Aposentados revolucionam perfil de carreiras

Surge a "economia colaborativa" provocada pelos aposentados americanos/ movimento que visa aumento da renda para manter padrão de vida. 26% dos novos empreendedores nos EE.UU. no ano de 2014 tinha entre 55 e 65 anos. Em 1996 o índice era de 15% / Entre os motoristas do Uber, 25% tem mais de 50 anos / Recebem na média, US$. 19,00 por hora trabalhada/ Além de aumentar a renda preservam auto-estima e qualidade de vida.

Sob o título de “economia colaborativa” os aposentados americanos estão criando redes de apoio, e informação solidária, que está revolucionando o universo, e também o perfil de carreiras, no mundo do trabalho.

De uma maneira muito rápida todo este movimento tem estimulado o empreendedorismo, como uma alternativa bastante atraente, em substituição às antigas, e convencionais, aspirações pelo emprego formal. Conduta esta que valorizava o vínculo empregatício, carteira assinada, além de um pomposo sobrenome corporativo.

E, por muito tempo, também o emprego público, que fascinava por sua ilusória estabilidade, onde muitos passam boa parte das horas fazendo cálculos sôbre como, e quando, se aposentar.

Segundo o Índice Kauffman de atividade empresarial, o número de empreendedores nos Estados Unidos, com idade entre 55 e 65 anos, responderam por 26% de todas as starups abertas em 2014, quando comparados com os 15% de 1996.

Outro dado digno de registro é de que o número de aposentados – na faixa entre 55 e 64 anos - que assumiu atividades na área de vendas, apresentou um aumento de 375%, apenas no primeiro semestre deste ano, quando comparado ao mesmo período de 2014.

Este registro é do Fiverr.com, um site de economia colaborativa que exige, de todos os seus participantes, a oferta de algum produto ou serviço aos clientes, cujo valor não ultrapasse US$. 5. E os mesmos recebem, em troca, uma comissão de 20% sobre os lucros.

Alguns dos participantes declaram ter obtido uma receita de US$. 1.300,00 mensal. O que reforça a necessidade de complementar a baixa renda da previdência.

As ofertas dos vendedores envolvem publicação de histórias, roteiros para entretenimento e viagens, produtos feitos à mão, antiguidades e até orientação de vida e carreira para os mais jovens.

Um programa de muito sucesso é o Life Reimagined, da American Association of Retired Persons (AARP), focado na orientação de pessoas em fases de transição de vida.

Segundo seu vice-presidente, Adam Sohn, “a economia colaborativa está oferecendo às pessoas uma oportunidade de elas seguirem seus corações, terem flexibilidade no trabalho, capacitação para ganhar dinheiro e serem seus próprios chefes”.

A parceria mais recente do movimento foi com o Uber, para recrutar motoristas mais velhos.

Segundo o Uber, a aliança é parte de uma estratégia de contratação de centenas de milhares de motoristas, em seu esforço para atender a crescente demanda por seus serviços.

Aproximadamente 25% dos motoristas da Uber tem mais de 50 anos. Entre os recém contratados, sem experiência anterior como motoristas, o índice chega a 39% com mais de 50.

Embora o Uber não forneça dados sobre o ganho de cada contratado, a média informada é de US$. 19 por hora.

Outra conclusão que todo este movimento da economia colaborativa tem apresentado é de que o microempreendedorismo tem oferecido um potente meio para contornar a discriminação que os trabalhadores mais velhos enfrentam.

Além, é claro, de dar um novo sentido à vida dos idosos e agregar renda aos baixos valores que a previdência remunera os aposentados.

Considerando a realidade brasileira já é possível verificar movimentos e iniciativas que começam a olhar os idosos como uma nova força de trabalho. Claro que respeitando suas características, saúde física e mental, além do grau de iniciativa de cada um.

Vale a provocação.

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