Café com ADM
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A GLOBALIZAÇÃO E AS PEQUENAS E MÉDIAS EMPRESAS DO INTERIOR BRASILEIRO.

Solon C. de Araujo SCA Consultoria e Treinamento S/C Ltda. Pode-se ser contra ou favor da globalização, do ponto de vista filosófico ou ideológico, mas, contra ou a favor, teremos que conviver com ela durante algum tempo. Como toda a história apresenta ciclos econômicos, a globalização também terá seu ciclo mas, enquanto ele durar, teremos que aprender a conviver da melhor forma possível, tirando o maior proveito ou, como querem alguns, sofrendo o menos possível. Assim, todos os agentes de produção, sejam de que tamanho forem, serão afetados, mais ou menos, pelo rápido trânsito de mercadorias, capitais e serviços através das fronteiras dos Estados. Inicialmente, quando começaram a se fazer sentir os primeiros efeitos da globalização no Brasil, ouvia-se freqüentemente nas pequenas cidades do interior que este era um movimento que só atingiria as grandes empresas situadas nas capitais ou nas maiores cidades. Mas o correr do tempo está mostrando que mesmo pequenas empresas, situadas no interior do país, não estão imunes ao fenômeno e sentem cada vez mais acentuadamente os efeitos desta competição com empresas que resolveram agir globalmente. E como empresas acostumadas a uma situação pouco competitiva, a trabalhar em mercados pouco seletivos, poderão agir para se manter em mercados cada vez mais instáveis e mutáveis? Como fazer para competir com empresas preparadas verdadeiramente para a acirrada competição em todo o mundo? Este é um grande desafio empresarial que se coloca na mesa neste momento em todo o país. A confortável situação de mercados parcialmente cativos já deu lugar, mesmo em locais remotos, a situações de elevada competição, onde só terão vez as empresas que se prepararem para esta verdadeira batalha pelos mercados, por consumidores cada vez mais informados e desejando produtos e serviços sempre diferenciados. A discussão de como proceder para enfrentar esta situação passa por diversos caminhos, desde os que advogam um forte protecionismo estatal até os defensores do quem pode mais chora menos. Onde encontrar o eixo de equilíbrio que permita um desenvolvimento da iniciativa privada sem um forte intervencionismo do estado, mas, também, sem permitir competições entre forças extremamente desiguais e sem o desmonte de um parque industrial e de serviços que, bem ou mal, gera produtos, empregos, impostos e renda para a sociedade brasileira? Dentro do ponto de vista irrefutável de que vivemos em uma sociedade capitalista e que este capitalismo deve ser fortalecido, descarta-se, de pronto, o protecionismo estatal, o fechamento do mercado via tarifas aduaneiras ou barreiras de outro tipo que fechem o mercado e reduzam a competição. Este tipo de protecionismo, embora ainda usado em alguns países desenvolvidos, tem-se mostrado fonte de atraso e de ineficiências que acabam por custar muito caro à sociedade como um todo e a tolher a busca de caminhos mais eficazes e de maior produtividade. Assim, somente um programa, catalisado pelo governo ou por entidades de classe, que vise primeiro conscientizar para o que está ocorrendo no mundo e depois instrumentalizar as empresas com os modernos conceitos de gestão, poderá permitir que as pequenas e médias empresas nacionais venham a ter condições de competir, se não no exterior, pelo menos dentro do país com empresas globalizadas. Assim, estas empresas terão que se globalizar, mesmo que atuando somente no mercado interno. O primeiro passo é a conscientização dos perigos para sua sobrevivência. É o reconhecimento que não existem mais consumidores cativos, que a competitividade é a principal tônica do mercado nos tempos atuais. A partir daí entra todo um processo de análise do mercado, de suas tendências, dos pontos fortes e fracos da empresa e da concorrência, dos possíveis entrantes. Estudado isto, passa-se à formulação de estratégias e táticas para posicionar a empresa frente aos novos desafios: cultura inovadora, pesquisa e desenvolvimento, gestão de tecnologia, marketing, desenvolvimento de pessoas, tecnologia da informação e todas as demais ferramentas de gestão hoje à disposição das empresas, deverão ser contempladas no estudo estratégico, visando escolher aquelas mais adequadas à situação. Mas haverá condições de se implantar estas técnicas nas pequenas e médias empresas? A resposta é sim, desde que haja uma clara definição política da direção da empresa neste sentido. Naturalmente que a implantação das ferramentas dar-se-á de forma diferente do que ocorre em grandes empresas. Os recursos são escassos, o pessoal menos preparado, mas devem ser buscadas soluções particularizadas, específicas para o tamanho e a cultura da empresa e do ambiente onde ela estará inserida. A simples cópia ou implantação de receitas prontas não dará os resultados esperados, havendo a necessidade de estudos muito específicos por setores, por região geográfica, por cluster ou até mesmo por empresa. Desta forma, é necessária uma forte conscientização, e aí entra o papel de governos e das entidades de classe ou órgãos de fomento, para que esta visão perpasse por todas as empresas e que estas tenham à sua disposição o ferramental necessário para permitir o aumento de competitividade. Aquelas que tiverem disposição, visão empresarial e competência, irão se utilizar destas armas. Mas o papel de governos não deve ir além disto, pois uma política protecionista iria premiar a ineficiência e a baixa produtividade, penalizando, em última análise, o consumidor e a sociedade. Com um processo meramente catalítico, os governos estariam permitindo que as empresas mais arrojadas e com maior visão, portanto com maior vocação para os negócios, mobilizassem suas forças e se inserissem neste novo panorama dos negócios globais.
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