Além da crise econômica também vivemos uma “crise de competência”?

Não há como negar que temos uma crise econômica, mas será que todo o mal resultado que as empresas estão apresentando deve-se somente a esta crise? Será que os profissionais que atuam em nossas empresas estão preparados para atuar internamente para sustentar a competitividade das empresas? Neste artigo quero convida-lo a fazer uma reflexão sobre o o que chamo de "Crise de Competência" em boa parte de nossas empresas

Antes de mais nada quero deixar claro que não estou desqualificando nenhum tipo de Profissional, apenas quero trazer a tona uma discussão sobre a necessidade de trabalharmos para aumentar o nível geral de Competência dos Profissionais Brasileiros, afinal os “números” mostram nossa baixa produtividade em relação aos trabalhadores Americanos, Alemães, Japoneses, e até mesmo alguns de nossos vizinhos aqui na América Latina (veja mais em http://migre.me/qMtAn).

Ao longo de meus mais de 20 anos como executivo de empresas em diversos setores e portes, dos mais de 10 anos de atuação como consultor de empresas e de meus mais de 17 anos de Coordenação e Docência em cursos de Pós Graduação (MBA e Especialização) e treinamentos empresariais, vi e ainda vejo profissionais com excelente potencial que não deslancharam em suas carreiras, também vi e ainda vejo empresas com grande potencial e que não conseguem resultados satisfatórios.

Sempre que me deparo com esta situação me questiono sobre o porque isto ocorre e na busca pela resposta a este questionamento tenho me deparado com o que passei a chamar de “Crise de Competência”, que nada mais é do que a falta de Profissionais realmente Competentes, ou seja, a falta de profissionais capazes de entregar consistentemente resultados de alta performance, dentro do esperado ou do desejado.

Se tomarmos uma definição mais básica de Competência podemos afirmar que ela é a união de Conhecimentos com Habilidade e Atitude, ou em outras palavras ela (a competência) é fruto da soma do SABER (conteúdo teórico) com o SABER FAZER(aplicação na prática) com o QUERER FAZER.

Temos muitos profissionais que até têm um bom nível de conhecimento teórico, que dominam o “saber”, mas que na hora de colocar este conhecimento em prática não conseguem ou o praticam de forma errada, seja por não saberem como fazer (não têm habilidade) e/ou porque não querem fazer (falta a atitude). Também há os profissionais que não têm embasamento conceitual e que foram "aprendendo na prática" e que acabam entendendo que só há aquela forma de se fazer o trabalho. Nestes casos então, por falta de Competência, o resultado fica abaixo do esperado ou do desejado.

Via de regra esta falta de competência se traduz em ações tomadas de forma improvisada e com as seguintes características:

  • ações pontuais sem integração com ações das demais áreas da empresa,
  • ações sem a devida compreensão dos reais objetivos a serem alcançados,
  • ações sem planejamento, com controle precário e alto nível de perdas e retrabalhos,
  • ações que só levam a uma baixa produtividade e a custos elevados.

Acredito que para sair deste “buraco” o primeiro passo é “parar de cavar”, é assumir que há um problema relativo à falta de Competência de um bom número de profissionais no mercado e reconhecer que precisamos desenvolver (ou aplicar) um novo modelo de T&D (treinamento e desenvolvimento) que em todos os níveis seja capaz de desenvolver a habilidade (a capacidade de colocar a teoria em prática) e de despertar a atitude e criar o “clima” para que os profissionais façam o que deve ser feito, buscando, quando for o caso, a ajuda necessária para mudar os resultados tidos como insatisfatórios.

Dentro deste contexto empresas e profissionais devem “parar de cavar” e se unir para solucionar esta “Crise de Competência”, desenvolvendo estratégias e táticas direcionadas ao “aprender a fazer” e ao querer fazer.

Aos Profissionais que buscam aumentar sua competência resta ter a atitude de aprender sempre e “correr o risco” de colocar seu conhecimento à prova no dia a dia, desenvolvendo sua capacidade de fazer as “coisas” acontecerem. São vários os caminhos para fazer isto, dentre eles cito alguns;

  • implantação de projetos piloto na empresa,
  • participação em grupos de melhoria contínua,
  • tornar-se agente multiplicador na empresa,
  • participação em cursos com atividades práticas, workshops com jogos de empresa e simulações, seminários com formatos que favoreçam a troca de experiências, etc.

Independentemente da situação (projetos piloto, jogos, cursos, etc.) é fundamental que estes profissionais passem a ser agentes ativos de seu aprendizado e desenvolvimento de competências, que passem avaliar continuamente seus resultados, aprendendo com os erros e com os acertos (próprios e dos outros), avaliando os pontos de melhoria, mesmo frente a resultados positivos. É importante que estes profissionais entendam que mais importante que uma grande mudança ou melhoria feita de tempos em tempos, são as pequenas melhorias feitas de forma contínua, possibilitando aprendizado contínuo e fornecendo a energia necessária para se querer continuar fazendo, continuar melhorando.

Às Empresas que buscam aumentar a competência de seus profissionais fica o desafio de preparar e desenvolver gestores, principalmente gerentes intermediários e líderes que inspirem, que tenham credibilidade e que sejam capazes de serem mentores e desenvolvedores de suas equipes, preparando-as e apoiando-as para enfrentarem seus desafios e alcançarem seus objetivos. Estes gestores devem assumir uma nova postura que ouso resumir nos tópicos abaixo:

  • ser os facilitadores dos resultados e provedores dos recursos necessários para alcançá-los,
  • devem tolerar os erros, desde que eles não sejam recorrentes não coloquem a segurança das pessoas em risco,
  • devem estimular “o novo”, mesmo que ele não seja a “grande inovação”,
  • devem perguntar frequentemente a seus pares e aos membros de sua equipe “quando foi a última vez que eles fizeram algo pela primeira vez”.

Enfim as empresas através de seus gestores devem criar o “clima” para que o desenvolvimento de competências seja cada vez mais facilitado.

Não há como negar que as empresas e que nós profissionais estamos em meio a uma grave crise econômica e que ela está trazendo resultados muito danosos para a economia como um todo, mas também não podemos nos esquecer de que além de depender dos fatores externos os resultados de uma empresa também dependem dos fatores internos, fatores estes que dentre outros impactos aumentam os custos, afetam a produtividade, a qualidade e os prazos de entrega, que impactam sobre o atendimento ao Cliente e a retenção de “talentos” que podem fazer a diferença nos negócios.

Então neste momento de crise econômica eu lhe convido a pensar se sua empresa não está sendo impactada pela “Crise de Competência”.

Pense nisto!

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