Café com ADM
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Além do Ler e Contar

Os dados apresentados pelo Instituto Nacional de Pesquisa e Estatística em Educação (Inep/MEC) na pesquisa Geografia da educação brasileira 2001, mostram que para cada cem crianças que entram na primeira série do Ensino Fundamental brasileiro, 41 não terminam a oitava série. Esse estudo oficial indica o nível de atraso da educação no Brasil, onde os alunos do Ensino Fundamental ficam em média 8,5 anos na escola e conseguem concluir apenas as seis primeiras séries. Para concluir os oito anos, são necessários 10,2 anos de estudo. Os números no Estado do Espírito Santo também não são muito animadores em termos regionais, apesar de estar numa posição geográfica privilegiada estrategicamente. Em média, 8,2% dos estudantes do Ensino Fundamental capixaba abandonam os estudos, por série escolar. Este é um dos índices mais elevados da região Sudeste, que tem uma taxa média de 6,5%. A reprovação capixaba por série nessa etapa fundamental está em 7,8%, para uma taxa do Sudeste de 6,6%. As condições tecnológicas e culturais de nossas escolas não são recomendáveis, conforme os dados do Inep. Na faixa de 1a a 4a séries do Ensino Fundamental, apenas 57,5% das matrículas são atendidas por bibliotecas, só 9,8% contam com laboratório de Ciências, 18,1% com laboratório de informática, 9,1% possuem acesso à internet e 43% têm TV escola. Estes são os piores números de nossa região, só comparáveis ao Nordeste. No segmento de 5a a 8a séries, apenas 19,2% das matrículas são atendidas por laboratório de Ciências, 28,3% por laboratório de Informática e 13,2% possuem acesso à Internet. Dados muito desfavoráveis em relação aos estados da nossa mesma região. Vale ressaltar que nesses números estão incluídas as matrículas na rede particular de ensino. A pesquisa do Inep revela uma realidade dramática para os nossos governos: a eficiência de nossas escolas está muito aquém das demandas e carências de nossa sociedade. No Espírito Santo, em especial, é necessário o investimento na preparação científica e tecnológica do aluno, sobretudo nas redes públicas, sob pena de agravamento do analfabetismo tecnológico, tão comum entre os jovens das camadas sociais populares. Um aluno que nunca teve acesso aos experimentos científicos elementares, não possui livre ingresso numa biblioteca básica, não tem contato pedagógico com a informática nem acesso à Internet, dificilmente terá oportunidades de razoável colocação no sofisticado mundo do trabalho. Hoje, para os jovens que ainda conseguem ficar nas escolas, não basta mais aprender ler e contar. Nossas políticas educacionais precisam romper com a exclusão, superar as defasagens e conectar os educandários ao universo dinâmico do conhecimento, ciência e tecnologia.
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