Alheios ao preparo profissional

O despreparo do profissional brasileiro é fator de dificuldades para quem busca entrar ou retornar ao mercado, como também, para quem contrata, e este, não reconhece o seu papel na qualificação

Vira e mexe podemos ver, nos diversos meios de veiculação de vagas de emprego em todo o Brasil, que cada vez mais existe uma cobrança maior sobre o perfil requisitado para com o candidato e para a vaga em questão, que nem sempre, mais comum na prática, faz valer tais exigências, como também, leva-nos a refletir sobre o que de concreto o empregador colabora diretamente para o melhoramento do perfil de seus colaboradores, enquanto contratados.

Vemos por exemplo, em vagas de assistente administrativo ou estágio na área, a prática de salários e bolsas relativamente baixas; sem tantos benefícios inclusos; com carga horária distribuída em horários, incompatíveis para realizar cursos e estudos que venham a agregar no currículo e no conhecimento da função; além de um tratamento desconexo com as atividades, ou seja, sem sincronia com a formação exigida, que possa levar o colaborador a exercitar os conhecimentos adquiridos.

Assim são muitos no Brasil – que exercem uma atividade profissional, encarando como um emprego passageiro, pela necessidade – de olho no mercado, em busca de oportunidades de crescimento, pelo reconhecimento do ofício.

Mas qual a razão de muitos trabalhadores virem-se dessa forma no mercado, sendo mal aproveitados, desvalorizados e injustiçados, estando inseridos ou em busca de oportunidades?

Não há outra resposta que não seja o despreparo dos empregadores e gestores em geral. Desculpem-me se fui contundente numa ferida aberta.

Lembrei uma vez, conversando com um ex-colega de empresa, técnico de segurança do trabalho, formado há décadas e carente de reciclagem, que assim respondeu, ao perguntar-lhe sobre as razões de não se reciclar: “Meu salário não permite e a empresa já sinalizou que não paga curso algum para mim”.

Assim como esse meu ex-colega, muitos se encontram na mesma situação, ou seja, sem apoio algum da empresa para um preparo maior do profissional, mesmo os conhecimentos adquiridos venham a servir automaticamente para a empresa. E estes, ao saírem, sem dúvida alguma estarão disponíveis ao mercado, bem mais preparados.

Mas não é somente na formação técnica e científica dos colaboradores, nem mesmo, dando-lhes condições para adquiri-las, que deveria resumir a responsabilidade do empregador e seus gestores. Deve também, ao longo da relação estabelecida – contratante e contratado – demonstrar uma preocupação com a preparação do profissional/cidadão, sobretudo, sobre o desenvolvimento de uma postura fincada na valorização da educação, perfil profissional, e diferenciais competitivos, que tornam essa relação bem mais saudável e edificante, elevando o nível das partes, levando a ter-se uma consciência bilateral de qualidade.

Pena que na prática não funciona assim; que nossos gestores, na sua maioria, apresentam-se despreparados, alheios ao preparo de seus funcionários, numa pura demonstração equivocada de gestão. Passam a acharem-se competentes, somente, quando buscam profissionais no mercado, como peça de reposição. Aí, mostra toda a sua exigência, sem ao menos, refletir sobre a contribuição que dá a esse mesmo mercado, na clara adoção da postura de “faça o que digo, mas não faça o que eu faço”.

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