A Mudança de Paradigma

Para melhor compreensão sobre o assunto precisamos, primeiramente, rever alguns conceitos fundamentais e básicos à visão sistêmica e crítica sobre a Organização, seus processos e o ambiente no qual ela se insere. A tomada de decisão exige ponderar-se, no mínimo dois cenários: favorável e desfavorável. Se todos os fatores apresentarem-se favoráveis qual a estratégia e quais as ações a serem implementadas? Porém, se tais fatores manifestarem-se desfavoráveis o que fazer, quem, quando e como agir? Os fatores que subsidiam a tomada de decisão podem apresentar-se de duas formas, quais sejam: como oportunidade ou ameaça. Considerando-se a denotação destas palavras diga-me, então, que oportunidade é toda a circunstância favorável, adequada, ideal, conveniente e que a ameaça assusta, amedronta, acovarda, intimida e atemoriza. Trazendo-as a uma conotação organizacional, podemos ver as oportunidades como fatores ambientais internos ou externos à Organização que favorecem a manutenção ou elevação dos seus atuais níveis de resultado. As ameaças, por sua vez, prejudicam, dificultam e põem em risco os projetos e objetivos organizacionais. Relativamente, as ameaças podem ser percebidas como oportunidades, numa ótica otimista, bem como as oportunidades como ameaças, numa ótica pessimista. Para os técnicos imbuídos de analisar as perspectivas do aço no Pós-Guerra, os fatores ponderados não favoreciam a elevação da sua produção. Já os industriais encerravam-se na certeza de que: O aço é, necessariamente, o material industrial básico de uma sociedade moderna. Assim resistiam à mudança deste paradigma , por parecer impossível aos que estão no processo, fundamentando-se na seguinte premissa: Quaisquer estudos que não demonstrem aumento da demanda era visto como falta de senso acadêmico. Por esse exemplo podemos abstrair mais dois conceitos: o de paradigma -modelo tido como único e imutável e o de premissa - proposições que encerram conclusões. As restrições são fatores condicionantes e limitadores de um processo ou produto tornando-os vulneráveis às inovações que as amenizem ou as eliminem. O processo de fabricação do aço, no período do Pós-Guerra, por exemplo, era por demais oneroso, envolvia a elevação e redução da temperatura por três vezes, o transporte do seu peso por longas distâncias e o seu difícil manuseio eram fatores restritivos que reclamavam tratamento e vulneravam o seu processo de fabricação. Iniciou-se, então, a revisão do processo de produção introduzindo-se pequenos melhoramentos e modificações com foco nas inovações básicas incorrendo em mudanças tecnológicas fundamentais como a fundição contínua e o conversor de alta oxigenação que proporcionaram melhor aproveitamento da utilização do calor, a otimização da velocidade de produção e a redução dos custos com a movimentação. Àquela época já se percebia uma tendência aos substitutivos do aço: plásticos, concreto, alumínio e vidro, revelando-se uma ameaça que recomendava cautela na expansão da capacidade de produção daquele produto. Resistindo o paradigma do aço como produto básico de uma sociedade moderna, expandiu-se sua produção ultrapassando a demanda, acarretado o retorno inadequado dos investimentos de expansão e a conseqüente crise da, então, União Soviética que se estendeu aos Estados Unidos. Dos ensinamentos de Peter Drucker podemos abstrair algumas premissas: - O potencial mais promissor está nas restrições embutidas em um negócio. - O potencial de uma empresa é sempre maior que a sua atualidade realizada. - Os perigos e fraquezas revelam o potencial para negócios. - A conversão de problemas em oportunidades traz retornos extraordinários. - Tudo o que se precisa para a transformação é uma mudança na atitude dos executivos. Portanto, podemos concluir que a mudança de paradigma fundamenta-se invariavelmente em buscar-se as restrições no processo, na economia da organização, na economia de mercado e convertê-las em oportunidades. As vulnerabilidades e restrições devem ser conhecidas e determinadas. Quando isto acontece viabiliza-se o desenvolvimento das inovações sistemáticas necessárias à superação das restrições proporcionando resultados econômicos substanciais. Quais são as restrições e limitações que tornam a empresa vulnerável, impedem a sua plena eficácia e reduzem seus resultados econômicos? Quais são os desequilíbrios da empresa? De que temos medo? O que vemos como ameaça a esta empresa e como podemos usar isto como oportunidade? A busca das respostas a estas questões certamente nos levarão de encontro à vantagem competitiva.
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