Ai! Que saudades das ruas...

Cadê a população que saiu às ruas no 2° semestre de 2013?

Pedaladas fiscais, processo no TSE, Lava-Jato, Acrônimo, Mensalão, ...

Ufa! São tantos escândalos e desrespeito às leis que regem nosso Estado democrático de direito, que nos levam a pensar no seguinte: cadê a população que saiu às ruas no 2° semestre de 2013?

Se tanta gente se mobilizou por conta de R$0,20 na tarifa de ônibus, por que, justo agora que o país se encontra numa crise político-econômica, a população assiste atônita aos acontecimentos que vêm afundando nosso país? Será que temos medo de quem nos representa? Será acomodação? Ou será que o misto de consumismo e assistencialismo dos últimos anos nos fez perder a capacidade de entender que o sucesso ou o fracasso de uma nação depende da identificação e do engajamento que o povo tem com ela?

Para ilustrar, pouco se discute pelas ruas acerca das manobras fiscais que o atual governo federal praticou ao longo dos últimos anos, levando o Tribunal de Contas da União a emitir parecer restritivo e recomendar ao Congresso Nacional que se rejeite a prestação de contas presidencial de 2014, fato que evidencia o descumprimento da Lei de Responsabilidade Fiscal (Lei Complementar n° 101/2000) pela comandante-em-chefe da nação. Em outras palavras: num Estado autorregulado e submetido a suas próprias leis como o Brasil, presenciamos um péssimo exemplo de afronta aos preceitos de uma democracia de direito.

Contudo, quando o assunto é futebol, a repercussão é maior: debatemos mais a derrota do Brasil para o Chile do que o rombo nas contas públicas, sendo que estas doem mais no nosso bolso do que uma partida de futebol.

Dessa forma, fica a seguinte reflexão: qual é o país que desejamos e qual será a ética que o governará e nos governará? Seremos governados pela ética da personalidade, pautada pelo pragmatismo das aparências, ou pela ética do caráter, baseada na sustentabilidade dos princípios?

Logo, se quisermos mudar o mundo, comecemos por nós mesmos. O tempo não é o de assistirmos passivamente aos desgovernos e às impropriedades de quem nos representa. O tempo é de mudar. Não se trata mais de sair às ruas por causa de R$0,20, mas, sim, por causa do Brasil dos próximos anos, cujo respeito e o orgulho exigem uma postura muito além de pleitear redução de tarifa de ônibus. Eis a nossa missão como pessoas, profissionais e cidadãos.

Um forte abraço a todos e fiquem com Deus!

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