Ajuste fiscal: visão da indústria (primeira parte)
Ajuste fiscal: visão da indústria (primeira parte)

Ajuste fiscal: visão da indústria (primeira parte)

O verdadeiro ajuste fiscal é estrutural: redução da carga tributária pelo aumento da eficiência da gestão e do gasto público, simplificação da caótica estrutura tributária e rediscussão do pacto federativo, entre outras coisas

Ajuste fiscal, na versão em discussão hoje no Brasil, limitou-se ao resgate do equilíbrio das contas públicas. E como na prática existe pouca disposição, tanto do Poder Executivo, como do Legislativo e do Judiciário para reduzirem gastos, acaba prevalecendo a prerrogativa que tem o Poder Público de transferir o custo desse desequilíbrio para a sociedade. O que acontece de tempos em tempos, e vai se traduzindo em mais impostos e menos serviços públicos.

A indústria de transformação é quem mais tem sofrido com esse longo processo, que o economista Paulo Rabello de Castro, coordenador do Movimento Brasil Eficiente (MBE), chama de extração de eficiência do setor privado para cobrir aumentos de gastos públicos. A sua participação no PIB caiu rapidamente de quase 30% para pouco mais de 10%, mas, por outro lado, continua tendo que pagar um terço dos tributos arrecadados no país. É por esse motivo que diversas entidades empresariais tem manifestado a incapacidade de a indústria assumir novos custos.

Estrangular a indústria é minar o principal pilar de crescimento da produtividade e da própria economia do país. Como bem afirmou Yoshiaki Nakano, diretor da Escola de Economia da Fundação Getulio Vargas e um dos fundadores do MBE, “a atual estagnação da economia brasileira é resultado da destruição da indústria manufatureira no Brasil por longos anos de juros elevados, taxa de câmbio apreciada (e instável) e contínua elevação na carga tributária”.

O verdadeiro ajuste fiscal é estrutural: redução da carga tributária pelo aumento da eficiência da gestão e do gasto público, simplificação da caótica estrutura tributária, rediscussão do pacto federativo, resgate da competitividade sistêmica da economia e fortalecimento da poupança interna, como vetores para estimular investimentos e viabilizar crescimento mais consistente do país.

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