A imparcialidade gera união. Deixe o amor fora disso

Um texto com poder de mudar a qualidade da sua relação – se você praticá-lo

Você já deve ter ouvido dizer que quem está de fora da situação consegue ver melhor e por isso achar uma solução mais rápida e coerente. Isso acontece porque quem está fora do conflito não tem os sentimentos envolvidos, está imparcial, ou seja, não tem preferência por nenhum dos lados, consegue pensar racionalmente e com menos influência das emoções. Em uma situação de stress emocional, pensar racionalmente é crucial para a vida da relação amorosa que se quer manter.

Já dizia um amigo que entre o casal sempre há três versões dos fatos: a dele, a dela e a verdadeira. Eu ri muito quando ouvi a teoria dele, concordando veementemente. Se todos os casais escolhessem para si a versão verdadeira dos fatos, livre de parcialidade, todos viveriam no mundo encantado da felicidade com pôneis saltitantes.

Quando você escolhe para o seu relacionamento a versão verdadeira significa que você e seu parceiro(a) conseguiram se despir de suas verdades e não mais haverá disputas para mostrar qual verdade é melhor, mas haverá uma conversa madura e franca sobre as atitudes de cada um para o bem maior da relação. Nesse momento de imparcialidade vocês deixam de ser dois para se tornarem um. Não na anulação de suas individualidades, mas na união de sentimentos, de modo de pensar e agir; na realização de algo em comum, no entendimento do que é viver a dois.

A questão dinheiro e a incompatibilidade de sonhos são dois grandes vilões na vida conjugal. No momento da paixão: “eu moro com você até debaixo da ponte”, e depois, se briga pra ver quem vai pagar o pãozinho. Não sejamos hipócritas, ninguém vai querer fazer um sexo tórrido debaixo de uma ponte suja e fria (a não ser os masoquistas, mas isso já é uma outra história). Por isso, pense bem antes de falar, pense na força e significado que têm suas palavras, para que você não seja mal interpretado e, o que é pior, cobrado futuramente por uma escolha que você nem fez; mas olha só, você falou! Já sabemos que quem analisa sem influência das emoções acha soluções mais inteligentes, então, em questões do coração deve-se pensar com o cérebro, livre de parcialidades.

Toda vez que duas partes (comerciais) interessadas vão firmar um relacionamento importante elas declaram suas intenções em um contrato que dita obrigações e direitos de cada uma, para que não haja mal-entendidos futuros. E todo aquele que pretende “juntar os trapos” devia declarar previamente suas intenções, definir regras básicas de convivência, expor sonhos pessoais e esboçar sonhos enquanto casal.

Sabendo que todos somos mutáveis, não há como definir regras muito rígidas, mas conversar sobre o que te deixa feliz e irritado, deixando claro suas aspirações e limitações emocionais é muito importante se você pretende viver feliz “até que a morte os separe”.

Como os opostos se atraem, se não conversarem antes, vai chegar um momento em que perceberão que seus ideais diferem muito: um quer economizar para comprar uma casa na praia e o outro quer dar seu dinheiro aos pobres. Se esse momento chegar sem que tenham falado sobre disso antes (“porque o que importava era o amor”), verão que em todo esse tempo cada um esteve lutando individualmente em prol de seus interesses. Não houve comunicação, não houve interação. Quando perceberem que estão caminhando para lados totalmente opostos, a frustração será avassaladora e trará com ela a raiva, muita raiva. Neste cenário não há tesão que resista. Serão dias, meses de discussão, sem chegar a lugar algum.

A falta de comunicação prévia precede a ideia de que para se proteger o amor, não deve-se falar de questões que não são do coração. Porém, é exatamente o não conversar abertamente que traz a problemática para a relação. Depois que as verdades eclodiram, é preciso ser capaz de dar um passo atrás e ser imparcial, se despindo de suas próprias verdades e achando um denominador comum. Aceitando como uma verdade libertadora que é preciso ver fora de suas emoções ao invés de através delas, sem tomar partido de si mesmo, assumindo que só com a imparcialidade se gera união.

O sucesso ou não de um relacionamento está em quão neutro você consegue ser ao resolver um conflito e decidir o que é melhor para o casal e não para o benefício de apenas um. Saber discutir sobre os seus pontos de vista livre dos seus sentimentos faz com que você tenha a habilidade de entender o outro e fazê-lo entender a você.Nesse momento é possível conversar e achar uma solução.

Não se engane, o amor não é uma flor roxa, então não seja trouxa. Se você quer ter uma amor tórrido com direito a jogadas na parede (sua lagartixa!), não acredite que o amor vence tudo e suporta tudo, não o amor conjugal. Converse sobre dinheiro, interesses, sobre política, religião, sobre sexo (falem muito sobre sexo!), e o que mais quiserem conversar, até se entenderem e definirem seus papéis. Ao conversar, deixe o amor fora disso. Deixe o amor para o amor e preserve seu tesão, a relação não viverá sem ele! Antes de dizer que acompanhará o seu amor até debaixo da ponte deixe claro que você gosta mesmo é de um colchão macio para que nem ele(a) e nem você venham ficar desapontados e o amor comprometido. Nas questões que envolvem o coração pense com o cérebro e deixe o amor fora disso.

Publicado originalmente no Blog Quem Crescemos.

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