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A questão populacional

Em menos de 200 anos (1830/2001), a população mundial multiplicou-se por 6 e chegou a 6,1 bilhões. Até 2050 serão pelo menos 8,5 bilhões. Hoje, mais de 800 milhões de pessoas sofrem com fome todos os dias, entre elas 300 milhões de crianças. Morrem, por isso, 24 mil pessoas/dia. Cerca de 1,3 bilhão de pessoas vivem com menos de 1 dólar por dia. Quase 3 bilhões com menos de 2 dólares (R$ 6/dia ou R$ 180/mês). Relatórios do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, Academia Nacional de Ciências dos EUA e WWF afirmam que o consumo de recursos já está mais de 20% além da capacidade de reposição da biosfera e o déficit aumenta cerca de 2,5% ao ano. Segundo o secretário-geral da ONU, Kofi Anan, quase 60% da produção, do consumo e da renda se concentram nos países industrializados, com menos de 20% da população. De acordo com o primeiro-ministro da Dinamarca (em Johannesburg), já são cerca de 80%. Para o Relatório do Desenvolvimento Humano (PNUD, 1998), são 86%. No mesmo relatório, as 3 pessoas mais ricas do mundo detêm, juntas, ativos equivalentes ao PIB dos 48 países mais pobres, onde vivem 600 milhões de pessoas. As 258 pessoas com ativos superiores a US$1 bilhão cada detêm, juntas, o equivalente à renda anual de 45% da humanidade (2,7 bilhões de pessoas). Já são utilizados 13,7 bilhões de hectares para suprir as necessidades de carnes, grãos e derivados, pescado, água e energia. A disponibilidade efetiva é de 11,4 bilhões de hectares, ou 1,9 hectare por pessoa (contra uso efetivo de 2,3 hectares por pessoa). 47% da área terrestre já estão ocupados; na agricultura, 28%. A utilização varia por regiões e países: 9,6 hectares/pessoa nos EUA, 5 na Europa, 1,4 na Ásia e África. No Brasil, 2,38 hectares/pessoa. (NOVAES, 2003). Um quadro preocupante quando se vislumbra a crescente necessidade de manter em condições mínimas de sobrevivência a população nos países em desenvolvimento. Se o padrão de utilização/consumo dos países industrializados fosse estendido a todos os habitantes da Terra, seriam necessários mais dois planetas. Em nada sendo feito, por enquanto estamos a cada ano extraindo mais de 10 bilhões de toneladas de materiais (recursos naturais) para alimentar a economia global. Se todos os habitantes do planeta tivessem o mesmo nível de consumo dos países industrializados, esse número teria de se multiplicar por 6 mas não haveria recursos naturais suficientes. Felizmente, o crescimento populacional tende a arrefecer na medida em que aumenta a renda per capita, prevalecendo a teoria neoclássica de planejamento familiar, ou seja, à proporção que os casais passam a ter maiores níveis de renda, principalmente nos casos em que a mulher trabalha fora, torna-se cada vez mais custoso ter um filho. Quando os casais têm baixa renda ocorre o contrário, acreditam que os custos são mínimos e que os benefícios de terem um novo filho é grande, principalmente como geradores de renda no futuro e como seguro velhice. (Ribemboim, 1997). Fica claro que em economias menos desenvolvidas, segundo essa teoria, as taxas de crescimento populacionais são mais elevadas. Podendo, um novo nascimento, ser considerado como redução no estoque per capita recurso naturais. No século 20, o consumo total de água multiplicou-se por mais de 5, passou de 700 quilômetros cúbicos por ano para 3.940 km3. 40% da população do planeta já sofrem com estresse hídrico, segundo a ONU. E podem chegar a 60% da população total em 2025. Em 1990, segundo a ONU, 28 países com 335 milhões de habitantes sofriam com estresse hídrico. Em 2025 serão entre 46 e 52, com 2,8 a 3,3 bilhões de pessoas. Mais de 1,1 bilhão de pessoas não têm hoje acesso a água adequada. Quase 2,5 bilhões não dispõem de saneamento básico. A cada dia morrem 6 mil crianças por doenças veiculadas pela água. (NOVAES, 2003). A urbanização tem provocado efeitos altamente negativos na qualidade de vida de inúmeras comunidades e um aumento intensivo na utilização de energia e do consumo de combustíveis fósseis. Além disso, as grandes metrópoles dos países em desenvolvimento merecem especial atenção, pois as populações acabam ocupando áreas não recomendadas para assentamento urbano. Seu crescimento desordenado cria bolsões de pobreza e miséria causando impacto negativo sobre o meio ambiente. Se a escassez de recursos e serviços naturais é o centro da discussão das políticas globais hoje, essa questão forçosamente merece atenção no estabelecimento de estratégias de políticas relevando a questão populacional. Qualquer que seja o enfoque dado, o tema da dinâmica populacional não pode ficar de fora das políticas nacionais e está estreitamente relacionado com desenvolvimento sustentável. segundo Ribemboim (1997). Conclusão A viabilidade de uma inserção competente do Brasil no disputado cenário da irreversível economia globalizada implica na conscientização do setor produtivo quanto a uma substancial mudança nos processos de transformação, pela incorporação de práticas de produção mais limpa e pela sociedade incorporando práticas de consumo que levem em consideração os impactos à natureza. Parece consenso que a pretensão de sucesso nas políticas de desenvolvimento sustentável depende de uma significativa modificação nos processos de formulação e gestão das políticas públicas em geral. Há que se trabalhar cada vez mais em parceria, unindo empresas, organizações não-governamentais e governos. Se o Brasil e os demais países não revirem sua visão dos recursos e serviços naturais, se não construírem estratégias de parcerias adequadas para eles na atual situação de escassez no mundo, dificilmente reverterão suas dificuldades econômicas e sociais, certamente não eliminarão as injustiças no comércio internacional. E contribuirão para manter os atuais padrões insustentáveis de produção e consumo, a concentração de renda no mundo, as desigualdades sociais e os privilégios dos países mais ricos. Enfim, resta como desafio a promoção da melhoria da qualidade de vida das pessoas, conservando, ao mesmo tempo, os recursos naturais, em um mundo marcado pela crescente demanda de água, energia, alimentos, habitação, saneamento, entre outros imperativos. Referências RIBEMBOIM, Jacques. Mudando os Padrões de Produção e Consumo: textos para o século XXI. 1a ed. Brasília: Edições IBAMA, 1997. 147p. CEPAL. Energía y Desarrollo Sustentable en América Latina y el Caribe Guía para la formulación de políticas energéticas. Primera edición. Santiago de Chile: Publicación de las Naciones Unidas, 2003. 230p. LORENZETTI, Maria Sílvia Barros. A Rio+10 e os Governos Locais. Relatório Especial da Consultoria Legislativa da Câmara dos Deputados. Brasília: Câmara dos Deputados, 2002. 8p. NOVAES, Washington. II Simpósio Brasileiro de Engenharia Ambiental Palestra de Abertura. Itajaí: UNIVALI/CTTMar, 2003, 25p. ANA. Manual "Conservação e reuso de água", São Paulo: FIESP/ANA, 2005, 90p. AGENDA 21. Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento. Rio de Janeiro: ONU, 1992, 370p. IBGE. Indicadores de Desenvolvimento Sustentável Brasil 2004. Rio de Janeiro: IBGE, 2004, 4p. FBDS. Workshop As mudanças climáticas globais e as oportunidades para a indústria brasileira. São Paulo: FBDS/FINEP, 2001. 102p.
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