A quarta revolução
A quarta revolução

A quarta revolução

A oportunidade de ruptura na indústria

Nos anais da história, as inovações têm ocorrido quando novas tecnologias e novas formas de perceber o mundo desencadeiam uma alteração profunda na estrutura da sociedade e na economia.

O apontamento de um primeiro rudimento de mudança profunda é de 10.000 anos com o advento da domesticação dos animais pelos seres humanos, cuja força e poder de locomoção foi capaz de aumentar a produtividade, facilitar o transporte e, por conseguinte, ampliar o alcance da comunicação. Diante dessa inovação, surgiu uma série de revoluções industriais iniciadas, principalmente, na segunda metade do século XVIII. As mudanças foram marcadas pela transição da força muscular em energia mecânica, cujas inovações evoluíram-se até a atual quarta Revolução Industrial.

Assim, através da revisão dos relatos, evidencia-se que a primeira Revolução Industrial possa ter ocorrido entre 1760 e 1840. Desencadeada pela construção das ferrovias e pela criação da máquina a vapor, através dela iniciou-se a produção mecânica. A segunda Revolução Industrial (final do século XIX, início do século XX), iniciou-se através da descoberta da eletricidade e da linha de montagem com a produção em massa. A terceira Revolução Industrial (por volta de 1960), foi denominada de Revolução Digital por ter sido impulsionada pelo desenvolvimento dos semicondutores, da computação em mainframe (1960), da computação pessoal (1970) e da internet (1990).

Schwab (2016) nos relata que a partir de 2001 iniciou-se uma quarta Revolução Industrial caracterizada por uma internet mais onipresente e móvel; por setores menores, mais poderosos e baratos; pela inteligência artificial e pela aprendizagem da máquina. A quarta Revolução Industrial também diz respeito a aspectos mais amplos de novas descobertas em áreas que vão desde o sequenciamento genético até nanotecnologia, das energias renováveis à computação quântica. Sua singularidade está fundamentada na fusão dessas tecnologias e respectivas interações nos ambientes físicos, digitais e biológicos.

Essa transformação digital tem causado um grande impacto na forma de colaboração dos indivíduos e das instituições. A exemplo do blockchain, advento descrito muitas vezes como um livro razão distribuído, e também como um protocolo seguro no qual uma rede de computadores verifica de forma coletiva uma transação antes de registrá-la e aprová-la. A ideia que sustenta o blockchain gera confiança, pois permite indivíduos desconhecidos colaborarem entre si, sem necessitar de uma autoridade central ou ser o fiel depositário do livro de registros. Essa ferramenta fundamentalmente se propõe a ser um livro contábil, compartilhado, programável, seguro, confiável, não controlado por uma unidade central e, todavia, pode ser inspecionado por todos.

Possíveis implicações

Segundo Schwab (2018), a quarta revolução é muito mais que um choque tecnológico, é uma oportunidade de expor uma série de diálogos de forma a auxiliar toda uma sociedade. Esta revolução se estende aos líderes do setor de tecnologia, às autoridades políticas e aos cidadãos de todos os grupos de renda; nacionalidades e classes sociais, ou seja, pessoas com o propósito de entender e direcionar a maneira como essas tecnologias de grande potencial, emergentes e convergentes moldam o mundo contemporâneo.

A grande oportunidade da quarta Revolução Industrial é visualizar a tecnologia não apenas como algo além de uma simples ferramenta, mas sim como uma possibilidade de disponibilizar às pessoas um melhor espaço de crescimento e desenvolvimento, seja nas organizações, nas famílias e nas comunidades.

Um primeiro embate seria como garantir a disponibilidade de vantagens, de forma equitativa, desta atual revolução, já que a riqueza e o bem-estar gerados pelas revoluções anteriores foram e continuam a ser distribuídos de forma disfuncional.

O segundo choque é saber administrar as externalidades diante dos riscos e danos gerados por essa disruptiva revolução. Por outro lado, como ser capaz de proteger as pessoas mais frágeis de eventual sofrimento e os respectivos impactos da má utilização nas próximas gerações são temas importantes a serem discutidos.

O terceiro ponto a ser enfrentado é como assegurar que essa importante revolução seja pautada por pessoas e para as pessoas. Os valores individuais devem ser respeitados, e não apenas restritos a dados estatísticos. Esta revolução deve responsabilizar os indivíduos e tornar as pessoas agentes com capacidade de realizar ações significativas que visem contribuir para o desenvolvimento econômico, o progresso e a melhoria da vida das pessoas.

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