Anarco-capitalismo não existe, não insistam

Ser anarquista ou ser libertário? Não se pode escolher sem estudar muito a questão, o enrosco é que não existe nenhum anarcocapitalismo, se existe algum rastro, só pode ser de uma pessoa que não estudou anarquismo. Sinto muito!

Existe uma lenda urbana – como toda lenda urbana ideológica e terminológica, vem sempre da esquerda – dizem que todos os libertários são anaco-capitalistas e que não aceitam uma sociedade unida e fraterna. Bom, primeiro quero salientar que tendo o Brasil um ensino médio do porte de um formigueiro – não ensinam nada – não é de se esperar que o povo saiba o que é ser anarquista e muito menos ser um libertário, porque capitalismo tem a ver com o Estado, pois sem a regularização econômica, não há uma capitalização dos meios de produção. A grosso modo, existe uma diferença em ter uma vendinha na garagem de casa e ter uma grande empresa na Av. Paulista, porque a vendinha vai garantir o meio da sua subsistência de compra (ter o produto, mas pode se produzir também esse produto) e a venda do mesmo, ganhando somente para se sustentar, a grande empresa existem grandes somas de valores, ações, investidores, sócios, que arrecadam aquilo que a mão de obra que pagam produz. Isso é feito pelas grandes corporações graças a bolsa de valores, juros e taxas, cambio do dólar e claro, o consumidor final que é chamado graças a uma publicidade. Isso, bem ou mal, é controlado pelo Estado.

Posso arriscar sem medo de errar que o capitalismo sem o regulador de tudo isso, o Estado, não duraria nem uma semana. Por que não? Imagine que grandes empresas querem sempre ganhar mais, porque uma comunidade de míseros mil habitantes vai consumir uns 70% dessa empresa (dependendo do produto), tendo como base, o boca a boca daquela comunidade. Mas acontece que o dono ou os donos, querem o 100% de lucro, pois ele comprou todo o material que necessitou, pagou a energia que tirou de alguma outra empresa, pagou a água que usou ou para a higiene dos funcionários, o salario da mão de obra que é a venda dessa mão de obra do funcionário. Mesmo que não se tenha impostos, direitos trabalhistas, sindicatos, previdência, entre outros, os gastos ainda seriam muito grandes para serem sanados e a empresa cairia sem ao menos consegui lucro no primeiro mês, então sabemos, que o dono ou os donos, ou vão expandir em outras comunidades ou vão fazer golpe sujo para vencer a concorrência. Dai, o anarquismo iria virar uma oligarquia que se criou a partir de uma situação de lucro.

O capitalismo em sua natureza da burguesia medieval – isso podemos ver dentro da Revolução Francesa que nada foi além da burguesia destruindo uma monarquia por causa das taxas e por causa do poder oligárquico burgues – não deixa o monopólio e querer manipular o publico para comprar, porque um produto bruto, como dei no exemplo, não fica mais barato porque tirou os impostos e taxas e direitos trabalhistas, vai ficar barato se nós descentralizarmos a mesma empresa e construir pequenas que produzirão mais barato, com menos trabalhadores e usando menos recursos como energia e água. Na anarquia e no libertarianismo, existe a ação voluntaria de querer ou não aquilo, ainda na anarquia, a existência de dinheiro já é uma desigualdade. Por que? No anarquismo existe ainda mais forte – até muito mais que o libertarianismo – uma tendencia do voluntarianismo dentro das relações sociais e esse, por sua vez, deve ser espontâneo, sem nenhum fim especifico (como adquirir algo porque fez aquilo, ou porque há interesse em fazer certo gesto). Então, dentro do anarquismo, não existiriam hierarquias – algumas alas vão dizer que sim, mas a grande maioria, abomina essa ideia – não existiria o casamento como instituição porque as pessoas iriam ficar juntas por livre vontade, cada pessoa teria a responsabilidade de fazer o que quiser sem prejudicar o outro.

O capitalismo querendo ou não, você já está prejudicando o outro por livre concorrência ou neutralizando o seu concorrente, já que a anarquia, não existe ou não deve existir, competição. Uma coisa é ser libertário, outra coisa é ser anarquista e outra, não acredito que a a anarquia se misture com outra ideologia como o comunismo e o sindicalismo. Isso foram meios do século dezenove desenvolver uma defesa (ruim por sinal), para os trabalhadores explorados. O que temos hoje é somente e puramente, um anarquismo que acredita na ação voluntaria e o progressismo no desenvolvimento da humanidade enquanto ser social e um ser que procura o saber para se desenvolver como quer e com que quiser. Que não tem muito a ver com o libertarianismo que é uma ideologia que homem tem o direito de se defender (no anarquismo isso não seria preciso porque o homem se desenvolveria em tal aspecto que não praticaria violência, porque é uma característica do Estado jogar homem contra homem), a ganhar seu dinheiro, a pratica da ação voluntaria, cada um cuida da sua vida, ou seja, o individualismo necessário e não, pelo que sei, não tem um viés progressista. Se cada um tem seu empreendimento, cada um faz as suas regras, porque não teria um rastro do Estado.

A grosso modo, o libertarianismo é uma teoria econômica que se desenvolveu ao longo dos anos e com milhares de teorias, mas não se desenvolveu muito, a teoria social necessária. Talvez por isso, alguns libertários desenvolveram um pensamento que tudo que é social é de esquerda – a esquerda brasileira, pelo menos, desenvolveu um pensamento marxista por causa da tendencia da pobreza gritante aqui. Mas também, gostaram bastante do viés da teoria das guerra de classes como se tirassem a sua culpa e colocassem no outro – mas o desenvolvimento social deve sim ser analisado e explorado porque faz parte num lado humano que sempre houve e sempre haverá como ser gregário. Então, alguns acreditam que acabando com o Estado, o ser humano lucraria mais e cada ser humano iria cuidar de si mesmo, mas dai que entra o grande problema, isso só é um pensamento dos libertários brasileiros que encorporou o conservadorismo (vulgo coronelismo) e coisas que não tem muito a ver. Não estamos falando em um objeto nosso que fazemos o que quisemos e acabou, estamos falando de empresas que existem graças ao publico, graças o convencimento do produto e serviço desse produto e graças ao fazerem isso, envolve uma conduta social e isso não tem a ver com comunismo ou socialismo, tem a ver com a comunidade onde está inserido.

Obviamente não estamos falando em dar cotas ou dar o produto sem antes haver uma troca, não é isso, mas o papel social é na matéria do lado socioambiental que não tem muito a ver com o verde – claro que isso é importante – mas pessoas que vivem em ambientes sossegados, ambientes que colocam o homem como um ser inserido aos bens básicos (meios para seu sustento e meios para ter uma vida tranquila), lógico que prosperara mais e não terá motivos para concorrer ao outro. Não tem a ver com esquerda ou esquerdismo, como afirmam alguns libertários conservadores – que chamo de libertário coronel – nas tem a ver com o progresso espiritual do homem ao chegar a justa conduta, de dar o certo para o certo. Não adianta ter homens escravos, homens infelizes e homens que se fecham em seu egoismo, que não haverá prosperidade nenhuma e a prosperidade tem a ver com liberdade e justiça (em punir e educar). Exato. Com maior liberdade, quem precisa de escolas e universidades para se especializar daquilo que gosta? Alias, a era moderna refaz a escola como meio de instrução para mão de obra, enquanto que na antiguidade as escolas eram ambientes de ócio, pois se entendia que o aluno só aprendia com o ócio. A anarquia, em sua mais real essência, também defende isso.

Todas as coisas impostas são coerção – incluindo o ensino – ainda mais não com a vontade do indivíduo. Todas as coisas devem ser regidas sob-vontade, porque senão, não sera nossa própria escolha. Fora isso, não pode ter liberdade e liberdade quer dizer um TODO social dentro da comunidade, pois senão, não sera uma liberdade justa e concreta. Não há liberdade sem felicidade e a felicidade é – goste ou não – satisfazendo as necessidades básicas do ser humano, satisfazendo o que o Estado negou, o direito de escolha e essa escolha deve, por razões obvias, serem satisfeitas. Quer maneira melhor do que fazer o ser humano prosperar do que fazendo ele feliz? Sera que esse “prosperar” não tem a ver com trabalhar melhor e gerar maior produtividade onde cada um saiba aonde esta sua tarefa? Os libertários entendem da sua liberdade do garoto que tem o seu brinquedo e faz o que quiser com ele, que na pratica, parece que o lucro vem da vontade dele para satisfazer o seu próprio ego ferido. Ferido por quem? O Estado que não deixa o garoto brincar e ganhar 100% em cima da produção. Talvez dai a discussão fica demasiada chata e sem sentido, como se o mundo para ser liberto devem existir homens que se fecham, não gostam de ninguém e dane-se o mundo. Pelo que estudei sobre o libertarianismo, nem isso existe em sua cerne e sim é mais uma ideia mirabolante do nosso povo.

Ser anarquista ou ser libertário? Não se pode escolher sem estudar muito a questão, o enrosco é que não existe nenhum anarcocapitalismo, se existe algum rastro, só pode ser de uma pessoa que não estudou anarquismo. Sinto muito!

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