Apocalipse o Tempo do Fim

Não fomos projetados para perder, não importa o quanto você tenha se preparado para isso ou a quantidade de vezes que pensou que um dia isso poderia ocorrer. Quando o fim é de fato a próxima etapa a tendência natural é protelá-lo, e com todas as formas possíveis. A tentativa sempre será a de manter a sobrevida, de buscar a existência e isso não é errado, mas, existe um tempo certo de parar.

Certamente o momento mais difícil na vida de um empresário é quando ele se depara com uma única alternativa: desconstruir! Quando a única opção é “fechar as portas” entra em cena muito mais do que questões financeiras e formalidades jurídicas, em muitos casos o emocional acaba definindo o que de fato irá ocorrer. Assim como um pai não espera que seus sonhos sejam frustrados em seus filhos, assim também é quando percebemos que a pessoa jurídica da qual concebemos está em fase terminal. E é por isso que em muitos momentos quando a falência é a única das últimas alternativas o emocional interfere tanto a ponto de fazer dela um ato compulsório.
Não fomos projetados para perder, não importa o quanto você tenha se preparado para isso ou a quantidade de vezes que pensou que um dia isso poderia ocorrer. Quando o fim é de fato a próxima etapa a tendência natural é protelá-lo, e com todas as formas possíveis. A tentativa sempre será a de manter a sobrevida, de buscar a existência e isso não é errado, mas, existe um tempo certo de parar. Certa feita ouvir de um palestrante que todas as empresas, com exceção de nenhuma, um dia deixarão de existir e apesar de relutar para aceitar tal afirmação conclui que de fato, isso é verdade! Quer seja pelo desgaste natural, pela falta de sucessores, por questões de mercado ou judiciais, por inaptidão ou incompetência gerencial, por deliberação ou falta de opções, um dia ela, por mais sólida que hoje pareça, deixará de existir. Contudo, o tempo de sua existência ainda depende majoritariamente de como os seus gestores a conduzem.
Há um provérbio bíblico que diz: “Melhor é o fim das coisas do que o início delas” e outro: “Melhor é a casa onde há luto do que onde há banquete, pois naquela, os homens são levados a refletir” (KOHELET 7:2a,8a). Sem sombra de dúvidas, é no momento do luto em que somos levados à reflexão e dela advém à sabedoria. Creio que o ponto áureo está na análise dos caminhos percorridos, não é uma caça aos culpados, reflexão não é um tribunal. É a oportunidade sublime de enxergar que o momento da perda provoca em nós o ponto de partida para uma nova experiência, para uma nova etapa, quando deixamos as coisas passadas e permitirmos que tudo se faça novo. Mas, nem sempre se faz necessário chegar ao ponto da perda e do luto para buscar o renovo, não é necessário chegar ao “fundo do poço” para descobrir que ali não é seu lugar. Por isso estar atento aos indicadores de que as coisas não vão bem é a forma mais sábia de se aumentar a sobrevida do negócio.
No trato empresarial sempre existirão aspectos que devem ser levados em conta, gosto de denomina-los como Indicadores para Adoção de Estratégias de Sobrevida ou Renovação. Se passarmos deste ponto o caminho para o fim é como certo, entre o ponto de saturação e declínio este é o momento exato para adotarmos as medidas que trarão um novo fôlego, uma nova perspectiva, novas oportunidades; se deixar passar será como tentar manter vivo um peixe fora d’água. É inevitável chegar ao momento em que a renovação se torna a palavra de ordem, esse momento mais cedo ou mais tarde irá chegar, e sendo bem honesto em determinados casos é até bom que ele chegue, pois, invariavelmente traz consigo o aprendizado, o crescimento e a maturidade. Sob minha perspectiva alguns fatores gerais são os indicadores principais deste momento, a saber:
  • O Tempo – A época ou momento em que as ideias são concebidas e executadas tende naturalmente a mudar, isso correlativamente muda também o ambiente em que elas se dão. O Tempo determina o desgaste a que uma ideia é submetida, ele geralmente muda tudo e com isso tornam as coisas ultrapassadas, obsoletas, por isso considero o Tempo o fator crucial, pois ele interfere em tudo e em todos;
  • A Tecnologia – O modo como às ideias são concebidas e executadas sempre hão de mudar, a tendência é que sempre exista uma evolução dentro do conhecimento humano e que essa evolução traga novas formas de arranjo, afinal, não há nada de novidade debaixo do sol, apenas mudou-se a forma de execução das mesmas coisas. Há sempre uma disposição de relacionar o Tempo com a Tecnologia, mas, é notória que o primeiro submete ao segundo, a Tecnologia avança conforme o Tempo desgasta e torna obsoleta a forma como executamos as ideias;
  • O Contexto Social – A estrutura como uma determinada sociedade esta arranjada determinará o que vem a ser a moda, ou seja, o costume daquele momento. O contexto social dita padrões, apesar de ele estar sempre moldado pela Tecnologia e estar de contínuo sofrendo suas influências. À conjuntura social estarão submetidos os indivíduos que dentro do cerne do Marketing chamamos de consumidores, compradores e clientes.

Fica claro que estes fatores ensejam pontos de suma importância para análise por parte do empresário. Eles irão indicar que é chegada a hora do fim de uma determinada era, são como sinais de que as mudanças iminentemente irão acontecer e cabe ao empreendedor adotar as estratégias e medidas necessárias para que haja sobrevida ao empreendimento. Estar atento e preparado para tais acontecimentos revela um caráter de sabedoria àqueles que buscam permanecer cingidos de cautela e vigilância para as constantes metamorfoses que o mercado está sujeito a sofrer. Aprendi com os economistas que os indicadores nunca falham, entretanto, cabe a nós interpretarmos de forma correta o que cada um deles quer dizer.
E se o dia do fim chegar uma coisa será certa, não importará mais quem errou muito menos o que poderia ter sido feito para evitar que ele viesse, se ele chegou foi por que não fizemos o que deveria ser feito nem quando deveríamos ter feito. Devemos então nos permitir aprender com ele e por mais difícil e doloroso que seja deixar que este momento nos sirva de lição e que através dele possamos sempre lembrar que tudo passa e cumpre a nós decidirmos como esta passagem irá ocorrer. Não vejo outro resultado para este processo senão a maturidade, erros sempre ocorrerão, mas, o mais duro deles é o de cometer o mesmo por várias vezes.
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