A fantástica Mary Parker Follett

“Não devemos departamentalizar nosso pensamento com referência a cada problema com que nos deparamos em nossas empresas. Até não creio termos de lidar com problemas de produtividade, psicológicos, econômicos e éticos. Temos problemas humanos, com aspectos psicológicos, econômicos e éticos e tantos outros mais como queira”.

Qualquer imaginação que possamos ter em relação à boa ou má administração, seja ela criativa ou restritiva, eficaz e eficiente, refere-se ao método de tomada e implementação de desições que está sendo usado para levar as equipes e as organizações ao seu objetivo. Na verdade não devemos departamentalizar nosso pensamento com referência a cada problema com que nos deparamos em nossas empresas. Até não creio termos de lidar com problemas de produtividade, psicológicos, econômicos e éticos. Temos problemas humanos, com aspectos psicológicos, econômicos e éticos e tantos outros mais como queira. Isto significa que se trabalharmos as pessoas resolveremos muitos dos problemas da empresa. Esta tem sido a tônica da administração de nossos dias. Logo, a administração para ser bem sucedida precisa compreender as pessoas e os grupos e a comunidade. Por que?

O grande filósofo Theilhard Chardin costumava dizer que nenhum homem é uma ilha, ou seja, ninguém consegue pensar, agir e viver independempente, somos seres sociais e precisamos viver e agir em grupo. Encontramos o homem verdadeiramente somente na organização do grupo. As potencialidades do indivíduo permanecem até que elas sejam liberadas pela vida do grupo. O que quero dizer é que a verdade individual é a verdade do grupo, o homem não pode ter direitos fora da sociedade ou independente da sociedade ou contra a sociedade, portanto, a administração precisa compreender as pessoas, os grupos e a comunidade. O objetivo maior da ação administrativa é conseguir a integração das pessoas e a coordenação de suas atividades dentro da empresa e, conseqüentemente com isso, alcançar as metas e objetivos traçados pela organização.


Em cada assunto há aqueles que levantam a voz, oferecem conceitos mais avançados que outros de seus contemporâneos e às vezes bem adiante de seu tempo. São pessoas especiais que parecem estar em sintonia com forças maiores com o propósito de remodelarem os pensamentos de sua época e transpor paradigmas. Uma destas pessoas, no campo da administração, foi uma mulher fantástica cujo nome deveria estar entre os maiores pensadores da história, mas que por injustiça do destino, para ser condescende com os homens de sua época, ficou relegada ao esquecimento. Trata-se de Mary Parker Follett, uma americanazinha ousada nascida em Boston em 1868.
Os dois primeiros parágrafos desta Dica de Gestão são assuntos que estão sendo debatidos, discutidos e apregoados pelos diversos palestrantes em todo canto do mundo, como se fosse novidade. Na verdade, tratam-se de propostas feitas por Follett na década de 30, infelizmente no momento e na época errada. Se fosse hoje ela estaria, sem dúvida entre os maiores pensadores de nossos tempos. Não é por acaso que o grande Peter Drucker a intitiluou de; a profeta do gerenciamento.



Esta mulher foi tão ousada que quando o gerenciamento científico e a administração autoritária estava no auge, ela escrevia sobre trabalho em equipe. Hoje ela é descrita como uma pessoa de mente e pensamentos universais que visualizou a organização consciente como o grande objetivo espiritual do homem e escreveu que o mundo necessitava de novo relacionamento entre os grupos constituintes. Para ela este era um desafio fundamental perante todas as esferas da atividade humana e não somente para uma empresa; acredito que o fim das guerras entre as nações e entre trabalho e capital virá exatamente da mesma maneira, formando as nações em um só grupo... então, perderemos a noção de antagonismo pertencente a um grupo estático, e veremos que o mundo é capaz de se integrar.



Realmente era uma sonhadora, mas o que percebemos hoje é que as nações estão se unindo em grupos, claro que muito longe do ideal, mas quem sabe Follett tenha razão e daqui a alguns anos poderemos sonhar com um mundo só, sem diferenças e sem fronteiras.

Por outro lado ela não descartou a necessidade da preocupação com a produção, com a eficiência e eficácia das organizações, mas acima de tudo valorizou o ser humano apregoando que os gestores deveriam se preocupar, não somente com os membros, mas também com o coração das pessoas. Chamou a atenção para as grandes forças criativas que operam dentro de uma equipe de trabalho, bem quanto ao sentimento de realização encontrado em cada componente quando se sente parte desta equipe. As pesquisas práticas posteriores e os modelos de gestão implantados atualmente parece confirmarem sua intuição feminina.

Advogou ainda, o processo de integração como a única aproximação criativa no sistema de debate coletivo, que para ela significava jogar as idéias na discussão para que da mistura de todas estas idéias um novo pensamento pudesse evoluir, parece que com isso ela antecipou o que chamamos hoje de brainstorming.

Para Follett relações entre pessoas produzem respostas, não somente entre si, mas também com os arredores e entre as pessoas e o meio ambiente. Em outras palavras, o potencial na experiência cooperativa entre equipes de trabalho será sempre maior que a soma de um e outro, isso é o que chamamos hoje de sinergia.

Desde os tempos de Follett que a maioria das pessoas foram educadas para dominar às outras e tornam-se desapontadas se as decisões do grupo terminam sem a emoção da conquista. Esta atitude foi, é e será sempre o maior obstáculo para a criação de equipes vencedores em qualquer tipo de instituição e esta também foi uma constatação da genial Follett.

É uma pena que sua modéstia pessoal inata evitou que ela se tornasse consciente de que havia trazido luz para a filosofia de uma administração completamente nova. Percebe-se que não é de hoje que as mulheres tem sido referência para nos homens, queiramos ou não. Além, de serem responsáveis por 80% das decisões de compras no mundo atual, também foi uma mulher com sua intuição aguçada, assim como Faith Popcorn nos dias de hoje, quem antecipou o modelo de gestão apregoado hoje em dia, e isso a mais de setenta anos atrás.


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