A importância do uso de técnicas para empreender
A importância do uso de técnicas para empreender

A importância do uso de técnicas para empreender

Ter uma boa ideia é fundamental para empreender. Porém, tornar esta ideia em ideia tecnicamente viável é o grande desafio para o empreendedor

Ser empreendedor é um grande desafio. Encontram-se várias definições sobre empreendedorismo onde as características pessoais muitas vezes se sobressaem às características do negócio. Obviamente que para ser empreendedor a pessoa precisa ter um sonho e ter um plano que poderá conduzir o sonho à realidade. Aurélio, em seu dicionário, define empreender como: “deliberar-se a praticar, propor-se, tentar (empresa laboriosa e difícil), pôr em execução.”. Tornar projetos realidade é o que diferencia o empreendedor de apenas um sonhador.

Criar o futuro é estar bem preparado para enfrentar os desafios sejam pessoais ou profissionais. Por isso, temas como gestão, comportamento, planejamento dos negócios, decisões estratégicas, estudos de viabilidade, implementação de mecanismos de controle e acompanhamento, entre outros, devem estar presentes nas práticas do empreendedor.

Características pessoais como liderança, inteligência emocional, autoconhecimento, ser proativo e conhecimento técnico são indispensáveis para o sucesso ou insucesso do empreendedor. As pessoas são os elementos principais e centrais em qualquer iniciativa empresarial. Estas características pessoais serão abordadas com maior profundidade em outro artigo.

A ideia de empreender ou a intenção empresarial é um campo complexo, em que a nova ordem mundial aponta para cenários de globalização exigindo novos padrões para a competitividade dos negócios. Sem dúvida, nos dias de hoje, houve um aumento de complexidade para criar um negócio. Desta forma, este artigo tem como objetivo principal abordar os principais pontos que o empreendedor deve observar ao empreender um novo negócio. As chances de sucesso são maiores quando o empreendedor estrutura um plano para levar à execução.

A intenção empresarial modernamente chama-se estratégia. Por isso, antes de se definir um investimento, ou um projeto, deve-se ter bem claro quais são as estratégias. Os parâmetros de um empreendimento podem ser definidos tecnicamente através de um planejamento. Planejar significa criar um esquema para fazer algo desejável. Detectar pontos fortes, pontos fracos e potencial do negócio significa analisar e conhecer os ambientes externo e interno. Improvisar ou agir ao acaso não é recomendável, pois pode demonstrar a falta de planejamento e de conhecimento dos ambientes de atuação. Elaborar cenários, ou seja, criar visões parciais do futuro é uma boa técnica para limitar o conjunto de circunstâncias que podem vir a ocorrer.

Neste contexto, o diagnóstico do sistema ou setor do empreendimento, descrição de uma situação atual, hipóteses de evolução, elaboração de cenários (pessimista, normal e otimista), análise da competitividade da empresa, uso de técnicas quantitativas, pesquisa de mercado, qualidade do produto e análise de sustentabilidade ambiental e econômica são fatores que o empreendedor não pode deixar de utilizar em seu planejamento. O sucesso do empreendimento estará ligado diretamente ao uso de metodologias que poderão identificar em que patamar de competição o empreendimento se colocará diante das exigências do mercado.

A inovação se refletirá na integração de todos esses aspectos e transformará o que muitas vezes é apenas uma ideia em uma ideia tecnicamente viável. De maneira geral, os elementos organizacionais definem um bom empreendimento e sua capacidade de gerar resultados financeiros quando dispostos claramente para sair de uma situação atual e chegar numa situação desejável, ou seja, chegar ao ponto da realidade imaginada no projeto de empreender. Para isso, definir a estratégia competitiva (baixo custo); a estratégia de produto/mercado (produção e comercialização); a estratégia de utilização dos meios (portfólio) e a estratégia de política de negócios e gestão (retorno do investimento e gestão de clientes) são critérios de decisão igualmente importantes para o empreendedor identificar os impactos de seu empreendimento.

Diante da complexidade já citada, que elementos são imprescindíveis na hora do empreendedor transformar sua ideia em prática?

Pode-se dividir em quatro grandes áreas de preparação para tornar a ideia em ideia tecnicamente viável:

1) Análises e providências prévias – fazer uma análise prévia de vários itens significa evitar aborrecimentos em fases seguintes do andamento do projeto.

a) Disponibilidade e permissão do local de funcionamento do empreendimento – verificar junto às secretarias municipais; verificar disponibilidade de energia elétrica para o local caso a empresa demande uma necessidade maior de energia; verificar junto aos bombeiros a documentação necessária;

b) Definição do CNPJ e inscrição estadual – verificar junto à Receita Federal e Fazenda Estadual procedimento para criação das inscrições;

c) Legalização do empreendimento – dependendo do ramo de negócio, identificar em qual secretaria ou ministério o mesmo se enquadra;

d) Enquadramento fiscal da empresa – através da Receita Federal é possível identificar e enquadrar a empresa dentro da seção (indústria, comércio ou serviços), divisão, grupo, classe e subclasse;

e) Identificar legislação do setor do negócio – conhecer as leis regulamentadoras sobre obrigatoriedade do registro, legalização do empreendimento, registro do estabelecimento, registro do produto (se for o caso), responsabilidade do produtor, equipamentos e instalações e legislação ambiental.

2) Arquitetura e estrutura – o projeto de adaptação ou reforma do imóvel, dimensionamento da planta de fabricação, se for indústria, ou da área de atendimento; se for comércio e serviços, orçamento e equalização dos equipamentos e utensílios, atenção e cuidados com o meio ambiente, principalmente no descarte de resíduos, não podem ser negligenciados pelo empreendedor.

3) Formação de preços, vendas, volume e crescimento – o desafio está em combinar as variáveis de marketing na intensidade certa e no tempo certo.

a) Preço - a equação da formação do preço, que é “ custo da mercadoria + custos diretos de venda + margem de contribuição", deverá ser arduamente trabalhada para garantir um cálculo correto;

b) Vendas e volume – de que forma será montado o setor de vendas; quais ferramentas de marketing serão usadas; saber exatamente a capacidade de produção para não faltarem nem sobrarem produtos;

c) Crescimento – qual fatia de mercado poderá ser conquistada; o produto cria necessidade de consumo ou é mais um entre similares; novas praças de distribuição podem ser agregadas.

4) Plano de Negócios – feitas as análises e providências prévias, deverá ser feito um estudo sobre estrutura e a projeção de preços, vendas, volume e crescimento. Deve-se colocar todas essas informações e agregando outras num documento chamado Plano de Negócios. O Plano de Negócios é um documento que especifica em linguagem escrita um negócio que se quer iniciar ou até mesmo um que já está em andamento. Ele reúne informações tabuladas e escritas de como o negócio deverá ser. Pode-se dizer que sua principal finalidade é estudar a viabilidade de uma ideia de um negócio. O Plano de Negócios pode ser adaptável ao tipo e tamanho do empreendimento que está em estudo, porém uma estrutura básica deve ser observada para garantir que o máximo possível de variáveis esteja sendo analisado.

É consenso entre as boas práticas administrativas que um Plano de Negócios cresce de importância para o empreendedor a fim de definir o que é um bom negócio. Um bom negócio pode ser analisado sob vários aspectos. Do ponto de vista econômico, o bom negócio é aquele que gera lucro e traga retorno sobre o investimento do empreendedor. Ressalte-se aqui que este aspecto é apenas o econômico. Então, porque ter um Plano de Negócios?

Várias razões engrandecem a importância de um Plano de Negócios. Entre elas estão:

1) Diminuir o grau de incerteza de um negócio;

2) Definir claramente objetivos e metas a serem alcançadas;

3) Estimar taxa e tempo de retorno do investimento;

4) Criar indicadores de desempenho para acompanhamento e controle;

5) Possibilitar a medição do previsto confrontado com o realizado;

6) Simular hipóteses de investimentos iniciais e de novos investimentos;

7) Gerar visão do por quê de se estar investindo naquele empreendimento;

8) Atrair possíveis financiadores e ou investidores;

9) Compreender melhor o negócio antes de tomar decisões;

10) Poder fazer comparações com outras modalidades de investimentos.

Por fim, este artigo não tem a pretensão de ser um manual de práticas, mas sim de chamar a atenção de empreendedores sobre a importância de transformar a ideia em ideia tecnicamente viável. Empreender requer talento mas também uso de técnicas que certamente ajudarão para que o empreendimento se torne de sucesso. Ter uma boa ideia é fundamental para empreender e saber usar as técnicas disponíveis é usar a razão em benefício da ideia.

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