ACOMODANDO AS EMPRESAS E TORNANDO-SE EMPRESA DE FUTURO

O mundo em que estamos vivendo começou a gerar problemas que não podem ser resolvidos com o tipo e a qualidade de pensamento que este mesmo mundo vinha empregando e transmitindo até agora. (Albert Einstein) Expressões e palavras como globalização, ecologia, abertura de mercados, networking, megatrends, holismo, interatividade, empreendedorismo social e tantas outras estão, definitivamente, incorporadas em nosso vocabulário coloquial mas a razão disso, infelizmente, está em nossa perplexidade ante a crise, o que nos faz acompanhar de modo apaixonado as grandes mudanças que estão se processando mundial e nacionalmente, compondo um verdadeiro debate universal sobre o futuro de nossas vidas. É claro que todos estamos observando esse debate invadir as empresas, fazendo com que profissionais de todos os níveis envolvam-se em preocupantes questionamentos: Como serão as relações entre chefes e funcionários?, E entre empresas e clientes?, Como será a repartição do mercado?, Haverá uma nova práxis política influenciando empresas e pessoas?, Os papéis e funções dos profissionais serão os mesmos?, Como será o futuro de nossa empresa?. Esse exercício mental é positivo pois gera um real interesse em contribuir com a construção do futuro, além de facilitar a compreensão de que mudar é o modo de ser das coisas: o sofrimento está em resistir ao processo de transformação. Conclusão: nós, que trabalhamos com mudanças, temos que assumir a missão de extinguir o condicionamento mental do ser humano assim como o pensar sustentado exclusivamente na lógica formal e na visão mecanicista do mundo (essa decrépita forma de pensar que faz com que uma pessoa acredite que o mundo pode mudar sem que ocorram mudanças nela mesma, ou que uma empresa pode mudar sem que os seus profissionais sofram uma revisão interna e modifiquem o modo pelo qual cada um deles vê as coisas e o próprio mundo). De modo geral, as empresas contam com uma área capacitada a prestar um pleno auxílio nesta fase de transformação: Recursos Humanos. As boas empresas estão convictas de que crises são superadas com a qualidade dos seus Talentos Humanos e com a força das decisões, aliada às estratégias de líderes preparados para que conduzam o pessoal à tranqüila convivência com as mudanças necessárias, transformando-se, juntos, numa empresas do futuro. Isso significa acatar a idéia de que empresa é local de desenvolvimento da consciência e que só isso é capaz de reverter a tendência negativa típica das crises. Ora, se o mundo é aquilo que percebemos e sobre o qual temos consciência, para mudar essa visão é preciso ampliar a consciência das pessoas sobre esse mesmo mundo, facilitando o processo individual de busca de realização. Em outras palavras, se o empregado percebe a empresa onde trabalha como crítica, confusa, injusta, etc., é preciso ampliar a sua consciência sobre a empresa e sobre si mesmo, fazendo-o assentar-se na realidade ampliada e isenta de fantasias. Esse processo permitirá que seja criado, como conseqüência, um ambiente propício ao encontro de soluções, logo, é um processo típico de liderança, algo que a área de RH deve estimular e manejar dentro da empresa. E o que vem a ser uma empresa de futuro? Aonde se quer alcançar? O que estamos construindo? Evidentemente as empresas do futuro deverão ter algumas características comuns. Como não é possível adivinhar quais serão essas características, deve-se considerar o que as empresas mais modernas e com excelentes resultados estão sinalizando. Talvez a melhor resposta seja a de que estamos nos preparando para uma nova realidade onde a empresa, como foi dito, é um local de desenvolvimento da consciência. A tendência natural do universo é de queda (entropia) e a consciência é capaz de reverter essa tendência em sintropia. A forte tendência é de retomada dos conceitos que nos mostram que o mundo é aquilo que percebemos, aquilo sobre o qual temos consciência, reforçando-se, portanto, a idéia de que para mudar a visão de mundo é preciso alterar a consciência das pessoas, facilitando assim a busca individual de realização em níveis mais elevados. Considerando-se a busca do amanhã, os modelos abaixo podem servir como ponto de partida para uma definitiva conquista em termos de evolução e conquista empresarial e social: - As empresas de futuro potencializam a sua gente: as pessoas realizam, manifestam, explicitam a essência de seus interesses porquanto identificam os pontos comuns entre seus propósitos de vida e os propósitos da empresa. - As empresas de futuro são dirigidas ao mercado e focalizadas no cliente. Essas empresas descobriram o significado profundo de estar a serviço do desenvolvimento, seja da própria empresa, da comunidade, do país ou do mundo. O lucro não é mais a razão principal porque tornou-se a conseqüência financeira de uma adequada postura empresarial. - Essas empresas definem padrões de exigência no mercado que transcendem as expectativas desse mercado e, assim, definem novos padrões de exigências. Para isso não basta satisfazer as necessidades do cliente, deve-se atender a sua expectativa. Todavia, a identificação desta expectativa só é possível se houver total conexão, na empresa, do homem consigo mesmo, do homem com os seus colegas e das várias áreas entre si. - Empresas de futuro respondem rapidamente às mudanças porque seus funcionários estão preparados nos aspectos físico, mental, emocional e comportamental, para encarar a mudança como uma ocorrência normal e, assim, conquistam a sensação de conforto mesmo em tempos de mudanças aceleradas. - Essas empresas cuidam apaixonadamente de fornecer produtos e serviços de qualidade e sabem que a paixão pela qualidade só é forte, permanente e duradoura quando representa a realização do propósito de vida das pessoas. - Empresas de futuro possuem visão global e estratégia capaz de torná-la realidade. O futuro não é ou nunca foi projeção do passado e, por isso, é inconcebível o planejamento deste futuro considerando-se apenas as ocorrências históricas (da mesma forma que os cenários somente ampliam as possibilidades com base no histórico da empresa). Na verdade, o futuro não existe: será criado. Assim, ou a empresa segue o que criou para o seu futuro ou segue o que os outros criaram enquanto futuro. Essa idéia também é aplicável ao presente, o qual não deve ser justificado pelo passado mas puxado pelo futuro. A energia humana despertada pelo envolvimento na criação do futuro é muito mais potente do que aquela disponível para melhorar o presente. - Empresas de futuro não consideram a existência de respostas prontas. O dar-se conta depende da clareza das perguntas. Também não se satisfazem com o status quo, alternando-o constantemente, evitando os pragmatismos que funcionam como filtros e que mostram a realidade como quero e não como ela, de fato, é. A vantagem competitiva hoje está relacionada a quanto uma empresa está livre dos paradigmas ultrapassados numa evolução como a que pode ser observada na síntese a seguir: Razão de Ser: De lucros ... A Ambiente para realização do propósito de vida das pessoas. Organização: De hierarquia ... A hierarquia coexistente com ambiente circular... A malha orgânica. Serviços: De relações subservientes... A Ações de parceria...A sintonia cósmica. Papel de RH: De cumpridor de deveres...A agentes de mudanças... A canal de manifestação. Sintonia com Tendências: De obediência silenciosa... A caos advindo da compreensão do todo... A alinhamento com uma visão. Relações no Trabalho: De chefe-subordinado... A equipe complementar... A malha de iguais. Decisões: De isoladas... A compartilhadas... A consenso. Liderança: De autocrática... A Democrática... A Metanóica (desenvolvimento da consciência). Qualidade das Decisões: De dependência da capacidade do chefe... A dinamização pela malha de informação ... A Sabedoria do grupo. Problemas: De ameaças... A oportunidades-ameaças... A sinais. Trajetória: De esforço contra objetivo... A objetivos orientados pela estratégia... A caminho de menor resistência criando uma visão. Enfim, vantagem competitiva nos dias de hoje relaciona-se a quanto a empresa está livre dos paradigmas ultrapassados e a história tem sugerido que o homem é limitado menos pelas ferramentas que possui e mais pela visão e o uso que faz delas. Tem mostrado, também, que o verdadeiro conhecimento tem sido uma decorrência da simplicidade e da humildade. Poderemos errar na construção do futuro, mas o que já aprendemos até hoje servirá como farol na manutenção de atitudes positivas e flexíveis. Para essa construção, podemos plagiar Umberto Eco em O Nome da Rosa, afirmando que um homem pode cometer vários erros, mas nunca tornar-se escravo de qualquer desses erros. Paulo Cesar T. Ribeiro é Psicólogo, Diretor da CONSENSOrh Rec. Humanos & Tecnologia. Email: paulo.ribeiro@conrh.com.br Fone: 55 11 5087-8891
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