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A sobrevivência dos negócios

<b><i>A disponibilidade de capital humano treinado para a realidade do mercado atual e futuro é fundamental para a competitividade de todos os negócios. È uma questão de sobrevivência. </i></b>

A educação é o principal pilar de sustentação do crescimento e da competitividade de um País.
Inovação e agregação de valor são fundamentais para o progresso de qualquer sociedade. China, Índia, Austrália e Coréia do Sul enxergaram isso há mais de trinta anos. O Brasil ainda não enxergou. Cinco porcento da população brasileira de 7 a 14 anos ainda não têm acesso ao ensino fundamental. Só 37% desses jovens estão matriculados no ensino médio. Os trabalhadores da indústria brasileira têm escolaridade média abaixo de 5 anos. As empresas brasileiras não estão recebendo das instituições de ensino mão de obra qualificada para acompanhar os atuais níveis de exigência e grau de complexidade das atividades produtivas. O exército de analfabetos funcionais é imenso. Ele chega a 75% dos brasileiros com mais de 15 anos. Assim, fica difícil aumentar a produtividade, melhorar a qualidade e estimular a inovação nas empresas. Fica difícil acompanhar a velocidade necessária para a incorporação de novas tecnologias. Fica quase impossível implantar métodos modernos para organização e gestão da produção. O presente está complicado e o futuro está ameaçado. E o pior é que não existe nenhum plano consistente, de longo prazo, para melhorar a educação no Brasil.

O governo investe relativamente pouco e, muito mal, na educação. Gasta muito no ensino superior e deixa o ensino fundamental nas mãos de milhares de prefeitos malversadores de recursos. Temos uma baixa qualidade no ensino fundamental e péssimas condições de acesso ao ensino médio. Os heróicos professores do ensino fundamental são correntemente chamados pelo diminutivo. São os professorzinhos ou professorinhas. A maioria esquece que a função de ensinar é enorme, não aceita diminutivos. Ela sempre será nobre, nobilíssima, seja qual for o nível do ensino.

Num cenário desses fica difícil formar pessoas para inovar e empreender. Precisamos da figura do empreendedor. Ele é o principal motor do desenvolvimento. É ele quem promove mudanças. É ele quem lidera, catalisa, impulsiona e mobiliza a sociedade. Precisamos de indivíduos com comportamento proativo, que busquem soluções e tenham iniciativa para a montagem do próprio negócio. Precisamos também de empregados empreendedores, dentro das empresas. O papel das instituições de ensino é despertar visão de futuro, criatividade e proatividade nas crianças, jovens e adultos. Elas precisam disponibilizar conhecimentos e melhorar as habilidades, mas precisam sobretudo, estimular a realização pessoal via aplicação dos conhecimentos e habilidades adquiridos. Elas precisam difundir a cultura empreendedora e valorizar as atividades empresariais. Isso só pode ser feito mediante o desenvolvimento de habilidade para resolver problemas, mediante a construção de atitudes relacionadas à criatividade, iniciativa, autonomia e responsabilidade. Mediante a incorporação de valores éticos, morais e de desenvolvimento sustentável.

No Brasil, infelizmente existem poucos políticos visionários, semeadores, planejadores, com visão de longo prazo. Mudar o sistema educacional é um processo demorado. Ele não pode ser feito no decorrer de um mandato de 5 anos. Talvez seja por isso que os governantes não planejam nada consistente, de longo prazo para o setor. É inútil esperar por bons planos oficiais. As pressões e propostas para mudança do sistema educacional terão que vir da sociedade. Neste contexto é fundamental a ação construtiva dos empresários industriais e comerciais. Eles precisam se unir para elaborar diagnósticos abrangentes e formular planos estratégicos, de longo prazo. A disponibilidade de capital humano treinado para a realidade do mercado atual e futuro é fundamental para a competitividade de todos os negócios. È uma questão de sobrevivência.

Eder Bolson, empresário, autor de Tchau, Patrão! www.tchaupatrao.com.br


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