Administradores como agentes de mudança social

"Nada é mais difícil e cansativo que tentar explicar o óbvio", reclamava o cronista Nelson Rodrigues. Os administradores do Brasil provam esta verdade há, pelo menos, 30 anos. Alguns poucos fatos evidenciam: o país é um dos dois maiores produtores de minério de ferro do mundo, mas até hoje não criou logística adequada para exportar. Tem a maior floresta virgem do planeta e permite desmatamento predatório, sem explorar a biotecnologia disponível na fauna e flora, que tem valor econômico infinitamente superior ao da madeira. É óbvio que o Brasil não é um país pobre. É um país muito mal administrado

"Nada é mais difícil e cansativo que tentar explicar o óbvio", reclamava o cronista Nelson Rodrigues. Os administradores do Brasil provam esta verdade há, pelo menos, 30 anos. Alguns poucos fatos evidenciam: o país é um dos dois maiores produtores de minério de ferro do mundo, mas até hoje não criou logística adequada para exportar. Tem a maior floresta virgem do planeta e permite desmatamento predatório, sem explorar a biotecnologia disponível na fauna e flora, que tem valor econômico infinitamente superior ao da madeira. É óbvio que o Brasil não é um país pobre. É um país muito mal administrado. E a morte da galinha dos ovos de ouro ocorre porque profissionais técnicos altamente capacitados precisam brigar nos âmbitos legislativo, judicial e político para simplesmente fazer o trabalho de gestão que poderia elevar o Brasil à condição natural de potência.

A gestão técnica eficiente é alcançada por administradores competentes em meio a um turbilhão de dúvidas, perplexidades e temores. Mas a gestão amadora de conveniência meramente política vive num paraíso de certezas inabaláveis, produzidas com o automatismo fácil das secreções orgânicas. Não por acaso mantém o Brasil, uma nação rica, refém de uma pobreza inexplicável.

O CRA-SC não se cansa, porém, de repetir o óbvio à sociedade, aos políticos, às instituições: a valorização da administração como ciência e técnica é a própria valorização da civilização e da democracia.

Sim, sabemos que somos uma voz clamando no deserto. Nem por isso nos calamos. O livro chinês "Os 36 estrategemas" ensina: "Todo fenômeno é no começo um germe, depois termina por se tornar uma realidade que todo mundo pode constatar. O sábio pensa no longo prazo. Eis porque ele presta muita atenção aos germes".

Estamos germinando uma revolução silenciosa no Brasil: a valorização dos administradores como agentes de mudança social.

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