Alunos não são clientes

"ALUNOS NÃO SÃO CLIENTES" Luciel Henrique de Oliveira* * Doutor em Administração, Professor do Mestrado em Administração CNEC/FACECA (MG) e da Universidade Mackenzie (SP) - luciel@uol.com.br Os brasileiros estão sendo motivados a exercer cada vez mais o seu direito de consumidor inclusive na educação. Devemos como educadores e dirigentes de instituições de ensino fazer valer os contratos de prestação de serviços estabelecidos entre o aluno, pais e escola. Esse é o caminho para melhorar a qualidade do ensino no Brasil e, principalmente, a formação de novos profissionais. Mas, devemos tomar cuidado, pois o Ensino não é uma mercadoria, um produto de prateleira colocado à venda nas escolas. O nosso maior papel como educadores é formar, antes de tudo, cidadãos. O conceito de cidadania aplicado hoje em dia é amplo, mas existe uma definição básica: ser cidadão é ter o pleno conhecimento de nossos direitos e, também, de nossos deveres. Quando as instituições de ensino tratam seus alunos, somente como clientes, vendo apenas seus direitos e esquecendo que eles, também têm deveres a cumprir, estão deixando de exercer o seu papel fundamental, que é o de educar. Se educadores e dirigentes das instituições de ensino superior tiverem o objetivo da educação como valor maior, estarão contribuindo para a formação de uma nova consciência empresarial, governamental e acadêmica no País. Assim, é nosso papel coibir, na educação o discurso que o cliente, diga-se aluno, tem sempre razão. Isso é um artifício para vender livros de auto ajuda empresarial, que não deve valer para instituições de ensino. Como educadores e gestores temos que ouvir os nossos alunos e suas reivindicações e agir para a melhoria do ensino e prestação de novos serviços educacionais. Temos que formar profissionais a partir das expectativas do mercado e do mundo no qual eles irão se inserir. Temos que entender que a dinâmica das relações de respeito modifica-se permanentemente e que os jovens só nos respeitarão por nossa competência e por nossa capacidade de comunicação com eles. Mas, não podemos deixar, em hipótese alguma, de exigir do aluno, aquilo que nós, como educadores avaliados pela academia, órgãos governamentais e pelo mercado de trabalho, sabemos e entendemos como necessário. Precisamos, assim, apoiar todos colegas professores nesta empreitada e fazer valer o que está no contrato entre o aluno e a escola. Atualmente o papel da escola é desafiar o aluno e não entregar um conhecimento mastigado. O papel da escola é dar a ferramenta para o aluno se superar e não ser complacente. No mercado de trabalho, onde ele excederá sua profissão, certamente não encontrará facilidades. Precisamos estabelecer relações meritocráticas claras que estimulem a competência e não ofereçam atalhos para o diploma. Cabe ao aluno cobrar sempre de suas escolas, desafios intelectuais, biblioteca bem montada, equipamentos, tecnologia de informação, laboratórios equipados e, principalmente, espaço para discutir e respeitar a diversidade, além de avaliar o corpo docente sobre o ponto de vista de sua capacidade de transformá-lo e não em função de conseguir dar um show em sala de aula ou de sua benevolência. Cabe a instituição dar aos alunos e aos professores o ambiente e a infra-estrutura necessária para o exercício pleno de suas faculdades intelectuais e cobrar, de ambos, a co-responsabilidade com a excelência e com os valores do exercício da cidadania. Cabe aos pais acompanhar o desempenho de seus filhos universitários, como adultos que são, cobrando resultados para que haja o amadurecimento saudável. Esta deve ser a real contribuição que podemos dar a sociedade brasileira. Fazer da busca da excelência acadêmica e do exercício pleno da cidadania nossa estratégia e nossa meta. Os resultados obtidos nos profissionais formados é que diferenciará as escolas. O restante virá em uma relação lógica de causa e efeito, pois o verdadeiro cliente é o mercado e a sociedade. Os alunos, ou melhor, os profissionais devidamente preparados, antes de tudo são produtos da escola, que são produzidos não em uma linha de montagem, mas sim cuidadosamente de uma forma artesanal, respeitando as limitações, potenciais e individualidades.
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