Administração, estresse, seu cérebro e a análise SWOT
Administração, estresse, seu cérebro e a análise SWOT

Administração, estresse, seu cérebro e a análise SWOT

Culpar o estresse pelos nossos males é como culpar a análise de forças, fraquezas, oportunidades e ameaças pelos problemas de nossa empresa

Pensei muito em como começar uma coluna de saúde para administradores, e achei que seria interessante conversar sobre como o cérebro funciona e como ele tem semelhanças com a Administração. Talvez daí a quase irresistível tentação de usar metáforas orgânicas que costumam usar os professores, economistas e administradores.

O cérebro é o CEO do organismo e sua função principal é garantir a sobrevivência do indivíduo na melhor forma possível. A maneira como ele faz isso é um sistema por demais conhecido pelos administradores: a famosa Análise SWOT, que em bom português significa a análise das Forças (strenghts) e Fraquezas (weaknesses), Oportunidades (oportunnities) e Ameaças (threats).

Um exemplo simples e que gosto de usar é o de atravessar uma rua. Olhamos para o fluxo de carros e pensamos: “Atravesso? Sim! (oportunidade). Não! Vem vindo um carro (ameaça). Sim! Ele está longe (oportunidade). Não! Ele vem depressa (ameaça). Sim! Tem uma lombada (oportunidade). Não! A lombada é baixa (ameaça).” E assim por diante.

Ao mesmo tempo pensamos se temos força muscular para tentarmos a travessia (Força) ou se não vamos tentar porque estamos com o pé quebrado ou qualquer outro tipo de problema que caracterize uma fraqueza. Esse processo, que é permanente, foi descrito e nominado por Hans Selye como estresse. Sim, o estresse não é um bandido alado que quer nos destruir. Culpar o estresse pelos nossos males é como culpar a SWOT pelos problemas de nossa empresa.

O estresse, nossa SWOT interna, é o processo de avaliar as ameaças e oportunidades que a vida nos proporciona. O responsável pela SWOT neurológica é o que chamamos de Filtro Cognitivo. Com o resultado da análise feita por ele, o cérebro responde com providências necessárias para nos defender da ameaça ou aproveitar a oportunidade. Essa resposta é conhecida como luta ou fuga (fight or flight no original).

Nesse processo, todos nossos sistemas entram em alerta. O neurológico, o imunológico, o endocrinológico, o osteomuscular, o circulatório etc. O time todo joga junto – para o bem ou para o mal. Para a saúde ou para a doença.

Qual é o problema, então? O mesmo que temos nas empresas quando erramos na análise SWOT. Como isso acontece no organismo? Eu posso amar viajar de avião e voce ter pânico de avião. Você pode amar surfar e eu não entro no mar, nem chego perto. A culpa é do avião ou do mar? Não. É do filtro cognitivo, que vê ameaças onde não existem e faz uma SWOT totalmente errada.

O que tem isso a ver com você? Basicamente, tudo. O problema não são os grandes e claros erros cognitivos como esses exemplos, mas sim os pequenos e sutis como o perfeccionismo, a competição indevida, o medo de delegar, o medo de decisões que são tão comuns no meio empresarial.

O resultado conseguimos hoje medir quimicamente através de alterações em exames. Um exemplo são hormônios que se elevam ou diminuem dentro da resposta orgânica à ameaça. O resultado da ação desses hormônios podem ser alterações como processos inflamatórios crônicos, indo até a processos de degeneração tecidual.

O que gostaria de deixar como conclusão? Saúde é hoje um processo muito mais complexo do que apenas tomar medicação para estancar uma dor ou uma inflamação. Isso nada corrige. Saúde é manter a dinâmica orgânica (organizacional-operacional) perfeita. Caso contrário, o resultado será não apenas a doença crônica ou degenerativa estrutural, mas a perda funcional tanto física quanto neuro-psíquica, parcial ou total, o que, para aqueles que dependem do seu cérebro, pode ser fatal.

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