A história do dinheiro
A história do dinheiro

A história do dinheiro

Considerações sobre o uso histórico da moeda

Existe a ficção legal na qual afirma que o termo “dinheiro” pode-se distinguir sem incorrer em erros em relação a outros meios de troca. Todavia deve-se considerar que a mesma exista para facilitar o trabalho do advogado e do juiz. Entretanto, a medida que se torna necessário fazer referência a coisas que produzem os efeitos característicos a eventos ligados ao dinheiro sua utilização é no mínimo questionável.

Segundo Hayek (2011) seria mais útil explicar às pessoas que o dinheiro deveria ser melhor classificado como um qualificador e não como substantivo. Desse modo, seria mais fácil a compreensão dos fenômenos monetários, cujo termo descreveria melhor as propriedades distintas dos objetos em seus diversos graus. No caso, a expressão mais adequada seria “moeda corrente”, uma vez que os meios de troca podem seguir um curso sob graus distintos e em diferentes cidades e regiões.

Portanto, a concepção remota, principalmente aquela adotada pelos chineses, expressava o termo “dinheiro” como uma “mercadoria corrente”. Atualmente, para ser considerado “dinheiro” o objeto deve servir como meio de troca amplamente aceito, embora o mesmo deva preencher também as funções adicionais de ser uma unidade de cálculo, uma guarda de valor e um padrão de pagamento.

Competição entre moedas

Existe uma equivocada visão de que o suprimento monetário não deve sofrer influência competitiva, todavia raríssimas pessoas conseguem explicar o motivo de tal visão. Poderia haver supostamente diversas entidades emitindo a mesma moeda, de forma independente, mas isso seria certamente uma incoerência dos emissores. Logo, a questão a ser examinada é: se a competição entre emissores de moedas distintas não nos daria um tipo de dinheiro que (por ser o melhor diante de outros já obtidos) superasse a inconveniência de haver mais de uma especificidade monetária.

É evidente que caberia a cada emissor de uma moeda distinta regular sua quantidade de numerários privados, de modo a torná-la mais aceitável ao público. Assim, a própria competição o forçaria a agir dessa forma. Contudo, a consequência dada a um eventual fracasso pelo não atendimento às expectativas seria a imediata ruína de seus empreendimentos. Com isso, o sucesso nesse negócio seria certamente muito rentável, e o êxito estaria ligado a credibilidade e confiança dada ao ofertante da moeda, conforme seu alcance no mercado. Talvez nessa situação, o simples desejo em lucrar já evidenciaria um dinheiro mais rentável do que qualquer moeda já produzida pelo governo.

Assim, a simples existência de vários emissores de diferentes moedas concorrentes oferece uma boa competição pela qualidade desse suprimento monetário. Uma vez que os ofertantes competidores superam a oferta habitualmente insuficiente do governo e fornecem moedas mais adequadas atendendo às necessidades das pessoas, certamente não deve existir obstáculo a moderada utilização desta qualidade em detrimento da moeda governamental. Porém, no caso da demanda pelas moedas existentes diminuísse e a possível manutenção de existência estivesse relacionada à redução do respectivo volume, certamente o valor desses numerários privados seria logo depreciado.

De fato, a simples existência de moedas privadas forçaria o governo a, no mínimo, reformular a sua própria de acordo com os princípios regentes às instituições privadas concorrentes, neste caso.

Possíveis consequências

A existência de várias moedas que concorrem entre si seria inicialmente apenas mais uma novidade, pois as pessoas teriam a possibilidade de escolha. Todavia, esse fato deveria ter pouca influência no modo das instituições usarem o dinheiro. Progressivamente, a experiência deve oferecer possibilidades de melhorar a posição no mercado, a partir da escolha do tipo de moedas correntes em circulação.

Nessa projeção, o ofertante de novas moedas logo ofereceria aos comerciantes varejistas maneiras de calcular, cujas ferramentas facilitariam a conversão da moeda em diferentes taxas cambiais. Assim, se o emissor desta nova moeda se interessar em dar uma assistência satisfatória aos seus usuários, há uma possibilidade de aceitação irrestrita por parte desta respectiva sociedade. Na verdade, pode haver um aprendizado mais lento nos setores de indústria, comércio e serviços, no sentido de se obter todas as vantagens diante destas novas oportunidades. Entretanto, para sua plena aceitação é necessário mudanças graduais e pontuais na contabilidade e nos meios de estocagem.

Hayek (2011) advoga que um bom freio e contrapeso à visão monopolista do governo no sentido de controlar o dinheiro do cidadão é a criação de um movimento pela livre concorrência entre as moedas, semelhante ao que ocorreu no século XIX com o Livre Comércio. Este movimento tem como objetivo prevenir sobre os riscos causados pela inflação aguda e os efeitos profundos da estagnação inerentes às ingerências governamentais na oferta de moeda.

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