A encruzilhada da Microsoft

O novo presidente tem agora a responsabilidade de recolocar a companhia na posição de protagonista e dar a ela um futuro tão brilhante quanto foi o seu passado

Uma das empresas mais tradicionais e conhecidas da era da informação, a Microsoft nasceu do oportunismo de seu fundador ao conseguir cobrir uma deficiência daquela que seria uma das grandes inovações da humanidade: O Computador Pessoal.

A ampla gama de aplicação dos PC’s garantiu que o mercado tivesse uma grande aceitação deste produto, o que fez com que a Microsoft, fabricante do coração do PC, ganhasse o mundo na cola da demanda pela computação em sua nova essência, a computação pessoal.

Com o lançamento de uma série de aplicativos para utilização nos PCs, como editores de textos, jogos, controles financeiros, planilhas de cálculos, jogos entre outros, consolidou sua posição e alcançou enorme penetração na computação mundial, chegando a ter seus produtos em até 95% dos computadores mundiais.

O primeiro sinal de que a Microsoft, apesar de brilhante, poderia ser uma empresa desatenta com as necessidades do mercado veio da computação em rede e a predominância da plataforma Novell, que chegou a monopolizar os Sistemas Operacionais de rede. Com sua forte influência e o poder de sua ampla capilaridade, lança o sistema operacional Windows NT e, em pouco tempo, assume a predominância neste segmento.

O segundo sinal veio por conta da Internet. Desatenta ao potencial da internet, viu a Netscape se tornar predominante nos computadores com Windows. Novamente, sua penetração no mercado falou alto e, depois de alguns processos por conta de abuso de poder, viu o IE se tornar padrão de mercado.

O terceiro sinal veio da computação corporativa, quando as empresas iniciaram de forma intensa a migração da alta plataforma para a baixa plataforma. Desta vez, porém, seu maior trunfo não foi suficiente e ela teve que engolir a Oracle (concebida nos corredores da CIA), que contava com muito mais confiabilidade e segurança que os produtos oferecidos pela empresa, dominar o segmento corporativo no que tange a armazenamento e processamento de dados. Outro ponto importante foi o domínio dos softwares de gestão nas empresas.

Apesar de sua imensa penetração no segmento corporativo com os sistemas operacionais e a suíte office, a Microsoft demorou muito tempo para disponibilizar um software de gestão, e teve que ver empresas como Oracle e SAP dominarem este mercado no segmento de grandes empresas e viu centenas de pequenos produtores de software dominarem o mercado no segmento de pequenas e médias empresas.

O quarto sinal veio dos sistemas de busca. A falta de percepção da importância deste segmento e o avança do Google no segmento de tecnologia lançou não só alguém que teria o domínio na navegação dos usuários mais também aquele que lançaria as sementes da popularização da computação móvel, calcanhar de Aquiles da companhia hoje.

O quinto sinal veio da computação móvel. Neste caso a Microsoft reagiu de forma totalmente atrasada a uma revolução que mudaria completamente os princípios da computação. Algumas ações tomadas não surtiram efeito e a empresa ainda corre atrás de uma solução que a coloque novamente na vanguarda da computação pessoal. A Microsoft tentou se recuperar neste mercado lançando a plataforma Zune, que não teve o sucesso esperado. Na ocasião do lançamento do IPhone, Steve Ballmer disse a seguinte frase: “É o aparelho celular mais caro da história e não terá sucesso com clientes corporativos porque não possui teclado”, o que demonstrou a falta de visão da liderança da companhia quanto às demandas do mercado.

A aquisição da Nokia, empresa que já foi líder no segmento de celulares e hoje conta com 3% de participação no mercado, é a tentativa da empresa de se reposicionar novamente no segmento de computação móvel. Porém, a insistência da empresa no sistema operacional Windows Phone ainda não surtiu efeitos e a empresa não viu a recuperação de mercado da Nokia e nem o crescimento da adoção do Windows Phone como sistema operacional dos “Smart Phones”. E o pior ainda está por vir com a estratégia da Samsung para este segmento. O Tizen, sistema operacional para múltiplos dispositivos (Leia aqui o artigo sobre o Tizen), pode decretar de vez o fim do Windows Phone como Sistema Operacional, e tem o potencial de inviabilizar a Nokia como fabricante de SmartPhones, visto sua total dependência do Sistema Operacional da Microsoft.

Outro duro golpe sentido pela Microsoft foi o Software livre que fez com que a empresa visse o Linux, sistema mais estável e confiável por conta de sua origem, assumir posição importante no segmento de servidores, principalmente servidores WEB, o que impactou suas estratégias (IIS, Dot.NET, SQLSever e Azure entre outras) para este importante segmento.

O último golpe veio do campo político, diretamente do governo dos Estados Unidos. Com o escândalo de espionagem patrocinado pela NSA, governos do mundo todo tem questionado a utilização de tecnologia proprietária de empresas americanas e, numa decisão inusitada, a China, um dos maiores consumidores do Windows, baniu a utilização do sistema operacional nos computadores do governo.

No campo da administração da empresa, a Microsoft sempre foi uma empresa fortemente ligada à imagem de seu fundador e, desde que Bill Gates se aposentou, a empresa passou por dificuldades para escolher um sucessor. Steve Ballmer tentou assumir essa posição e criou um amplo plano de restruturação da empresa, porém, logo após concluir o processo, deixou a companhia, principalmente por conta de resultados insatisfatórios. Depois de alguns embates a empresa optou por um funcionário com carreira de 22 anos na empresa. A responsabilidade de levar a Microsoft para as novas gerações fica por conta de Satya Nadella, técnico responsável por grandes realizações dentro da companhia.

A Microsoft possui um quadro técnico altamente competente e seus produtos ainda são utilizados por uma grande gama de usuários, sejam eles pessoais ou corporativos. Porém a empresa precisa se posicionar urgentemente no mercado, assumindo a posição de liderança nas inovações que o mercado precisa para consolidar a computação móvel e a internet das coisas. O Novo presidente precisará integrar produtos e serviços de forma inteligente, criando uma nova empresa, mais atenta às demandas e transformando-a em uma grande fornecedora de soluções.

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