo Boff)