Aposentar é preciso?

Terá chegado a hora de parar ou ao menos diminuir a quantidade de aulas? Dar espaço aos novos talentos? Quem sabe até me aposentar?

Sábado me manhã. Fui o primeiro professor a chegar e minha sala era a primeira de um corredor de outras onze, todas destinadas às pós-graduações do fim de semana.

Deixei a porta aberta e comecei a me entender com o emaranhado de cabos e fios que ligam o notebook ao data show, ao som e à eletricidade. Os demais professores foram chegando (sempre antes dos alunos!) e com um rápido "bom dia Jorge, tudo bem?", também assumiam suas salas.

Seria uma cena absolutamente corriqueira se não fosse por um detalhe: entre os onze demais professores, sete já haviam sido meus alunos!

Num primeiro momento, o fato me alegrou. O ex-aluno e atual colega certamente se inspirou em alguns mestres ao decidir abraçar a carreira docente. Cheguei a cogitar, no auge da explosão de autoestima, ter sido eu esta fonte de inspiração para ao menos uma parte deles. Mas fui dormir preocupado.

Terá chegado a hora de parar ou ao menos diminuir a quantidade de aulas? Dar espaço aos novos talentos? Focar mais nas atividades de consultoria, fisicamente menos desgastantes, em detrimento do treinamento e da docência? Ou ainda, esta uma verdadeira dúvida cruel: devo começar a pensar em me aposentar?

Voltei domingo para a sala de aula disposto a buscar o feedback dos alunos. E fizemos dinâmicas, debatemos temas interessantes, analisamos casos empresariais e o dia passou rápido. No caminho de volta prá casa me indaguei: caso pudesse escolher, onde eu teria passado este domingo? A resposta veio fácil. Seria ali mesmo, interagindo, trocando, crescendo e ajudando a crescer.

E nesse momento tive a certeza de que, enquanto for este o meu sentimento e Deus me der forças, a palavra "parar" estará deletada do meu dicionário. Porque cada vez mais, nestes momentos de reflexão, percebo que é através do trabalho que realizo minha missão pessoal.

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