Apenas um sabático ou um novo propósito de vida?

Decidi me presentear com uma das moedas mais valiosas do mundo moderno: tempo. Foram seis meses de resgate dos prazeres esquecidos.

Confesso que ousei. Até extrapolei. Definitivamente foi um primeiro semestre diferente para mim. Decidi me presentear com uma das moedas mais valiosas do mundo moderno: tempo. Contribuiu para esta decisão uma decepção que tive com seres humanos que julguei serem amigos, mas confesso que sou um incorrigível: continuo teimando em acreditar sempre no lado bom das pessoas.

Comecei este ano com a determinação de experimentar seis meses de uma rotina mais leve, resgatando alguns prazeres outrora esquecidos. Mais tempo para ler, estar com pessoas queridas, renovar, reciclar, aprender, conhecer lugares e também me permitir prazeres simples como regar as plantas ao nascer do sol, subir para a Chapada dos Guimarães na 4ª feira ou ainda comprar pão quente no fim da tarde e observar, ao lado de quem amo, a manteiga nele se derretendo, enquanto o cheiro do café compõe o cenário de felicidade.

A proposta não era parar de trabalhar neste período, pois o trabalho é fundamental para que me sinta vivo e pleno. Apenas retirei-o do eixo central da minha vida. O que coloquei no lugar? Eu! Foi uma espécie de semestre sabático com marca própria e definição absolutamente pessoal.

Nesta nova lógica de uso do tempo, viajei bem mais que o de costume. De janeiro a junho fomos (com ela é muito melhor) três vezes à Europa, além de África do Sul e Caribe. No Brasil finalmente conheci lugares sonhados como Cambará do Sul e Inhotim, quase sempre trocados por compromissos profissionais. Sem falar de Maricá.

De que adianta ter uma casa de praia se usufruí-la não é a prioridade? Deixei no passado a necessidade de ter por ter. Hoje tenho menos e aproveito mais. Estive por lá várias vezes neste período, dormindo na rede e embalado pelo cheiro e o barulho do mar.

Foram seis meses intensos de vida. Consegui conjugar no mesmo verbo o trabalhar e o aproveitar. Uma experiência única para mim, além de deliciosa e tentadora. A partir de agora me sinto impelido a retornar ao que as pessoas chamam de "vida normal".

O único problema é que gostei demais dessa tal de "vida anormal".

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