A Era da Informação e da Mobilidade Tecnológica: Mas e as crianças?

Na medida que o tempo passa, a tecnologia evolui e encontramos novas formas de utilizá-la para facilitar processos e tarefas cotidianas. Mas dentro de todo este contexto, como ficam as crianças?

As previsões indicam que estaremos completamente cercados pela tecnologia móvel em um futuro muito próximo. Um estudo recente da Pew Internet & American Life Project mostra que tablets e smartphones foram as únicas tecnologias cujo uso cresceu nos Estados Unidos nos últimos anos.

É cada vez mais comum lermos matérias sobre óculos de realidade virtual e diversas soluções tecnológicas jamais imaginadas antes e que estão muito próximas de serem lançadas no mercado.

Mas o mais importante de tudo é:

este mundo cercado de tecnologias é exatamente onde nossas crianças irão crescer.

Tempo de exposição à tela tornou-se apenas "tempo"

A expressão "tempo de tela” é muito utilizada para descrever o tempo gasto em telas de dispositivos móveis. O problema é que na era do iPad e dos smartphones, “tempo de tela” se tornou apenas “tempo”, ao passo em que estamos cada vez mais envolvidos por tecnologia. Além das telas de TV e dos computadores, temos telas nas ruas, no transporte público, dentro dos nossos carros. Nós carregamos constantemente um celular, muitas vezes até um tablet. E nossas crianças estão crescendo assim.

Se as crianças e os adolescentes passam tanto tempo nesses dispositivos móveis - e isso é um caminho sem volta - é importante que eles estejam aprendendo algo. Pais e responsáveis passaram a se perguntar: Como posso fazer com que essa enorme exposição à tela seja feita de maneira saudável?

O grande problema é que pouco sabemos nos dias de hoje sobre como as crianças utilizam computadores, tecnologias móveis e muito menos como orientá-las com relação a isso. Então, a grande questão seria:

Como saber o que as crianças consomem nos dispositivos móveis e como guiá-las?

Tecnologia móvel: para entreter e para aprender

A tecnologia certamente nos trouxe diversos ganhos e tem muito pontos positivos na vida das crianças. Por exemplo, meu irmão mais novo aprende inglês em um jogo de flashcards e assiste desenhos em espanhol sem ao menos pedirmos a ele!

Um dos pontos positivos, em especial, é justamente o potencial de aprender de maneiras nunca imaginadas, agora que temos as tecnologias móveis. Mas diferente do período em que passam na escola, as crianças não utilizam os dispositivos em casa para o aprendizado. Em média, as crianças norte-americanas consomem 9 horas de mídias para entretenimento, desconsiderando o tempo para fazer lição de casa e estudar na escola. Por esses motivos, balancear e orientar o uso das tecnologias móveis se torna cada vez mais importante.

Ao trabalharmos com escolas, pais e responsáveis, pudemos perceber quais são as principais dificuldades relacionadas ao uso de dispositivos móveis e adivinha?

Pais têm tantos problemas na orientação do uso dos dispositivos móveis em casa quanto os professores têm nas salas de aula.

Recomendações da American Academy of Pediatrics

Com tantas questões no ar, nem mesmo os pediatras chegaram a um acordo quanto ao tempo saudável de exposição às telas para as crianças. Em 2015, a American Academy of Pediatrics anunciou que trabalha em uma revisão sobre as recomendações gerais relacionadas ao tempo de exposição das crianças às telas e ao consumo de mídias.

Por quase 15 anos, os pediatras recomendaram que crianças com 2 anos de idade ou menos evitassem as telas a todo o custo e que crianças com 3 anos ou mais de idade não tivessem uma exposição diária maior do que 2 horas.

Ao longo desses 15 anos, os hábitos mudaram e logo percebeu-se que as recomendações gerais também deveriam ser adaptadas para esta nova realidade. A American Academy of Pediatrics tem planos de lançar um novo documento ainda este ano, que deve ter recomendações gerais mais flexíveis com relação ao tempo de exposição à tela, mas não menos atenta ao que as crianças de fato fazem enquanto estão no celular.

Balanceamento: qualidade X quantidade

Dr. Ari Brown, parte do comitê da AAP, defende que “há uma grande diferença entre infinitas horas assistindo desenhos no Youtube e conversar online com a avó”. Como observa Brown, o tempo de exposição à tela não é mais sobre a quantidade da exposição, mas sim sobre a qualidade desse tempo.

A chave para o balanceamento do tempo de exposição à tela das crianças é primeiro entender como ele utiliza e o que ele faz com os dispositivos móveis. Antigamente, quando crianças e adolescentes apenas assistiam televisão, pais e responsáveis conseguiam facilmente saber o que o filho estava vendo simplesmente por passar na sala e observar. Hoje, em um mundo de telas pequenas e cada vez mais pessoais, é muito mais difícil ter o mesmo controle que se tinha antes. O que eles estão assistindo online? Quais aplicativos eles fizeram o download e utilizam no dia-a-dia? Será que esses apps são os mais adequados para eles?

Todos sabemos quão fácil é ter acesso a todos os tipos de informações na internet. Podemos acessar informações a qualquer momento e em qualquer lugar, independente de quem somos. E dentro desse mundo de fácil acesso, é certo dizer que nem todos os itens são apropriados para as crianças.

Um artigo publicado recentemente na Jama Pediatrics indicou que o tempo de exposição à tela influencia a qualidade do sono, o desempenho na escola e até mesmo o comportamento das crianças, o que está geralmente associado ao excesso de exposição à tela e a conteúdos inapropriados.

Preciso de ajuda: aplicativos feito para pais

Bebês, crianças e adolescentes, todos precisam de orientação para viver neste mundo cheio de telas. Os aplicativos de controle parental podem ajudar a responder estas questões, especialmente se o aplicativo tiver funções que demonstram dados e estatísticas relacionadas ao uso. Com isto, pais e responsáveis podem finalmente entender melhor o que as crianças estão fazendo e avaliar a qualidade desta exposição à tela. Se seu filho está utilizando na maior parte de seu tempo aplicativos com potencial educacional, por que pará-lo? Se ele está desenvolvendo habilidades importantes, como raciocínio lógico, resolução de problemas e trabalho em colaboração na rede, por que limitar o tempo em que ele está, na verdade, aprendendo?

Aplicativos assim surgem com o objetivo de empoderar os pais do século XXI (que muitas vezes não tem a mesma intimidade com tecnologias do que os filhos) e ajudá-los no monitoramento dos dispositivos móveis das crianças. É importante que os pais e responsáveis pelas crianças possam orientar os filhos para que a qualidade do tempo de exposição à tela seja cada vez melhor e as crianças possam aprender com tablets e smartphones como a aprendizagem móvel deve ser: em qualquer lugar.

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Escrevi este artigo em colaboração com Virgginia Laborão, Gerente de Marketing de Conteúdo do Mosyle.

Publicado originalmente na plataforma Pulse, do LinkedIn

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