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A preparação do empreendedor

O capítulo IV do livro “O Segredo de Luísa” aborda toda a elaboração do Plano de Negócios das Goiabadas Maria Amália LTDA (GMA). O Business Plan é importante para direcionar a abertura da empresa, mas ele não é tudo. Há outros fatores que precisam ser considerados pelo empreendedor.

O capítulo IV do livro “O Segredo de Luísa” aborda toda a elaboração do Plano de Negócios das Goiabadas Maria Amália LTDA (GMA). O Business Plan é importante para direcionar a abertura da empresa, mas ele não é tudo. Há outros fatores que precisam ser considerados pelo empreendedor.

Um cuidado que deve ser tomado quando se vai abrir uma empresa é a escolha de um sócio, já que o começo daquela é difícil e toda ajuda é sempre bem-vinda. Um sócio pode ser bom porque tem capital para agregar, dá mais segurança à empresa nascente e até mesmo por ser a mão-de-obra mais barata naquele momento. Um grupo sempre é mais forte que um indivíduo sozinho. Mas é preciso muito critério para escolher um sócio, pois pode ser necessário que se deva passar mais tempo com ele do que com o cônjuge, por exemplo. O sócio deve ter formação semelhante ao do empreendedor, ou seja, nível educacional semelhante. Também deve ter confiança um no outro, e a falta dela pode resultar em dissolução da sociedade, pois não há sentido em partilhar um patrimônio, um sonho com alguém em que não se confia. Os sócios também devem ter um padrão de vida e ambições de renda semelhantes e aceitar as virtudes e os defeitos um do(s) outro(s). devem partilhar de mesmas visões (mesmo sonho) e valores (forma de tratar os empregados, os clientes, ética, honestidade, etc). É essencial também que as habilidades e perfis dos sócios sejam diferentes, mas de forma que se complementem, por exemplo, um que goste de vendas, outro que goste de finanças, etc, evitando que todos estivessem em uma mesma função. Os sócios devem se preocupar com o contrato social da empresa, devendo também conter cláusulas de saída da sociedade, prevendo como o negócio será desfeito, as condições de saída, a parte de cada sócio, etc. E por último, é fundamental que entre os sócios haja muita comunicação, trocando informações, abordar principalmente os temas mais conflitantes.


Cada vez mais mulheres estão se tornando empreendedoras empresárias, embora enfrentem a grande carga tributária, a falta de capital de giro e alta taxa de juros, além de que a atividade empresarial interfira bem mais no ambiente familiar, nos aspectos de organização administrativa da casa e na educação dos filhos. Geralmente a faixa etária predominante é de menos de 39 anos, tendo a experiência adquirida com alguém da família que tinha um negócio semelhante ao seu. Assim como Luísa, elas abrem um negócio porque identificaram uma oportunidade e cada vez mais recorrem a algum tipo de financiamento, principalmente o do Banco do Brasil. Segundo uma pesquisa, as mulheres se interessam mais por marketing, qualidade e produtividade, crédito e financiamento, informática na empresa e qualidade de vida, bem-estar e convivência na empresa. Todos, quando decidem abrir uma empresa (e não é diferente com as mulheres), sentem que há uma mudança na vida pessoal, assim como Luísa, já que dedicam mais tempo, energia para o planejamento de seu negócio. A vida afetiva muda radicalmente e ninguém fica mais o mesmo.

Em vista de um crescente número de empresas que fecham suas portas em menos de três anos, há diversas instituições que têm feito esforços para dar apoio na implementação de um negócio, como universidades, entidades governamentais, grupos comunitários e iniciativa privada. Um desses esforços é a Incubadora de Empresas, cujo objetivo é a produção de empresas financeiramente viáveis e adaptadas ao mercado. O suporte dados pelas Incubadoras de Empresas consiste em oferecer às empresas incubadas assessoria na gestão técnica e empresarial, laboratórios, telefone, fax, xerox, correio, aluguel da área física e outros serviços, geralmente por um período de 2 anos, ou seja, uma infra-estrutura necessária para o seu desenvolvimento. Além disso, oferecem-se consultorias e as empresas fazem cursos nas mais diversas áreas. A Incubadora de Empresas com certeza ajuda na preparação do empreendedor para a sua entrada no mercado, ajudando a transformar o sonho deste em realidade.

Outro apoio que pode fazer parte da preparação do empreendedor para o nascimento de sua empresa é o Clube de Empreendedores, cuja função é fazer com que as empresas se ajudem mutuamente, com a troca de informações e de conhecimentos entre si no que se refere ao “empresariamento” (planejamento, finanças, pessoal, marketing, propaganda, embalagem, etc.). O domínio do conhecimento técnico é importante, mas o empresariamento também deve ser considerado para a sobrevivência da empresa, uma vez que este conhecimento representa de 85% a 95% dela. E nada melhor que outros empresários que também conhecem a realidade que envolve um negócio para passar seus conhecimentos, informações e experiências para outro empresário. Os Clubes de Empreendedores têm se mostrado ser forte instrumento de apoio ao crescimento de desenvolvimento de empresas, já que visa à obtenção de consultoria a custos acessíveis, e os empresários podem aprender com seus pares e que sua união poderá atrair especialistas interessados em interagir com o grupo.

Sabendo-se que o empreendedor é um agente de mudanças, há instrumentos que o preparam para a sua inserção no mercado. Em virtude do alto número de empresas que se extinguem logo nos primeiros anos de vida, o empreendedor deve se beneficiar dos meios que fortalecem sua empresa, através de planejamento e preparo na sua implantação. Preparando empresas, estar-se-á melhorando as condições econômicas do ambiente em que o empreendedor está inserido.

Mas de nada adianta escolher criteriosamente o sócio e de ter o apoio de Incubadoras de Empresas e do Clube de Empreendedores se o empreendedor não tiver o senso de compromisso social, comprometendo-se com o ambiente em todos os seus aspectos: cidadania, ética, economia, justiça social, ecologia. Através da preocupação com a sociedade e o ambiente, estará contribuindo com a economia, e com essas ações, o empreendedor criará condições para o seu próprio desenvolvimento como cidadão e empreendedor.

Mirela Sousa é graduada em Administração com habilitação em Comércio Exterior da Faculdade Integrada do Ceará - FIC.
mirelasousa@bol.com.br

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