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A influência da velocidade da informação na depressão
A influência da velocidade da informação na depressão

A influência da velocidade da informação na depressão

A era digital trouxe à sociedade em tempo integral e o acesso a muitas informações

É fato que a tecnologia mudou nosso modo de viver, e ainda há um conceito que de forma geral os recursos tecnológicos só trazem benefícios. Como já citei em artigos anteriores, quando conhecimentos científicos trazem algum malefício, o problema foi a maneira utilizada.

Há ainda uma falta de esclarecimento sobre o que é tecnologia. Por definição, é a teoria geral e/ou estudo sistemático sobre técnicas, processos, métodos, meios e instrumentos de um ou mais ofícios ou domínios da atividade humana ou ainda aplicação dos conhecimentos científicos à produção em geral.

Por esta falta de clareza, muitas vezes tecnologia se reduz à internet, e como recurso tecnológico, esta rede mundial de computadores acelerou a velocidade da informação demasiadamente.

Apesar da internet ter chego ao Brasil em 1988, somente em 1996 passou a ter provedores próprios inaugurados por fornecedores comerciais, iniciando assim o desenvolvimento desta rede de telecomunicações, que só se popularizou nos anos 2.000.

Por isso, até então, a informação disseminava-se pelos meios de comunicação existentes regulados pela censura: rádio, televisão e mídia impressa.

Quem se lembra ou já escutou falar do jornal "Notícias populares"? Foi um periódico acessível, conhecido por suas manchetes sensacionalistas sobre violência e sexo. Em paralelo, na televisão, alguns programas concentravam seu conteúdo também em acontecimentos violentos.

Devido ao aumento dos transtornos psíquicos, muito se tem discutido sobre saúde mental. Analisando historicamente este avanço numérico nas estatísticas, o mal do século XX que foi uma doença física, a tuberculose, transformou-se no atual século XXI em uma patologia mental, a depressão. Este acontecimento revela uma mudança comportamental de como estamos modificando nossa maneira de viver.

A era digital trouxe à sociedade em tempo integral, o acesso a muitas informações, e então se não criarmos um contexto de como, quando e o que acessamos na rede, perdemos o foco, já que a internet oferece conteúdos não regulados pela censura; e mesmo a matéria não violenta explicitamente, trás a sensação que fatos ruins acontecem com mais frequência do que antigamente.

Segundo a revista Galileu*, um novo estudo, sendo o primeiro sobre esse assunto, afirma que quanto mais notícias desagradáveis uma pessoa lê ou vê, maior a possibilidade dela ficar triste e preocupada, e ainda continuar consumindo mais reportagens negativas. Através dos resultados desta investigação, que foi realizada nos Estados Unidos, pesquisadores concluíram que acompanhar informes ruins é normal e não causa problemas, desde que não seja de forma exagerada. A equipe que fez o estudo, enfatiza que essa busca obsessiva por fatos trágicos, é conseqüência da curiosidade humana e de alguma forma também instinto de sobrevivência já que se procura saber o que fazer para ficar seguro.

Além de sites de existência duvidosa que trazem fotos e vídeos chocantes de acidentes e assassinatos, a sensação de medo pode ser agravado simplesmente pela divulgação, em sites oficiais, de muitos acontecimentos violentos reais ao redor do mundo.

Ademais os anúncios verdadeiros, ainda enfrentamos constantemente as “fake news”, ou seja, inverdades que se espalham rapidamente de maneira assustadora. Por isso é importante o discernimento na interpretação do fato, a validação das informações que recebemos e a responsabilidade em repassá-las, procedimentos que muitas vezes não fazemos pois atropelamos a calma neste mundo tão imediatista.

Se não tivermos o controle ideal quando estamos com o dedo no "OK", ficamos horas e horas à toa navegando na rede, seja para lazer, formação ou simplesmente para pesquisa. Uma das buscas muito habituais é ao “Doutor Google” sobre sintomas, para então tirar conclusões sobre qual é o diagnóstico, possíveis medicamentos, tratamentos e a pior consequência desta navegação: a preocupação baseada no “achismo”.

Já escutamos também que a internet revelou o lado mais perverso do ser humano. A disseminação de imagens e conteúdos desnecessários ou simplesmente comentários e mensagens ofensivas tem feito muitas pessoas, que passaram por situações traumatizantes ou não, se desconectarem ou reduzirem o acesso às redes. Há uma necessidade urgente de entender que é essencial ultrapassar as fronteiras da informação, porém é preciso também romper as barreiras do preconceito.

A formação humana no universo educacional e corporativo tem tido um destaque nos debates sobre desenvolvimento de competências, já que atualmente a inteligência emocional é uma aptidão necessária para proporcionar estabilidade nesta realidade tão tecnológica. Enfatizo que é uma questão de dar o tom humano à tecnologia e não de extingui-la. É a constância entre razão e emoção, e como resultado um ser humano saudável mentalmente.

E afinal, como evitamos que nossa mente se deprima frente a este bombardeio de informações? Como cito em meus artigos, a resposta é: equilíbrio. Quanto à mídia oficial em geral, sugiro ater-se à realidade dos acontecimentos, ponderação, ética, respeito e imparcialidade Quanto aos meios irregulares de divulgação, a fiscalização efetiva é a solução, mas enquanto não temos este resultado na integralidade, o controle está em nossas mãos, e por isso a diversidade em nossas atividades cotidianas e a maturidade com que acessamos essas informações são fatores determinantes para nossa saúde mental.

*Revista Galileu de 26/04/2019 “Ver muitas notícias ruins pode te levar a ciclo de tristeza, afirma estudo”

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