Café com ADM
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Ah, se meus filhos fossem...

Sou um pai consciente do papel de líder dos meus dois filhos. Camila e Mateus têm, respectivamente, 17 e 8 anos. Camila está prestando vestibular este ano. Quer jornalismo. Aprovei de imediato. Mateus ainda é uma criança.

Sou um pai consciente do papel de líder dos meus dois filhos. Camila e Mateus têm, respectivamente, 17 e 8 anos. Camila está prestando vestibular este ano. Quer jornalismo. Aprovei de imediato. Mateus ainda é uma criança. Quer ser jogador de futebol. Natural! Aprovei também. Mas não lhes aprovei as suas escolhas porque ache que elas sejam o melhor para eles. Aprovei porque não acredito que a profissão seja determinante para o sucesso e realização profissional de alguém. Acredito que quem essa pessoa decide ser, quais as atitudes e os conjuntos de valores que decide incorporar é que a farão se destacar na profissão que escolher. É nisso que foco minha atenção e energia.

Apesar disso, e depois de alguns poucos anos de vida, conclui que de uma coisa não abro mão na formação pedagógica e profissional de meus filhos. Podem me chamar de retrógrado, cerceador, intransigente. Mas o fato é que não abro mão de que eles desenvolvam as mais importantes competências, técnicas, estratégias e atitudes dos grandes vendedores. A única razão é simples: as razões que justificam o sucesso desses profissionais são muitas. Digamos que você me faça a pergunta: mas porque você quer tanto que seus filhos sejam vendedores? Respostas nas prateleiras logo abaixo.


Na verdade, não quero, necessariamente, que eles sejam vendedores. Até porque iria me contradizer com o que disse acima. Não quero escolher-lhes uma profissão, mas prepará-los para exercerem bem qualquer que seja a profissão que venham a abraçar. Mas ficaria lisonjeado e com o sentimento de dever cumprido se, depois de terem se desenvolvido em alguma área de conhecimento, eles desenvolvessem as competências e virtudes inerentes aos grandes vendedores. Mais ainda se chegassem, em algum momento de suas vidas Deus me permita presenciar isso , e dissessem: Pai, estou assumindo a área de vendas da empresa, vou ser vendedor, gerente ou diretor comercial. Ah, que tranqüilidade isso me traria. Ei, você tá pensando que é gozação? Pare com isso! Tenho várias razões para pensar assim. E se você ainda não pensa da mesma forma, deveria comprar essa idéia.

Não quero que meus filhos tenham salário. Que fiquem condicionados a um teto de remuneração. Quero que eles entendam que o céu é o limite em termos financeiros, e que eles são os grandes responsáveis por criarem suas próprias oportunidades. Lógico que não desejo que eles transformem as conquistas financeiras em alvo, até porque o amor ao dinheiro é sim a raiz de muitos males (Paulo a Timóteo). Quero que busquem a conquista de negócios feitos, e recebam os prêmios decorrentes como conseqüência natural, não como causa para o esforço a mais. Quero que entendam que a remuneração é uma conseqüência desse esforço adicional.

Não quero que meus filhos se acomodem em acreditar que já chegaram lá. Quero que se sintam estimulados a sempre achar que podem fazer um pouco mais, fazer um pouco melhor, alcançar um pouco mais, subir degraus mais altos. Quero que se sintam diariamente desafiados a serem melhor do que foram ontem, e que tenham sempre a sensação que se pararem estarão sendo ultrapassados. Quero que sintam que existe alguém pronto a lhes tomar o que já foi conquistado, caso não sejam vigilantes.

Não quero que meus filhos sejam especialistas em máquinas, como se elas fossem o fim das coisas. Quero que sejam experts em dialogar, em conversar com gente, em criar pontes de relacionamento, que conectam pessoas. Quero que eles sejam hábeis na capacidade de argumentação e convencimento, porque assim sempre estarão mais preparados para contornar e superar obstáculos através da palavra, e não da força, do poder.

Não quero também que pensem que sempre devem falar. Salomão já dizia que falar antes de ouvir é estultícia, tolice. Por isso, quero que eles desenvolvam a capacidade de ouvir, de entender o outro, pela perspectiva do outro. Que sejam empáticos, mais que simpáticos. Que compreendam que quem comanda uma conversa é quem pergunta, não quem disserta, quem responde. Quero que entendam que o sábio só fala por que tem algo a dizer, e o tolo porque tem que dizer algo.

Não quero que meus filhos achem que o mundo é estável. Quero que aprendam que a beleza e a virtude da vida estão também em aceitar as incertezas como uma constante, em aceitar a mutabilidade das coisas. Quero que eles façam do incerto o seu porto seguro. Que o fato de não saberem quanto ganharão ao fim do mês lhes sirva como um desafio, não uma ameaça. Assim, sempre estarão prontos para os acasos, e a vida é cheia deles.

Não quero que meus filhos se dobrem diante das contrariedades, das objeções, que eles não se intimidem por elas. A vida ainda lhes reservará muitos nãos, e eles precisam estar preparados para enfrentá-los. Quero que eles aprendam a buscar o sim, mesmo que existam nãos no caminho. E eles sempre existem.

Não quero que meus filhos fiquem na dependência de sempre terem alguém do lado deles a lhes incentivar e estimular a se superarem e buscarem seus objetivos e sonhos. Quero que eles aprendam a se automotivarem, a encontrarem em si a razão maior para darem o próximo passo, a prosseguir no caminho. Quero também que desenvolvam a consciência de cobrarem de si mesmo, e que tenham autodisciplina para sustentarem suas escolhas, construindo o que chamam comumente de perseverança.

Não quero que meus filhos fiquem na dependência de precisar de um emprego para desenvolverem suas habilidades profissionais. Quero que eles tenham em mente que sempre existe espaço para quem consegue com maestria expor uma idéia, vender um conceito ou um produto. Quero que eles se acostumem com a idéia de trabalhar, muito mais que se empregar. E quero também que não fiquem sujeitos às intempéries sazonais de um ou outro setor. Quero que desenvolvam habilidades e competências que os permitam migrar entre setores da economia, driblando crises, construindo o caminho com a própria caminhada. Mas uma caminhada altiva e esperançosa.

É por isso tudo que gostaria muito que meus filhos fossem vendedores. Porque grandes vendedores são assim. Eloqüentes, convincentes, autodisciplinados, automotivados, solícitos, amigos, sociáveis, positivos, bons ouvintes. Absolutamente, nada contra qualquer outra honrosa profissão. Se eles decidirem não seguir a área de vendas, tudo bem. Aceito. Mas que vou tentar vender para eles esta idéia, ah, isso eu vou! É o mínimo que um bom vendedor deve fazer, digo, um bom pai.

Compromisso de hoje: Vou pensar na possibilidade de me desenvolver em vendas, ou pelo menos meus filhos!

Abraços, bênçãos e SUCESSO!



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