Café com ADM
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Analisando a crise do agronegócio em Mato Grosso

Mato grosso vive hoje um dos seus momentos mais delicados na sua economia baseada no modelo agrário. Preço da soja caindo, solos cada vez mais pobres, produtores com altas dívidas, o clima não ajuda mais. Tão forte é a crise que o Governador do estado, conhecido como o Rei da Soja, busca decretar estado de emergência em Mato Grosso. É a pior crise dos últimos 40 anos. A quem ou a quê se deve tal fato? Os produtores agrícolas de Mato Grosso insistem em culpar o governo do PT. Dizem que não recebem o apoio necessário do Governo Federal, que, com sua política econômica, favorece cada vez mais as empresas estrangeiras e deixa o produtor brasileiro ao deus-dará. Note que as críticas não diminuíram nem mesmo com a liberação de 1 bilhão de reais em prêmios PEP e PROP. Mas será que tudo o que já foi dito explica realmente as causas que levaram ao o quadro atual? Sinceramente penso que não e quero aqui expor a minha teoria sobre a crise. Primeiro as multinacionais de agroquímicos previram um novo ciclo do ouro em Mato Grosso: o Ciclo da Soja. Os produtores entenderam a mensagem e começaram a financiar seus custos junto a bancos e financeiras para poderem produzir cada vez numa escala maior. As expectativas otimistas se confirmaram durante um bom tempo. Passada a tal safra de ouro, quase todos com dinheiro no bolso, vamos pagar o financiamento certo? Errado. Vamos comprar nossa casa no bairro nobre, nossas caminhonetes importadas, e vamos comprar também aquela fazenda de "Fulano de Tal", decidiram nossos produtores. Mesmo com tantos gastos, ainda sobrou dinheiro pra pagar o tal financiamento. Afinal, dívidas pagas, produtor estabilizado, não é mesmo?. Opa, esquecemos, e ele também, que a nova fazenda vai exigir gastos extras com adubo, sementes, mão de obra..... isso sem falar nas contas advindas da propriedade que ele já tinha.. Diante da encruzilhada, que já se impunha nos dois últimos anos agrícolas, a saída foi a mesma utilizada nas vezes anteriores: se endividar ainda mais. O nosso produtor pegou um financiamento para a sua antiga fazenda e outro para a nova propriedade. E isso foi virando uma bola de neve. E claro que, de tão grande, cedo ou tarde esta bola iria estourar. Concluindo, podemos perceber que a crise não se deve apenas a um governo, ao clima ou ao solo já enfraquecido por anos de monocultura. Se deve também a irresponsabilidade e/ou falta de planejamento da maioria dos produtores mato-grossenses. O pior é que, enquanto eles não fizerem sua mea-culpa esta novela continuará sendo reprisada anualmente.
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