A Visão de Futuro Impulsiona os Negócios e as Profissões

As grandes empresas, cada vez mais, estão interessadas em saber para onde as coisas estão caminhando. Não é para menos: num mundo que parece girar mais rápido a cada dia, e onde as transformações são constantes, é preciso criar estratégias com os olhos no futuro.

Sempre sustentei que o empresário moderno tem que ser um pouco futurólogo, mas o que vi outro dia me surpreendeu. Convidada para falar no evento de uma grande empresa multinacional, eu assistia ao discurso de abertura do encontro, feito pelo presidente da organização. Assim, ele começou sua palestra:

- Fui até o futuro e voltei, por isso posso dizer com segurança o que vai acontecer.


Fiquei impressionada com a apresentação do executivo. Ele disse que, depois de ter instalado com sucesso filiais em países da Europa, na Índia e na Austrália, era capaz de prever os desafios da implantação da empresa no Brasil. Fez um paralelo da situação atual de outros países com a do nosso, mostrou para onde o Brasil estava caminhando, projetou tendências econômicas, sociais, políticas e de consumo, enfim, deu um show de futurologia.

O fato é que as grandes empresas, cada vez mais, estão interessadas em saber para onde as coisas estão caminhando. Não é para menos: num mundo que parece girar mais rápido a cada dia, e onde as transformações são constantes, é preciso criar estratégias com os olhos no futuro. É preciso semear hoje os frutos que o mercado desejará amanhã.

Por conta dessa necessidade de antecipação, novas profissões estão surgindo. Uma delas é a do caçador de tendências ou cool hunter, que analisa os setores afins com a atividade da empresa bens de consumo, design, tecnologia de ponta ou publicidade, por exemplo e indica prováveis necessidades futuras dos consumidores. O perfil ideal do cool hunter é o de uma pessoa naturalmente inquieta, que tem interesse em fenômenos sociais e formação nas áreas de antropologia, sociologia, psicologia ou mesmo artes.

Algumas organizações estão também contratando os serviços de think tank. Expressão relacionada com a criação estratégias militares, think tank é o profissional ou grupo de profissionais que produz estudos sobre temas da atualidade para dar suporte às decisões estratégicas da empresa. É um trabalho de intelectual, de refletir sobre questões econômicas, políticas, sociais ou tecnológicas e produzir relatórios com indicações de para onde as coisas estão caminhando. Empresas da administração pública ou com negócios fora do país são potenciais empregadoras desses analistas, geralmente egressos do meio acadêmico.

Como freqüentemente a visão de futuro das empresas aponta para outros países, elas precisam cada vez mais do trabalho do gestor de integração. A função desse profissional é cuidar do lado humano dos processos de fusão, aquisição ou incorporação. Ele tem a missão de facilitar a integração de culturas e pessoas, auxiliando os funcionários que chegam, os que saem e os que são transferidos a lidar com a mudança de realidade.

Outra profissão muito alinhada com o futuro das organizações é a do especialista em responsabilidade social corporativa. Cada vez mais, as empresas precisam promover o desenvolvimento econômico sustentável na região em que estão instaladas, e é esse profissional que cria e gerencia as políticas voltadas à comunidade e ao meio ambiente.

Essas são apenas algumas das inúmeras profissões que estão surgindo para impulsionar o desenvolvimento das empresas e da sociedade. São profissões de futuro, que já existem em países da Europa e não tardam a existir por aqui se é que já não existem, desde que há tantas empresas multinacionais instaladas no país e que as tendências empresariais são mundiais.

Segundo uma recente pesquisa da agência de empregos Catho, 54% das contratações que acontecem hoje por seu intermédio são para cargos que não existiam anteriormente. Ou seja: as empresas estão criando postos específicos para contratar novos executivos. Suspeito que dificilmente as organizações encontram profissionais com experiência anterior nessas funções, mesmo porque elas são muito novas, e com isso o que conta é a inteligência de adaptação das pessoas, sua coragem e ousadia para enfrentar novos desafios. O que conta, no final das contas, é que todos nós empresários, dirigentes ou funcionários precisamos ser um pouco futurólogos e estar "antenados" com os rumos da humanidade.










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