A vitória do empreendedor

Acabou. Final da primeira edição de ‘O Aprendiz’, programa criado pelo mega empresário americano, Donald Trump, no estilo ‘reality show’, que selecionou, dentre 250 mil inscritos originalmente, um jovem para comandar um de seus empreendimentos.



Acabou. Final da primeira edição de O Aprendiz, programa criado pelo mega empresário americano, Donald Trump, no estilo reality show, que selecionou, dentre 250 mil inscritos originalmente, um jovem para comandar um de seus empreendimentos.


Bill Rancic é um pequeno empresário que disputou, ao longo de 14 semanas, a vaga com outros 15 candidatos, se submetendo, a cada episódio, às mais diversas tarefas ao final das quais o próprio Trump analisava o desempenho e despedia alguém, popularizando o bordão Você está despedido!

A final foi entre ele e outro jovem, chamado Kwame Jackson, igualmente talentoso e de alto potencial. O embate foi interessante porque reuniu duas escolas e estilos de liderança totalmente diferentes. Ao contrário de Bill, um empreendedor que abandonou a continuidade dos estudos acadêmicos para abrir uma charutaria, Kwame possuía no currículo um invejável MBA pela Harvard que fez toda a diferença na sua caminhada até o final da competição.



Escolhendo a equipe entre colegas eliminados na competição, ambos foram colocados em tarefas altamente desafiadoras. Kwame organizou um show da cantora Jessica Simpson no Hotel e Cassino Taj Mahal em Atlantic City e Bill ficou encarregado do torneio de golfe Chrysler-Trump.



Ambos os candidatos tiveram desempenho irrepreensível. Tudo deu certo, deixando Trump com uma decisão difícil. Bill pecava pela alta ansiedade e excesso de zelo, checando e re-checando tudo, para que nada desse errado, causando desconforto entre sua equipe por demonstrar uma grande insegurança e falta de confiança. Kwame, por outro lado, confiou integralmente na sua equipe. Segundo sua concepção, um líder deve mostrar o caminho e deixar as pessoas à vontade para trabalhar. Sua visão está correta, desde que se escolha os melhores para sua equipe e justamente este foi o erro de Kwame.

Em sua equipe, a consultora política Omarosa selou o seu destino. Dona de caráter duvidoso, negou informações, distorceu fatos, não cumpriu com suas responsabilidades, gerou discórdia e confusão e desapareceu nos momentos mais importantes. Trump foi impiedoso Você devia tê-la afastado do time.

Podíamos ver a eficiência de Harvard presente em todas as suas considerações, postura, ponderações, idéias e argumentações, mas o programa mostrou, no final das contas, que as escolas de administração ainda não estão preparadas para ensinar discernimento, atitude, jogo de cintura, visão, percepção e sensibilidade, competências que deram a vantagem para Bill vencer a competição e ficar com a vaga de aprendiz de Trump. Os efeitos negativos do excesso de supervisão de Bill foram menores que a falta de supervisão de Kwame.

A lição que fica é: Se os resultados são igualmente excelentes, a decisão acaba recaindo nos processos, na forma como o projeto foi conduzido, nas iniciativas e estratégias adotadas, na forma de resolver problemas, no modelo de tomada de decisão.

Como empreendedor, Bill está acostumado a centralizar toda a responsabilidade. No seu dia-a-dia deve estar cercado de pessoas com baixa qualificação. Assim sua ansiedade em conduzir um projeto de tal relevância é natural e até esperado, apesar de desnecessário, Pois ele soube escolher muito bem sua equipe.

O empreendedor de sucesso não é um herói que consegue jogar sozinho em todas as posições, ao contrário, o sucesso só surge quando ele sabe se cercar dos melhores, de preferência, que o complementem.

Aqui cabe bem a introdução a um tema explorado por Thomas Stewart em sua palestra na Expomanagement 2004: a diferença entre conhecimento tácito e conhecimento explícito. Enquanto Kwame era bom nas teorias da administração, detentor de uma grande bagagem de conhecimento explícito, aquele que é adquirido em livros, cursos e treinamentos, Bill foi formado na escola do mundo empresarial, forjado no dia-a-dia através de vivências, experiências, erros e fracassos aos quais todo verdadeiro empreendedor está sujeito. Bill domina o conhecimento tácito, aquele que não pode ser facilmente transferido, não pode ser aprendido em livros e cursos, não pode ser copiado, e portanto, é mais raro, único e valioso.

Vivemos num mundo em que a massificação do ensino da administração padroniza e massifica os profissionais da área. O diferencial competitivo no mercado de trabalho está no algo a mais que cada um pode apresentar individualmente. O conhecimento tácito corresponde a este diferencial. Infelizmente poucos podem se valer de processos de seleção tão complexos quanto O Aprendiz, mas os líderes de hoje precisam aprender a valorizar o que não está escrito, mas implícito nas posturas, nas idéias, na energia e no brilho dos olhos de cada um.

Trump escolheu um empreendedor para o seu time em detrimento de um MBA de Harvard. Se isso será bom para seus empreendimentos? Só o tempo dirá, mas uma coisa é certa. Os empregadores que prestaram atenção ao método de decisão de Trump devem ter aprendido algo a respeito de processos de recrutamento e seleção. Certamente o currículo de Bill não teria passado sequer na primeira triagem. Pense nisso!!!


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