Café com ADM
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Análise crítica pela direção da empresa: fofocas e inquisições, ou prevenções contra bobeiras?

O que se sabia é que esta conduta ditatorial ocorria em tudo que era empresa e missão de produção e serviço. Principalmente naquelas empresas de produtos aeroespaciais, químicos, explosivos, armamentos, farmacêuticos e outros que lidavam com riscos inerentes à saúde humana, animal e vegetal - que viessem a provocar danos ambientais críticos.

Antes do início dos anos 1970 havia a intensa busca de sistemas integrados de Garantia da Qualidade, na Europa. A qualidade passava a ter que ser garantida em atividades que lidavam com elementos NUCLEARES e fontes de radiação. O mundo acumulava uma boa quantidade de incidentes relacionados à operação de Usinas Nucleares, geradoras de eletricidade, com base no átomo - vazamentos, acidentes, contaminações, mortes e etc.

Uma parcela daqueles incidentes, e acidentes, estava relacionada à ausência de procedimentos de CRÍTICAS relevantes, que caso houvesse um "regulamento" próprio, para que as análises e as críticas fossem feitas, com alta responsabilidade técnica, muitas perdas de vidas e de patrimônios teriam sido evitadas.


A questão estava clara quanto às advertências de técnicos, engenheiros e cientistas muitas vezes manifestadas, e que foram "ignoradas", em face de outros objetivos, que transpunham a segurança material e tecnológica de processos, procedimentos, produção e serviços, na concepção, instalação, operação e manutenção de usinas núcleo elétricas.

A expressão mais tenebrosa era aquela que chamava a atenção por um evento crítico ignorado, e que alguém tenha levantada a questão com antecedência do perigo, da temeridade, da inadequação técnica e da segurança operacional frágil.

Estas situações colocavam em xeque-mate os dirigentes responsáveis técnicos (e civis) uma vez que nas apurações, volta e meia, um chefe de setor, secção, ou grupo tecnológico, perdia sua reputação, seu emprego e sua dignidade - além da sua empresa contratante sofrer litígios impagáveis. Mas, quem ousaria dizer para supervisores de grande experiência e prestígio que havia um "erro crítico" num detalhe de trabalho, operação ou projeto?

Alguns setores de administração e manutenção escamoteavam fragilidades, muitas vezes de correções onerosas, para postergar consertos demorados e custosos. E nisto vinha um incidente ou acidente.

Alguns "analistas críticos" já perderam seus empregos, só em contestar chefes, tanto na hora errada, quanto na hora certa, na preocupação de algo estar errado no contexto de segurança material e tecnológica de processos, procedimentos, produção e serviços, na concepção, instalação e manutenção de usinas nucleoelétricas.

Certos chefes levavam as críticas ao campo pessoal, que terminavam prejudicando não só a carreira do sujeito crítico, como também, criavam demandas recessivas e empobrecedoras para a empresa e aos demais funcionários dela. Sem falar em calamidades de difíceis reparações humanas, econômicas, materiais e ambientais.

O que se sabia é que esta conduta ditatorial ocorria em tudo que era empresa e missão de produção e serviço. Principalmente naquelas empresas de produtos aeroespaciais, químicos, explosivos, armamentos, farmacêuticos e outros que lidavam com riscos inerentes à saúde humana, animal e vegetal - que viessem a provocar danos ambientais críticos.

Mas nada havia que pudesse regular uma prática empresarial que livrasse os analistas mais hábeis, fossem novatos ou veteranos, frente a uma hierarquia nada afeita a um diálogo nivelador e preventivo, de um destino de ostracismo ou de castigos empregatícios.

A ISO

Organização Internacional de Padronização (ou Normalização) já próximo da publicação da edição da Norma ISO 9000 - 1987, captou este estigma recorrente nas empresas europeias, da ditadura da gestão pouco democrática. Na edição de 1994 a ISO 9000 passou a contemplar requisitos de Sistema da Qualidade com vistas de recomendar voluntariamente a adoção dos seguintes elementos de administração:

4.1 Responsabilidade da Direção (Trata do papel da alta direção na implementação do sistema da Qualidade);

4.2 Sistema da qualidade (Descreve a documentação que compõe o sistema da qualidade);

4.5 Controle dos documentos e dados (Trata da forma de controlar os documentos do sistema da qualidade);

4.8 Rastreabilidade (Trata da história desde o início do fabrico do produto ou da prestação do serviço);

4.14 Ação corretiva e preventiva (Trata das ações necessárias para as não conformidades identificadas de forma a evitar que aconteça e a sua repetição);

4.16 Controle dos registros da qualidade (Trata da metodologia do controle dos registros da qualidade para facilitar a sua identificação, recuperação);

4.17 Auditorias internas da qualidade (Trata da programação das auditorias internas da qualidade);

4.18 Formação – Educação e Treinamento (Trata do levantamento de necessidades de formação e da programação das respectivas formações);

4.20 Técnicas estatísticas (Trata da utilização de técnicas estatísticas na empresa);

Do total de 20 requisitos para um Sistema da Qualidade, estes requisitos relacionados acima, são os convergentes para o exercício das obrigações administrativas da empresa. São 9 elementos administrativos para habilitar a GESTÃO continuada da Qualidade, e de sua segurança material e técnica.

De acordo com Generalidades [do item 4.1.3 da NBR ISO 9001:1994] - A Alta Direção deve analisar criticamente o sistema de gestão da qualidade da organização, a intervalos planejados, para assegurar sua continua pertinência, adequação e eficácia. Essa análise crítica deve incluir a avaliação de oportunidades para melhoria e necessidades de mudanças no sistema de gestão da qualidade, incluindo a política da qualidade e os objetivos da qualidade. E Devem ser mantidos registros das análises críticas pela Alta Direção (ver item 4.2.4).

As Entradas para análise crítica fazem a descrição de um "regulamento" simplificado para as análises críticas fugirem dos aspectos pessoais, profissionais e hierárquicos. E as entradas para a análise crítica pela direção devem incluir informações sobre:

a) resultados de auditorias,

b) realimentação do cliente,

c) desempenho de processo e conformidade de produto,

d) situação das ações preventivas e corretivas,

e) acompanhamento das ações oriundas de análises críticas anteriores pela direção;

f) mudanças que possam afetar o sistema de gestão da qualidade, e

g) recomendações para melhoria.

E as saídas da análise crítica que não sejam fofocas, especulações, calúnias e difamações pessoais e profissionais deveriam estar reguladas, também. Então as saídas da análise crítica pela direção deveriam incluir quaisquer decisões e ações relacionadas à:

a) melhoria da eficácia do sistema de gestão da qualidade e de seus processos,

b) melhoria do produto em relação aos requisitos do cliente, e

c) necessidades de recursos.

As empresas com "análises críticas regulamentadas" em suas reuniões, e conselhos, têm mais chances de se perpetuarem no horizonte temporal de sua administração – elas demoram muito mais a acabar... Sempre terá alguém a livrando de bobeiras e jogos pessoais de poder e tiranias.
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