A síndrome da crise
A síndrome da crise

A síndrome da crise

Um texto de 1992 que parece ter sido escrito hoje

O Brasil continua vivendo a síndrome da crise, para a qual foi arrastado pela recessão econômica e por transtornos na área política. Em nome dela, o desenvolvimento é sucessivamente adiado: aguarda-se, como sempre, que o governo tome a iniciativa de resolver todos os problemas e alavanque o progresso. Enquanto isso não acontece, os braços continuam cruzados. Agora, por exemplo, a desculpa está na definição da reforma fiscal. Os negócios param ou andam devagar, e muitas oportunidades são perdidas. Ainda em nome da crise, nem mesmo contratos são respeitados.

A sociedade pode reagir, buscar caminhos próprios e independentes para alcançar o desenvolvimento. Mostrar a mesma indignação de quando foi às ruas exigir o impeachment do primeiro presidente eleito pelo voto direto, após quase três décadas de autoritarismo. Não é suficiente apontar problemas; é preciso, isto sim, encaminhar soluções. Nesse terreno, graças à experiência acumulada e à própria natureza de seu trabalho, os consultores sabem caminhar.

Essa tarefa pode e deve ser executada junto aos clientes, à mídia e às autoridades, apresentando propostas concretas para a retomada de crescimento econômico e social. Caso nada seja feito, seremos cúmplices da crise e responsáveis por um tempo perdido.

Agora que novo ano se aproxima, os consultores precisam estar conscientes de que algo necessita ser feito para ajudar não apenas às empresas, mas o Brasil a superar suas dificuldades. A democracia permite e exige a participação de todos, o exercício da cidadania em sua plenitude. O passado já está feito, mas o presente pode servir de base para construir o futuro.

Texto publicado originalmente em dezembro de 1992.

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