A formação acadêmica e o mercado

O cenário turbulento e competitivo que caracteriza o mercado elegeu o talento das pessoas como o grande fator crítico de sucesso de uma organização. É unanimidade entre as empresas a importância de ter talentos em seus quadros profissionais. Talento significa capacidade inata ou adquirida de alguém que é habilidoso e perito na sua arte ou ciência. No entanto, profissionais de todas as áreas do conhecimento (músicos, jornalistas, arquitetos, engenheiros, médicos, professores, administradores), mesmo que nascidos talentosos, precisam dominar e aperfeiçoar técnicas específicas para potencializar e desenvolver o seu talento. Para isso, buscam a formação acadêmica, que lhes promove o amadurecimento e a formação integral, fornece-lhes conceitos teóricos e históricos, técnicas, e práticas vivenciadas e orientadas. Formar o cidadão ético, crítico e capaz de lidar com mudanças e transformar a realidade é função da universidade. O mercado não se propõe (e nem é sua função) a fornecer essa formação integral. Ele proporciona ambiência, oportunidade de treinamento, aquisição de experiência, vivência prática e conhecimentos direcionados para os objetivos da organização. O mercado quer (e precisa) receber o profissional já formado; e as organizações têm valorizado e selecionado seus quadros, considerando a origem da sua formação acadêmica. Por outro lado, há que se considerar que o aumento da demanda para a educação continuada em todos os níveis e em todas as faixas etárias é característica da sociedade globalizada pós-industrial. É legítimo para as pessoas, e importante para o País, que todos ambicionem aprender e crescer na vida, em qualquer tempo e idade. Os cursos seqüenciais e tecnológicos de menor duração são excelentes alternativas para profissionais que já atuam no mercado e buscam atualização e aperfeiçoamento em técnicas e novidades da área, ou mesmo agregar teoria à prática existente. Esses cursos são necessários e atendem a uma demanda de mercado e um público específicos. Não substituem os cursos de graduação, cuja função é a formação integral e profissional do cidadão. Treinar e atualizar pessoas é o processo mais rápido e proporciona aplicação imediata; por isso, pode despertar maior interesse. Formar o cidadão requer tempo, investimento e muito esforço para desenvolver sua capacidade e competência para criticar, criar e transformar a realidade que o cerca. Os adeptos dos cursos tecnológicos e outros de curta duração como substitutivos da formação universitária defendem que a universidade deva se conduzir pelos interesses do mercado, e não têm poupado duras críticas ao ensino universitário (graduação velha, esclerosada, fábrica de produzir desempregados, e outros termos, nada gentis e justos). A graduação e a educação continuada têm públicos e objetivos diferentes e igualmente importantes. A demanda do mercado por novos profissionais atualizados e treinados não pode desqualificar nem desmerecer a importância do ensino de graduação. Boas universidades existem e não faltam exemplos de excelentes profissionais nelas formados. O que merece ser criticado são as políticas públicas brasileiras, por terem permitido que o ensino superior se transformasse em negócio, com possibilidades de lucro fácil e imediato, deixando proliferar cursos e faculdades de qualidade duvidosa, verdadeiras fábricas de diplomas e desempregados. E já que gostamos de imitar exemplos norte-americanos, notemos que eles têm cursos de toda natureza, duração e finalidades; mas mantêm e preservam a velha e esclerosada graduação com cuidado, atenção e tradição. Isso tem dado certo. E como!
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