A era do app – Brasil não moderno

Ser moderno é olhar um aplicativo não como um inimigo a ser vencido, não estamos numa guerra, estamos na Era do App

Acabo de instalar o Waze no meu celular smarthphone, como sou formado em TI e publicidade, tenho a mania de instalar para saber como funciona. Sempre gostei de tecnologias, porque ficava fascinado com filmes de ficção cientifica como Star Wars ou Star Trek e acho o máximo o R2 e o C-3PO e aqueles programas de hologramas. Quando era garoto, sempre gostava de ver a S.A. Interprise como eu estivesse com seus tripulantes ou tivesse a mesma patente que o capitão Kirk – minha rebeldia é igual – como se aquilo, num modo normal, fosse acontecer uma hora ou outra. Até a Super Maquina eu quis montar. O que me fez impulsionar para fazer informática – além de uma agencia que não deu certo – foi a fascinação pela inteligencia artificial e o Exterminador do Futuro. Não tenho medo da tecnologia e nunca tive, pois devemos sempre ter medo das intenções e interesses humanos.

O Brasil sempre teve uma certa resistência a modernização, porque sempre queremos culpar o outro pela nossa incompetência de não ganhar concorrências, de sempre achar que somos os injustiçados dessa historia. Sempre tivemos o pensamento que o Brasil é um imenso “playground” e a única maneira de esquecer essas supostas injustiças era fazendo churrascos, era ir a balada como algo importante para a modernização. Não é importante. Mexer em um celular, sair transando igual um doido ou doida não é ser moderno, ser moderno é acetar mudanças e aceitar opiniões contrarias a sua. Ser moderno é olhar um aplicativo não como um inimigo a ser vencido, não estamos numa guerra, estamos na Era do App. Por que uma pessoa tem que esperar um táxi que não tem garantia de vir? Por que uma pessoa não pode escolher ver um filme na internet, sem intervalos, sem cortes e uma qualidade superior com um preço menor? Como diz a cartilha, estamos num país democrático de direito, portanto, as pessoas tem todo o direito de ir e vir como quiser.

O problema é e sempre foi o sindicalismo que não nos deixa avançar. O pensamento da retorica velha do século dezenove, que somos explorados e a igualdade só vai ser realizada quando o mundo acabar com o capitalismo. O ser humano sempre foi mais capitalista do que comunista, porque a essência humana sempre foi enriquecer e sempre reclamar que o outro sempre ganhou mais do que nós. O Brasil é em sua essência um país rico em natureza, em recurso, mas é muito mal administrado porque somos ainda um povo ignorante e um povo politicamente ingenuo. Aonde que uma inflação de uma vaga de deficiente deve ser relevada por que quem denunciou foi um dos lados ideológicos? Se foi da esquerda não é crime, mas se for a direita é crime? Qual o direito e qual o dever devemos seguir? O momento é delicado demais para banalizar inflações, ficarmos torcendo como torcedores de um time de futebol em um lado que não existe, apenas é uma ilusão.

Os taxistas não vão trazer clientes novos por causa de intimidação, porque preferiram o carro do Uber. Nem as operadoras de celular vão conseguir que seus clientes mandem mensagens de texto, chamando o Whattsapp de pirata, porque isso é ditadura e intimidação ao cliente que terá todo o direito de sair do serviço. Nem as TVs a cabo vão conseguir novas assinaturas dizendo que o Netflix é ilegal, pois sempre haverá site de filmes na internet, porque nem todo mundo gosta de pagar para assistir intervalo. Talvez, não sei, as gravadoras entenderam isso, porque coisa que cai na internet não se consegue apagar – se a internet normal é assim imagina a Deep Web – e isso não vai parar com o Netflix, não vai parar com o Uber, não vai parar com o Whattsapp (então deveriam brigar com o Facebook, brigar com o Skype entre outros aplicativos de comunicação). Pelo que me lembro, a MTV nunca achou no direito de fechar o YouTube. Isso se chama concorrência e o mais competente vence, pois até na natureza tem isso, quem estudou uma biologia básica, sabe disso.

O Brasil e o mundo tem muito espaço para todos e cada serviço servirá sempre para alguma pessoa, principalmente no Brasil, que nós deficientes temos que colocar baterias de carros em cadeiras motorizadas. Mas isso não quer dizer que não existam pessoas que prefiram colocar baterias que são originais dessas cadeiras motorizadas, porque as escolhas são muito subjetivas porque envolvem valores e a moral de cada um. Claro que isso evolvem interesses e dinheiro, pois uma empresa de cadeira de rodas motorizadas podem te convencer a não utilizar uma bateria de carro, mas uma empresa de táxi pode ter armas politicas, empresas de TV a cabo pode ter armas politicas, outras empresas podem ter armas politicas, até mesmos as operadoras de celular tem armas politicas. As empresas de cadeira de rodas não tem porque não tem uma parcela considerável – embora saibamos que tem certa influencia por causa da má qualidade dos aparelhos e o IMMETRO não atuar como se deve – então, o máximo que podem te convencer é que se você usar baterias de carro, elas vão danificar o equipamento.

Isso não é sindicalismo? Mesmo que os sindicatos não estejam envolvidos – que eu duvido, porque defender nossa Lei de Cotas (8213/91) não aparece uma alma viva, mas empresas como essa defendem com maior vigor – há um pensamento enraizado dentro do nosso povo que é a cultura ainda sindicalista que vai minando aquilo que te faz perder algo de teu interesse. Só que o mundo abandonou essa pratica porque os próprios trabalhadores poderiam se defender, os próprios cidadãos viram que não passava em troca de interesses, uma politica populista e que só tinha um lado, o lado dos que oprimiam, o Estado. O discurso da normalidade sempre é um discurso do poder, mas não é um discurso declarado porque não quer aparecer, porque ele é a “mão invisível” de Adans Smith. Não há conspiradores, não há instituições e nem seitas secretas que querem dominar o homem, o Estado com seus tentáculos ideológicos já o fazem a milênios e não vão mudar, porque há um emaranhado de interesses por trás de tudo isso. A burocratização dos serviços é a regra para atender os interesses de poucos que querem minar o direito do cidadão nas escolhas, portanto, não precisa de seitas secretas ou instituições que conspiram contra a liberdade, o Estado já faz isso.

Aliás, as ideologias só fazem o ser humano ter menos liberdade do que já não tem, porque se fecha uma ideia em torno de um ideal que não é o seu. Ideais são subjetivos e devem ser escolhidos a partir daquilo que é justo para cada um, não o que o grupo determina pra você. Eu tenho o direito de escolher assistir o Netflix e não uma TV a cabo, tenho o direito de colocar uma roda mais em conta na minha cadeira, tenho o direito de escolher o transporte do que queremos e não achar no direito de escolher por nós. Isso é loucura sindicalista, isso é uma amostra que varias instituições (incluindo o governo), que talvez não entendem a democracia ou a tratam muito com má-fé bem a moda sartriana. A burguesia brasileira ainda é a burguesia dos burgos medievais que financiaram, após a era medieval, as grandes navegações. O pensamento é o mesmo, o mesmo que trata o povo ainda como vassalo que deve fazer o que eles querem, mas não temos porque se não quisermos, não usamos e pronto. O mesmo é o governo, querem nos obrigar a usar o que eles acham que devemos usar, ainda pior, querem fazer isso a mando desse mesmos burgueses que não entenderam que os burgos deles não existem, não há fronteira dentro da internet e nem muito menos ao desejo humano, se querem uma fatia, conquiste e parem de chorar.

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