A importância da Gestão Mercadológica em tempos de crise

O autor analisa os impactos da crise no mercado, apontando setores que não são afetados pela crise e reforça a importância da Gestão Mercadológica feita por profissionais da área para mitigar os riscos de mortalidade dos empreendimentos

A crise não mais se avizinha, nem é uma mera “marola”, como disse o ocupante anterior da cadeira presidencial. Ela está aí, afetando o mercado, aumentando o desemprego e reduzindo o poder de compra de uma boa parcela da população brasileira e mundial. E como é comum em momentos de crise, acaba-se criando um círculo vicioso, no qual temos a fórmula (menos emprego, menos renda, menor poder de compra e, consequentemente, vendas em queda, que acabam trazendo mais desemprego...).

Alguns efeitos, ou sintomas, estão efervescendo nas manchetes de jornais, revistas e na TV, como o rebaixamento da nota de investimento do Brasil de "BBB-" para "BB+", pela agência de classificação de risco Standard & Poor, o que significa retirar do País o chamado “grau de investimento”; a taxa de desemprego no Brasil, na casa dos 8%, quando já esteve a 5%; aumento na taxa de falências decretadas, comparando os anos de 2014 e 2015 no período de janeiro a abril; pátios de montadoras lotados de carros zero km; a cotação de Dólar e Euro em disparada galopante; entre outros. Esse looping, fazendo uma espiral negativa que agrava a crise pode ser quebrado com iniciativas e ideias inovadores, resultando em produtos e serviços que atendam a novas demandas.

A intenção não é ter um posicionamento político, embora seja perfeitamente saudável o acompanhamento dos acontecimentos por parte de todos os cidadãos. A ideia central abordada nesse texto é relembrar uma máxima mercadológica “Enquanto uns choram... outros vendem lenços”, título do livro de Maurício Werner.

O boom do empreendedorismo que vigorou na última década, até meados de 2014, fez emergir vários novos negócios, mas também cresceu no mesmo ritmo uma certa irresponsabilidade de novos empreendedores que apostavam suas fichas all-in, muitas das vezes em boas ideias, mas sem um plano de negócios e muito menos uma análise de marketing. Muitos autores, além do SEBRAE, atribuem a falência de jovens empresas à ausência dos estudos necessários de mercado, público-alvo, localização, concorrentes e até de conhecer o próprio negócio. Assim já dizia Sun Tzu, no clássico “A arte da guerra”.

Porém, a crise não traz apenas tristezas, pelo menos não para todos. Em momentos de crise surgem novas ideias, novas regras de mercado, e é nesse conturbado momento que Administradores e profissionais de Marketing levam vantagem pelo seu conhecimento técnico e pela análise criteriosa das inúmeras variáveis que podem impactar uma organização. Sejam novos empreendedores ou organizações centenárias, todos percebem a necessidade de planejamento estratégico, pelo natural estreitamento da margem de erro em momentos de crise.

Retornando à máxima mercadológica “Enquanto uns choram... outros vendem lenços”, podemos notar, em uma análise exploratória, que existem mercados que crescem, mesmo com a crise. São eles:

A área de games e jogos eletrônicos não para de criar novos títulos e ainda possui alta empregabilidade.

As oficinas de consertos de roupas, sapatos, panelas e eletrodomésticos registram maior procura. Em crise, as pessoas estão reaproveitando e aumentando a vida útil de vários utensílios. A sustentabilidade agradece.

Setor de flores naturais – o setor investiu em técnicas de reaproveitamento de água, conseguiu vencer a crise hídrica e resiste à crise da economia, com mais de 8 mil produtores no Brasil, empregando cerca de 215 mil pessoas. Segundo reportagem, os empregos não foram afetados.

http://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2015/09/reaproveitamento-de-agua-faz-setor-de-flores-superar-crise-hidrica-em-sp.html

Outro empreendimento atende uma necessidade de guardar documentos de outras empresas. Alguns documentos no Brasil precisam ser guardados por muito tempo, 1, 5, 20 ou até 35 anos, como é o caso das folhas de pagamentos e essa exigência da burocracia acaba virando uma oportunidade de negócio, pois as empresas não têm mais espaço para guardar tanto papel.

http://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2015/09/empresa-guarda-documentos-de-outras-empresas-no-pais.html

Em meio à crise, principalmente energética, emerge a empresa de produção de energia eólica, uma alternativa à matriz hídrica, que obteve um aumento expressivo nos últimos anos, gerando cerca de 40 mil empregos diretos e indiretos no Brasil. Por sua natureza sustentável, e pela necessidade de segurança energética, esse mercado tende a crescer exponencialmente nos próximos anos.

http://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2015/09/producao-de-energia-eolica-gera-milhares-de-empregos.html

O mercado de carros usados está em alta. Segundo várias fontes (o Jornal Estadão, O dia e os sites UOL e globo.com), os consumidores estão se esquivando dos carros zero km e reaquecendo o mercado de semiovos e usados, principalmente pelo custo-benefício de menor desvalorização em comparação aos modelos novos.

Até mesmo no impactado setor de carros novos, em um segmento, o de SUV’s, mantém as vendas elevadas, principalmente com o lançamento dos modelos HR-V da Honda (atual líder nesse segmento) e o Renegade da Jeep (que elevou em mais de 1400% as vendas da marca no Brasil). A Jeep não figurava nem entre as 20 marcas mais vendidas no Brasil em agosto de 2014, passando para 9ª posição em agosto de 2015, segundo a FENABRAVE – Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores.

Outros mercados, como o de beleza, de alimentação saudável, e de redução ou reaproveitamento de água (caixas de descargas mais eficientes) e energia elétrica (placas solares, lâmpadas econômicas...) também continuam em alta.

http://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2015/09/mercado-de-beleza-continua-crescer-no-brasil-mesmo-com-crise.html

E se você, caro leitor, perdeu o emprego por causa da crise e gostaria de montar um negócio, ou conhece alguém nessa situação, não aposte todas as suas fichas apenas na vontade, dinheiro e sorte, procure o apoio de um profissional especializado.

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