A GESTÃO DO CONHECIMENTO NOS ESCRITÓRIOS DE ADVOCACIA

O objetivo empresarial das organizações modernas é atingir excelência operacional no uso de seus recursos estratégicos: pessoas e conhecimento. Mas, embora muita atenção seja dedicada ao estudo de pessoas, o conhecimento, enquanto recurso empresarial, é pouco estudado, e a Gestão do Conhecimento ainda é um sonho distante em quase todas as empresas brasileiras, que continuam medindo o sucesso de seus processos em toneladas, horas, metros e reais sem identificar explicitamente a importância do conhecimento. No caso dos escritórios de advocacia, estes têm se utilizado do trabalho de advogados para levar em frente atividades que geram conhecimento, tais como a criação de documentação de precedentes jurídicos, a manutenção atualizada da base legislativa e jurisprudencial, dentre outras tantas, através da utilização sistemática da tecnologia. No entanto, as condições de mercado têm se mostrado mais duras e os escritórios de advocacia podem enxergar a Gestão do Conhecimento como uma atividade não-essencial (por não ser faturável) e entender que, caso já implantada, é passível de ser cortada e eliminada para manter a rentabilidade da firma e, caso contrário, pode nem vir a ser cogitada. De qualquer forma, entender que a Gestão do Conhecimento é uma atividade não-essencial não é o melhor enfoque a ser dado a este tema. A Gestão do Conhecimento vai para o coração do escritório e produz uma gama de benefícios que pode ajudá-lo a sobreviver em tempos difíceis e prosperar em melhores. O que é um Sistema de Gestão do Conhecimento? Antes de olhar para como a Gestão do Conhecimento beneficia o escritório, é importante compreender o que é um Sistema de Gestão do Conhecimento. Sendo o conhecimento o principal recurso econômico que os escritórios de advocacia têm a oferecer a seus clientes, então aquele passa por todas as áreas da firma, e um Sistema de Gestão do Conhecimento pode abraçar diferentes aspectos desse conhecimento. Basicamente, Gestão do Conhecimento é um conjunto de processos, apoiados por ferramentas de Tecnologia da Informação, voltados a capturar, organizar, armazenar, proteger e sobretudo compartilhar o conhecimento das pessoas, sob suas duas formas: conhecimento explícito (dados e informações) e conhecimento tácito (habilidades e experiência). Na prática, o importante é compartilhar todas as relevantes formas de conhecimento, know-how e informação que incrementam o negócio do escritório. Quando se pensa em implantar um Sistema de Gestão do Conhecimento, o foco é, com freqüência, em Tecnologia da Informação, mas esse é só um canal para alojar e disseminar o conhecimento. A implantação do Sistema de Gestão do Conhecimento necessita que seja identificado o tipo de conhecimento que o escritório de advocacia deveria compartilhar para beneficiar a sua performance. Geralmente, há quatro fontes de conhecimento em escritórios de advocacia:  Material publicado, como recursos bibliotecários, inclusive material on line (a característica-chave é que este material pode ser adquirido);  Conhecimento pessoal e experiência dos advogados e demais membros da equipe do escritório (contido nas cabeças das pessoas e expressado pelo comportamento delas);  Conhecimento contido no produto de trabalho de um advogado, por exemplo, pareceres, acordos, petições, etc. (pode ser localizado no sistema de processamento de texto e arquivos de papel, e pode ser recolhido e computadorizado);  Conhecimento especialmente desenvolvido, como por exemplo, precedentes criados por profissionais de suporte ao trabalho dos advogados. O Sistema de Gestão do Conhecimento deve focar na criação, captura e disseminação do conhecimento e informação provenientes das diversas fontes que apóiam os objetivos estratégicos do escritório. É bom lembrar que administrar tal conhecimento pode não significar necessariamente codificá-lo num sistema de computador. O conhecimento tácito (ou seja, o conhecimento contido nas cabeças das pessoas), por exemplo, é sempre melhor transferido diretamente entre as pessoas. Nesta situação, o Sistema de Gestão do Conhecimento poderia facilitar colocando as pessoas umas em contato com as outras. É melhor pensar em conhecimento como um fluxo entre as fontes acima citadas, ao invés de um objeto estático, e isto ajudará a identificar as ações apropriadas para gerenciá-lo. Por exemplo, um material publicado pode informar conhecimento e experiência pessoal, que se manifesta nos produtos de trabalho e que pode ser incorporado num material especialmente criado. Também é bom lembrar que o conhecimento útil ao escritório não é restrito ao conhecimento jurídico técnico, e que os mesmos princípios podem ser aplicados ao conhecimento sobre o cliente, informações financeiras e de marketing, para ajudar o escritório a alcançar os benefícios desejados. Então, qual são os potenciais benefícios? Nosso próximo artigo tratará disso. Referências: 1.Sveiby, K. E.; Lloyd, T. Managing KnowHow. Bloomsbury, 1986. 2.Dreyfuss, C. Conhecimento: o recurso empresarial do novo milênio. Revista Business Standard, Outubro/2002
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