Angola quer atrair investidores brasileiros

Representantes da diplomacia do país africano debatem oportunidades de negócios em São Paulo e enfatizam necessidade de investimentos

O intercâmbio comercial e a cooperação em negócios entre Brasil e Angola foi tema debatido, recentemente, em São Paulo, durante evento organizado pelo Clube da ncora. De acordo com o embaixador Belo Mangueira, que é cônsul-geral da República de Angola em São Paulo, existem reais oportunidades de negócios para o Brasil no país africano. “Temos uma economia crescente, com as portas abertas para o mercado externo e que atua sob a orientação de diversificar o tipo de produção. Há oportunidades para os empresários brasileiros de investir em Angola, em todas as áreas, não só na agricultura como na indústria”, afirmou.

Segundo o embaixador, embora todas as áreas para vendas de produtos no mercado angolano estejam abertas, a prioridade do governo é atrair investimentos de caráter produtivo e permanente, com vistas ao desenvolvimento do país.

“Precisamos reduzir as importações e aumentar nossas exportações, mas sabemos que diversificar a economia só será possível a partir do aumento dos investimentos no país”, disse Mangueira ao citar que existe um plano ambicioso de ampliar a economia e que, para tanto, serão necessárias novas fontes de captação de recursos.

As importações de Angola atingem cifras superiores a US$ 20 bilhões por ano, concentradas em máquinas, equipamentos, veículos e produtos alimentares. Segundo informações do consulado, aproximadamente 80% dos produtos disponíveis nos supermercados são importados. “Existe a possibilidade de produzir esses bens internamente e esperamos que o setor público atraia investimentos para estimular a produção nacional”, disse o cônsul.

O conselheiro da Representação Comercial da Embaixada da República de Angola em São Paulo, Manuel Vieira P. Delgado, destaca que o plano nacional de desenvolvimento do país abrange os setores de agricultura, pecuária, pesca, construção, setor produtivo e serviços.

A fim de colocar em prática a política na matéria de investimentos, o governo de Angola criou, em 2003, a Agência Nacional para o Investimento Privado (Anip). O órgão centraliza e regula atos para a constituição de empresas, princípios para atrair capital, avalia a questão das parcerias com objetivo de aumentar a capacidade produtiva nacional e promover regiões menos desenvolvidas. Para o administrador da Anip, Luís Domingos, um dos principais avanços a partir da entidade foi a possibilidade de ela mesma decidir sobre as propostas de investimentos de valor até US$ 10 milhões, o que confere maior velocidade ao processo.

Angola possui 24 milhões de habitantes. Entre seus principais recursos estão petróleo, gás natural, diamante e ferro. Conta com quatro principais portos e uma linha férrea que atravessa o país, ligando o oceano ao Congo e Zâmbia.

O país africano oferece um sistema de visto ordinário de múltiplas entradas que beneficia empresários, investidores e dirigentes de empresas. Com validade de 24 meses, o visto garante permanência de até 90 dias no país.

O Brasil ocupa a sétima posição nos negócios com Angola. Além do petróleo, a proposta angolana é diversificar a pauta de exportação com o mercado brasileiro. “Existem muitas áreas que temos de estudar para um intercâmbio positivo com o Brasil”, avalia Mangueira.

Recentemente, as empresas brasileiras vivenciaram uma série de dificuldades impostas pelo governo angolano para o recebimento de divisas pelas venda de mercadorias ou prestação de serviços. Porém, segundo os diplomatas foi uma “fase temporária”, que exigiu conter a saída de divisas do país. “Consideramos a medida como política de equilíbrio. Sabemos que esse aspecto inquieta investidores, mas a situação será devidamente resolvida”, ponderou a representação.

(Matéria publicada na edição 509 da revista digital Sem Fronteiras)

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