A missão da Análise de Crédito para a administração de contas a receber

Em tempos modernos e voltado a grande instabilidade do mercado como um todo, garantir as entradas de caixa (contas a receber) é uma grande necessidade. Para garantir um maior rendimento e minimizar as perdas, antes de vender e conceder crédito a alguém se deve levar e conta alguns pontos importantes e realizar uma análise de crédito individual a cada cliente

Quando falamos em Contas a receber literalmente nos vêm em mente às entradas de caixa em uma determinada empresa, devidos pelos clientes. A administração financeira, para esse caráter tem um grande desafio e procedimentos desde o primeiro contato do cliente com a empresa, concessão de crédito, vendas, contratos, até começar a receber do cliente a primeira parcela devida por este. Mas não basta apenas pensar nisso. Antes de disponibilizar algum produto (um ativo) a alguém, nos dias de hoje, as empresas devem estabelecer políticas de crédito, para que futuramente não sofram maiores prejuízos.

Inicialmente, temos que ter em mente que, segundo Hoji (2012, p.126) o qual nos define que “as contas a receber são geradas pelas vendas a prazo, que são feitas após a concessão de crédito. As vendas a prazo geram riscos de inadimplência e despesas com análise de crédito, cobrança e recebimento, mas alavancam as vendas, isto é, aumentam o volume de vendas e, consequentemente, o lucro”. Como sabemos, as vendas que as empresas realizam a prazo, são condições não só para aumentar as vendas, mas sim, dar um maior giro de estoques, ganhar escala e maximizar a rentabilidade desses ativos.

Antes de se vender algo, segundo Hoji (2012, p.127) deve-se “efetivar uma análise minuciosa e criteriosa de seus dados cadastrais. Venda a prazo efetuada sem os devidos cuidados tem grande possibilidade de se tornar um “valor não recebível”. As empresas devem definir não só uma boa política de análise e concessão de crédito, políticas de cobranças, mas sim estratégias adequadas para captar os clientes certos (denominados clientes potenciais), que estes sejam fiéis e que possam honrar seus compromissos.

De forma geral, o “contas a receber” de uma empresa tem uma missão muito grandiosa, pois parte dos recebimentos da empresa depende deste. Não basta apenas vender, vender e vender, se os clientes não possuem capacidades financeiras para pagamento de suas obrigações. Como sabemos o número de inadimplentes hoje no mercado é muito grande e, para quem possui a missão de vender e obter lucros e rendimentos sobre estas vendas, a missão é redobrada.

As informações financeiras para concessão de crédito a um cliente não deve apenas ser buscada na primeira venda, mas em todas. A facilidade de realizar consultas atualizadas no mercado para ver, de certa forma, se o cliente é um bom pagador ou não, foi facilitada nos últimos anos. Essas informações financeiras podem ser buscadas através do intermédio de entidades como o SPC – Serviço de Proteção a o Crédito e SERASA – Centralização de Serviços Bancários S.A. Hoji (2012, p.127) ainda salienta que “existem condições em que a empresa deve avaliar simultaneamente o risco comercial e o risco financeiro do cliente”.

A análise de crédito pode ser feita com base em uma técnica do 5 C’s, a qual refere-se aos aspectos de caráter, capacidade, capita, colateral e condições e todos estes devem ser analisados em conjunto.

Segundo definições e conceitos de Hoji (2012, p.127 a 129), são eles:

Caráter: é o item mais importante da análise de crédito. A avaliação da cultura da empresa e do caráter de seus administradores, apesar do alto grau de subjetividade, por se referir de aspectos morais e éticos, é muito importante, porque vai depender da sua integridade ética (honestidade) para saldar compromissos financeiros. Mediante diversos levantamentos de dados realizados sobre o cliente no mercado, se o caráter deste não for aceitável, outros itens da análise ficam bastante prejudicados.

Capacidade: A firme determinação de pagar (caráter) não terá validade se o cliente não tiver capacidade de saldar seus compromissos financeiros. O potencial de o cliente saldar os compromissos financeiros pode ser obtido através da análise das demonstrações financeiras e informações financeiras adicionais, em instituições como o Serasa.

Capital: A análise da estrutura econômica financeira evidencia o nível de solidez financeira da empresa. Os índices de liquidez obtidos por métodos tradicionais não significam, necessariamente, que a empresa terá a capacidade de repagamento, se continuar com as atividades, pois o capital investido em giro deve ser considerado como capital fixo e não como capital circulante. A análise da necessidade liquida do capital de giro evidencia, com bastante clareza, quanto a empresa precisa de capital para financiar suas operações. Daí, é possível avaliar se a empresa terá capacidade de expandir suas atividades, considerando-se as possíveis fontes de recursos de longo prazo.

Collateral: É uma palavra oriunda do Inglês que significa garantia. O Collateral é utilizado para contrabalançar ou reforçar a fragilidade de mais um C dos outros quatro itens. Pode ser representado por ativos tangíveis, ou ativos financeiros, desde que cubram o período de crédito concedido. Pode ser dado por meio de hipoteca, finança pessoal prestada por proprietário de imóvel, fiança bancária, seguro-garantia, etc.

Condições: As condições atuais e cenários econômicos em que a empresa estará inserida devem ser avaliados em conjunto com o ramo de atividade em que ela atua. As condições gerais dos negócios das partes envolvidas devem levar em consideração a existência de reciprocidades, consideradas as limitações de cada parte, quando a empresa compra da empresa para a qual vende.

A análise de crédito influencia diretamente nas decisões futuras e na política de crédito adotada pela empresa, onde pode ser a prazo de crédito, seleção de clientes e limite de crédito. Um cuidado em que as empresas devem possuir é saber balancear na dose certa, de acordo com cada perfil de cliente a política utilizada. Hoji (2012, p.129) explica que “uma política de crédito liberal aumenta o volume de vendas muito mais que uma política rígida, porém gera mais investimento em contas a receber e mais problemas de recebimento, o que exige maior rigidez na cobrança”.

Com esses conceitos citados acima de acordo com o autor, podemos verificar que fazer uma análise e crédito não é tão simples assim. Por ter sua extrema importância, principalmente em tempos de crise em que vivemos hoje, ela é necessária para o bom andamento das finanças, para a garantia de que esses ativos sejam recebidos futuramente, que a empresa possua capital para giro e aumentar posteriormente seu lucro de forma saudável. Ainda espera-se no mercado que novas ferramentas sejam criadas para que, esse tipo de análise seja realizada com mais eficiência e eficácia, garantindo assim uma maior evolução do sistema e maior agilidade nos processos internos em cada organização.

Referência Bibliográfica utilizada:
HOJI, Masakazu. Administração financeira e orçamentária: matemática financeira e aplicada, estratégias financeiras, orçamento empresarial – 10. ed. – São Paulo: Atlas, 2012.

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