A filosofia do MRP

Este artigo tem o objetivo de identificar a filosofia do Planejamento e Controle de Materiais (MRP) como um dos modelos precursores dos atuais modelos de planejamento de recursos de materiais existentes

Conceito de MRP

O Planejamento das Necessidades de Materiais (MRP) é usado para coordenar os pedidos internos e externos das fábricas, sendo os externos chamados de ordens de compra e os internos de requisições. O foco principal do MRP está na programação das requisições e ordens de compra para atender as necessidades de materiais da demanda externa.

Qualquer demanda gerada fora do sistema é chamada de demanda independente. Isso inclui toda a demanda por produtos finais e, possivelmente, uma parte da demanda por componentes (por exemplo, quando são vendidos como peças de reposição). A demanda dependente é a demanda por componentes que formam os produtos finais da demanda independente. Assim, a ideia fundamental do MRP pode ser descrita da seguinte forma:

“A demanda dependente é diferente da independente. A produção para atender a demanda dependente deve ser programada de forma a deixar explícito o vínculo com a produção para atender a demanda independente.”

Princípios e a filosofia do MRP

O MRP trabalha em duas dimensões básicas no controle da produção: quantidades e tempos. O sistema precisa determinar quais as quantidades corretas de todos os tipos de itens, desde os produtos finais que são vendidos, passando pelos componentes usados em sua montagem final, até os insumos comprados como matérias- primas. Ele também precisa definir os tempos de produção, isto é, quando produzir, para entregar os produtos dentro dos prazos.

Em muitos sistemas de MRP, o tempo é dividido em intervalos, apesar de alguns sistemas usarem tempos contínuos. Um intervalo é usado para dividir tempo e demanda em porções definidas. A demanda acumulada em um intervalo de tempo é considerada pendente desde o início deste intervalo. Assim, se o intervalo for de uma semana e, durante a terceira semana, existir demanda para 200 unidades para a segunda-feira, 250 para terça, 100 para quarta, 50 para quinta e 350 para sexta-feira, então a demanda considerada do período em questão é de 950 unidades e é considerada pendente na segunda-feira de manhã.

No passado, quando o processamento de dados era mais caro, os intervalos mais usados eram de uma semana ou mais. Atualmente, os sistemas de MRP mais modernos utilizam períodos de um dia, apesar de muitos ainda usarem semanas.

Para facilitar o processamento do MRP, cada item da estrutura de produto é codificado com um código de subitem (CSI). Esse código indica, em uma estrutura de produto, o nível mais baixo em que determinada peça pode ser usada. Além das informações da estrutura de produto, o MRP precisa de informações relativas à demanda independente que têm origem no Plano Mestre de Produção (PMP). Este contém as necessidades brutas, a posição do estoque disponível e dos pedidos pendentes (comprados e fabricados) chamados de recebimentos programados.

A lógica do MRP

O MRP trabalha de trás para frente, partindo de uma programação de produção de um item de demanda independente, chega-se a programações para componentes de demanda dependente. O MRP adiciona uma ligação direta entre a demanda independente e a dependente, o que não existe nos sistemas de ponto de reposição estatístico.

O MRP é, portanto, conhecido como um sistema empurrado de produção, pois ele calcula qual a programação necessária para produzir com base na demanda. Isso é o oposto dos sistemas puxados de produção, como o kanban, da Toyota, que autoriza a produção assim que o estoque é consumido.

Considerações finais

O Planejamento das Necessidades de Materiais (MRP) evoluiu através do reconhecimento da diferença fundamental entre a demanda dependente e a independente. Foi também a primeira aplicação importante desenvolvida em computadores modernos no controle da produção. O MRP fornece um método simples para a aquisição de materiais com base nas necessidades, de acordo com o estabelecido em um plano mestre de produção. Como tal, ele funciona muito bem no controle das compras de peças e componentes. Porém, ainda existem problemas no controle da produção.

REFERÊNCIAS:

HOPP, Wallace J.; SPEARMAN, Mark L. A ciência da fábrica. 3ª edição. Porto Alegre: Bookman, 2013.

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