A faca, o queijo e a vontade de comer

O desconhecimento do programa de aprendizagem e o impacto social da falta da formação do jovem

Amanhecer de inverno no Rio de Janeiro. Ligo a TV e presencio, mais uma vez, o mesmo enredo, encenado por novos atores. Já não faz mais diferença se são vítimas ou algozes, simplesmente estão mortos. Sinto um pouco da dor daquelas mães, inertes, clamando por justiça, com a foto desbotada do filho nas mãos. Não se trata da falta do julgamento entre o certo e errado e sim de uma resposta às dificuldades sociais, financeiras e educacionais. Um basta ao desmerecimento.

O jovem atua de acordo com suas vivências. Isso significa que seu comportamento é permanentemente modelado pelas experiências do cotidiano. O crime é uma reação aprendida, uma forma de encarar a diversidade. E, se esse comportamento é um aprendizado, pode ser remodelado, reaprendido, reinventado. E a partir daí se inicia o nosso papel.

A essa altura você deve estar pensando que o problema não é seu. Talvez não seja mesmo... Qual a chance de alguém de sua família fazer parte da estatística de vítimas de menores infratores?

Segundo O Degase, Departamento Geral de Medidas Sócio-Educativas, todos os dias vinte e dois menores são apreendidos na cidade.

A saída é não permitir que a violência seja uma opção.

Da mesma forma, encontramos outra realidade. Jovens em vulnerabilidade social que não enxergam o crime como saída, mas, que também não conseguem acesso ao mundo do trabalho simplesmente por falta de preparo para uma entrevista ou mesmo por não possuir experiência. Como resolver?

A resposta está diante de todos:

A Lei da Aprendizagem permite a formação técnico-profissional do jovem a partir dos quatorze anos. E toda empresa, a partir de sete colaboradores, tem, por força de Lei, a obrigatoriedade de contratá-los. A preparação para o mundo do trabalho é baseada em atividades práticas e teóricas.

Com isso, o jovem descobre oportunidades de vida, novas formas de existir e conviver. Competências comportamentais são trabalhadas fazendo com que se sintam inseridos, importantes e producentes.

E nesse processo surgem novos cidadãos, profissionais éticos, alinhados com os interesses da sociedade.

E, se a oportunidade existe e a formação é garantida por lei, temos a faca, o queijo e continuamos com vontade de comer.

A pergunta é: De que forma podemos alinhar esse ciclo?

Educando, transformando e incluindo.

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