A Revolução dos Tímidos
A Revolução dos Tímidos

A Revolução dos Tímidos

As relações cibernéticas foram absorvendo, em parte, algumas práticas ainda comuns nas pequenas cidades do interior do país, como o bate papo com os amigos e a conversa de botequim, por exemplo. Os assuntos que antes eram discutidos com fervor e entusiasmo nas rodas de amigos em frente ao colégio, na praça da cidade ou na porta do cinema hoje podem estar nos "chats".

Dias atrás me encontrei com um amigo que não via há muito tempo. Conversamos por várias horas, cada um comentando sobre sua vida, seus feitos e acontecimentos. Enfim, relembrando o passado e contando sobre o presente. Até aí, parece uma história cotidiana, como qualquer outra, se não fosse o fato que ela transcorreu a quilômetros de distância entre os personagens. Através do sobrenome deste meu amigo, pude encontrá-lo utilizando o programa ICQ, onde começamos a conversa e depois continuamos no mundo virtual da "Active Worlds". Esta breve história de contato cibernético reflete o que é hoje uma das características do processo de mudança comportamental que o ser humano está vivenciando: as relações pessoais na era digital.
Ouvimos, ecoando em todos os lugares, cantos e cidades, o estrondoso brado dos especialistas, consultores de gestão e cientistas renomados, de que vivemos um novo e importante período na história da humanidade, uma época de avanços tecnológicos e da expansão da internet, capazes de aproximar pessoas em instantes, sem a necessidade da presença física. De fato, já somos parte desta história...

Há alguns anos, quando silenciosamente esta nova era se iniciou, havia poucas pessoas crédulas de sua perpetuação ou até mesmo crescimento. Comentava-se, por exemplo, que a internet seria restrita ao meio acadêmico. Ledo engano! A Cisco Systems veiculou recentemente uma propaganda em importantes revistas, com o seguinte slogan: "Mais da metade da população mundial nunca fez uma chamada interurbana. E graças à internet, provavelmente nunca fará."


Esta colocação faz pensar que estamos passando por uma revolução muito mais profunda e verdadeira, que chamo de "a revolução dos tímidos". Pode parecer estranho, mas é isso mesmo. Afinal, quem mais se beneficiou com este novo processo de comunicação e contato entre as pessoas? Gente que sempre teve dificuldade no contato pessoal encontrou uma forma de se relacionar sem a necessidade de se expor totalmente. É a independência física das convenções sociais...
As relações cibernéticas foram absorvendo, em parte, algumas práticas ainda comuns nas pequenas cidades do interior do país, como o bate papo com os amigos e a conversa de botequim, por exemplo. Os assuntos que antes eram discutidos com fervor e entusiasmo nas rodas de amigos em frente ao colégio, na praça da cidade ou na porta do cinema hoje podem estar nos "chats". Eles são responsáveis por grande parte da comunicação entre jovens com idade entre 8 e 18 anos, que certamente são muito mais habilidosos para comunicar-se através deste meio do que quando estão presentes em alguma atividade social.


Através dos recursos atuais muitas pessoas se conhecem, conversam, marcam encontros, procuram um novo emprego, namoram, compram e vendem produtos e serviços; enfim, quase tudo que se faria pessoalmente. Alguns internautas vão ainda mais longe e aderem ao sexo virtual. Prolifera-se a passos largos a indústria pornográfica na internet e, também, através das linhas telefônicas eróticas. Isto reflete, que para alguns, até o prazer é melhor e mais seguro no meio virtual.

Outro exemplo notório que denota esta mudança cultural e comportamental está na área da educação. Com as novas tecnologias, o ensino a distância ganhou novo impulso, sendo responsável por um grande percentual da formação e desenvolvimento profissional através da criação dos "learning centers", tele-salas, vídeo-conferência, etc. A sala de aula tradicional e o professor presente continuarão existindo, mas com algumas adaptações ao modelo atual. Porém, a tendência é de que, cada vez mais, o ensino seja realizado onde o aluno estiver, sem a necessidade de locomoção para grandes centros educacionais e seus prédios e estrutura faraônicos.
No campo profissional, esta nova forma de relacionamento tem otimizado bastante os processos internos das corporações, cada vez mais atentas ao cumprimento de prazos e metas. As antigas e estressantes reuniões podem ser agilizadas através do vídeo ou tele-conferências, onde todos podem participar ativamente sem a necessidade de estar presentes no mesmo local, garantindo maior amplitude de ações e participação.
Nesta era digital, portanto, não devemos ter a falsa ilusão de que as pessoas estão mais distantes uma das outras. Que os relacionamentos não existem mais. Muito pelo contrário. Cada vez mais os homens tem se comunicado e interagido com seus semelhantes. Afinal, não podemos negar nossa essência, visto que para a Psicologia Social o homem é um ser social que vive em comunidade. Sendo assim, através destes novos recursos de comunicação, estamos permanentemente em contato com o mundo, quiçá, futuramente, com outros mundos também....
Quer mais relacionamento pessoal que isso???


Rogerio Martins é Psicólogo, Professor Universitário, Consultor e Palestrante sobre comportamento e motivação humana e Diretor da Persona Consultoria & Eventos.
Contato: telefone (11) 6978 4354 ou no site www.personaonline.com.br

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