A sua empresa pode crescer em momentos de crise?

Empresas que conhecem o seu público e se ajustam às mudanças do mercado podem crescer em momentos de crise

O Brasil vive um período de recessão econômica iniciado em 2015 que teve reflexo na contração de 3,7% do PIB e com projeção de queda de 2,6% em 2016. Além disso, a inflação atingiu o percentual de 10, 67% o seu nível mais alto desde 2002 e começa a corroer o poder de compra dos trabalhadores.

Esse resultado ficou bastante distante da meta prevista em 4,5% com tolerância de 6,5%. Em 2014 o IPCA ficou em 6,14% já demonstrando estar bem próximo do teto do intervalo.

A correção de preços afeta primeiramente aquelas pessoas com menor renda já que ocupam uma maior parte de seus salários com itens essenciais, sendo mais difícil cortar ou substituir determinados produtos. Nesse caso a solução é deixar de consumir determinados produtos considerados essenciais tais como alguns alimentos.

Em contrapartida, aqueles com melhores salários trocam alimentos mais caros por mais baratos, como no caso do consumo da carne vermelha por frango, ou mesmo a eliminação da alimentação fora de casa ou de outros itens supérfluos.

Nesse período ocorre a diminuição da atividade econômica em geral, mas isso não significa concluir que todos os setores da economia apresentarão queda ou ficarão estagnados.

Existe um ditado popular que diz “Enquanto uns choram outros vendem lenços” e que retratam as oportunidades de crescimento em momentos de crise. Nesse período não é diferente sendo comum a substituição de produtos gerando o crescimento nas vendas e oportunidade de negócio para aqueles que conhecem o seu público.

Um exemplo desse crescimento é o mercado de avicultura que teve uma expansão de 3% no abate em 2015. Segundo Domingos Martins, presidente do Sindicato das Indústrias de Produtos Avícolas do Paraná (Sindiavipar), “As empresas estão construindo granjas, abrindo linhas extras de produção nas indústrias. Só precisamos que o setor tenha juízo para continuar crescendo”. É comum em períodos de crise que parte da população deixe de consumir carne vermelha e passe a consumir mais carne de frango que tem um valor menor.

Outro exemplo é o aumento de alguns itens utilizados para compensar o estresse, que geram prazer imediato e não possuem um preço tão elevado. Um dos esses itens é o biscoito recheado que cresceu o consumo em torno de 5% em 2015. Segundo Claudio Zanão, presidente da Abimapi, “O biscoito oferece prazer ao consumidor. Na crise as pessoas se dão a chance de saborear algo diferente”.

Assim como o biscoito recheado, também são itens que apresentaram crescimento em 2015, o setor de bebidas, drogarias, cosméticos e tecnologia. Nesses períodos, o brasileiro deixa de consumir primeiro os bens duráveis como carros, eletrodomésticos e eletroeletrônicos e passar a consumir mais bens de consumo. Ou tenta compensar a diminuição do consumo de um bem, geralmente de valor mais caro, por outro de menor valor.

Os hábitos de consumo mudam em períodos de crise e com isso o mercado passa a privilegiar a venda de outros produtos. O empresário precisa estar atento para identificar essa mudança e adaptar o seu negócio podendo inclusive vender mais do que em períodos de crescimento da economia.

Segundo pesquisa da Confederação Nacional das Indústrias (CNI), 57% dos brasileiros mudaram hábitos de consumo por causa da economia em 2015 e ainda 21% disseram que pretendem mudar (Portal da Indústria – 09/09/15). A pesquisa foi realizada com 2.002 pessoas em todo o Brasil e mediu como a crise chegou a vida das pessoas, impactando no consumo, corte de gastos e busca por alternativas de renda.

Sendo assim, a empresa deverá definir a sua estratégia para 2016/2017 a partir da análise dessas mudanças que ocorrem no hábito de consumo do brasileiro. E para isso deve utilizar de uma importante ferramenta de marketing que é a pesquisa de mercado. A tendência das empresas nesses momentos é cortar custos de forma indiscriminada seguindo a máxima de que ninguém está comprando independente da campanha da marketing que for realizada.

Assim, a pesquisa e as ações de marketing ao invés de serem desenvolvidas acabam sendo cortadas e com isso temos o inicio da entrada da empresa dentro da crise.

Os exemplos mostram que determinados produtos aumentam o seu consumo nesses períodos e a percepção da empresa, principalmente da área de marketing é fundamental para descobrir e trabalhar sobre essa mudança. É justamente sobre essa mudança nos hábitos de consumo que a estratégia deve ser trabalhada para que a empresa possa superar esse período de recessão econômica.

É nesse momento que a empresa precisa saber exatamente qual o seu público alvo e as expectativas dos mesmos em relação a crise. Deve-se trabalhar com pesquisa de mercado alinhada às pesquisas de satisfação que já possuía anteriormente, buscando identificar a mudança dos hábitos de consumo.

A empresa precisa ter muito cuidado para não realizar medidas aleatórias (ex: baixar preço, ou baixar a qualidade de um produto) sem o correto planejamento de marketing porque pode se colocar de forma equivocada para o consumidor confundindo o seu cliente atual e não conseguindo atingir um consumidor de uma faixa de renda menor.

A maioria dos concorrentes devem agir a partir dessas medidas gerando mais insegurança no mercado já abalado pela diminuição das vendas. Acompanhar as ações dos seus concorrentes é terceirizar a sua estratégia colocando em risco todo o seu negócio.

A avaliação nos novos hábitos de consumo vão permitir ao empresário maior segurança para tomada de decisão e a partir daí realizar os cortes corretamente nas diversas áreas da empresa, podendo otimizar despesas que não estejam mais em linha com a necessidade atual. É importante perceber a mudança e se preparar para a crise para que possa conviver com ela e ao final desfrutar de um novo crescimento do mercado.

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