A organização da jararaca

Se a sua organização é movida por valores éticos e morais que estão estampados nos dizeres de Missão, Visão e Valores; faça-os valer para que a sua organização não se torne uma jararaca.

A organização da jararaca é aquela em que se lambuza com e pelo poder. O ex-presidente Lula foi o formulador deste conceito, quando sofreu condução coercitiva da Polícia Federal para prestar depoimentos referentes à operação Lavajato. O seu partido que antes de subir ao poder pregava o compromisso ético e moral, e alimentou a esperança nos corações dos brasileiros, hoje, está nas manchetes policiais e jornalísticas envolvidos até o “pescoço” em escândalos de corrupção e lavagem.

O título do artigo é bem sugestivo, e informo ao leitor que assim como o Partido dos Trabalhadores muitas organizações acabam lambuzando-se com o status e o poder que lhes foram atribuídas. Empresas que foram criadas numa garagem tornaram-se com o passar das décadas multimilionárias com as suas ações em bolsas de valores. O caso da Volkswagen é um exemplo de uma organização jararaca. Hoje, a companhia está correndo contra o tempo para redefinir a sua imagem no mercado americano após o escândalo de emissões de gases (fraudes em teste de diesel, e emissões de gás dos veículos).

Maquiavel já ensinava há tempos atrás que o poder corrompe. Assim como na política o mercado empresarial acaba se corrompendo também. Não se engane leitor, a maioria da corrupção aparece nos escalões estratégicos da organização (CEO, diretores, gerentes), e depois, vai para o operacional, ou vice-versa. A ganância por números e os altos valores nas contas bancárias dos executivos deixa-os em situações constrangedoras frente aos stakeholders da empresa (quando o escândalo é descoberto). Numa grande corporação, os resultados e a repercussão são bem maiores.

Outro fator desses grandes escândalos é a: ganância. Não aquela ganância descrita no livro “A Riqueza das Nações” de Adam Smith em que o indivíduo por si só cria um negócio e favorece toda a sociedade, ou seja, o “individualismo ganancioso” para a construção de um projeto comercial (empresa) acaba empregando outras pessoas para darem continuidade ao crescimento do empreendimento. Retomando, a ganância das organizações jararacas está na vontade dos seus executivos possuírem mais e mais dinheiro independentemente dos meios a serem alcançados (seja roubo, fraude, assalto etc.).

De maneira geral, a corrupção corrói todo o sistema organizacional e acontece com pequenas atitudes que acabam permeando toda a organização. É necessário pensar nas implicações dessas atitudes, e os resultados em longo prazo que elas poderão trazer. Os danos à imagem da empresa são quase “irreversíveis”. Um exemplo típico no campo de auditoria é o caso da Enron. No Brasil, a Samarco Mineração aparece em 1º lugar gastando uma verba peculiar para fazer propagandas na TV e dizer que “todos os colaboradores” estão envolvidos para resolver o desastre ambiental que ocasionou a morte de 17 pessoas na cidade de Mariana em BH.

Se a sua organização é movida por valores éticos e morais que estão estampados nos dizeres de Missão, Visão e Valores; faça-os valer para que a sua organização não se torne uma jararaca.

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