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A educação e a produção de novos conhecimentos

A educação nunca pode ser entendida de maneira isolada, como um sistema fechado, sem relações com outras ciências, sem uma história, um contexto, uma abertura para a comunicação, mas deve ser entendida em conjunto, onde as interações são constantes. Nesta lógica, só podemos entender a educação se levarmos em consideração, além do ensinante e do aprendente, o contexto político-social do que está envolvido. Uma história já foi criada, um modelo já existe, convenções foram prescritas, valores já estão em vigor, ou seja, um mundo cultural já foi estabelecido por outros (Aranha, 1989). Se por um lado somos vistos como assimiladores de um modelo já existente; por outro, somos responsáveis pela transformação e construção de um modelo ainda mais completo para futuros assimiladores. Percebemos com isso que também exercemos influência sobre tais valores constituídos. No entanto, segundo Aranha (1989), mesmo que esses valores sejam colocados contra os da sociedade, situam-se também a partir dela. Daí a importância da instituição de ensino na vida de uma sociedade, como bem sugere Aranha (1986) ao referir-se a escola de ensino fundamental como mediadora entre a criança e os modelos sociais. Contudo, cabe-nos discutir que papel a escola deve assumir para fazer essa mediação: como facilitadora do processo de desenvolvimento humano ou como aparelho ideológico do Estado? Esta abordagem se reveste de uma importância ainda maior no ensino superior, pois torna-se imprescindível na vida dos calouros que ora chegam à universidade. Eles, muitas vezes, possuem uma mentalidade assimiladora e copiadora, herdada por uma cultura comodista, e precisam compreender a necessidade urgente da transformação para uma mentalidade criadora e produtora de conhecimentos. Para Kerscher (1999), o ensino superior envolve não somente à formação de pessoas para a carreira profissional, nem apenas consolida a educação geral, mas também propõe a produção de novos conhecimentos, formando assim os três papéis fundamentais no ensino superior. Diante disso, torna-se difícil percebermos o desenvolvimento de uma nação sem a produção de novos conhecimentos. Como desenvolver novos conhecimentos sem que haja um ensinante, um grupo, um aprendente? Como se humanizar sem que a escola nos ensine a explorar e analisar os valores de uma sociedade? Se por um lado a escola torna-se fundamental para a sociedade; por outro, pode tornar-se um instrumento de alienação do homem. Um cuidado especial deve-se ter ao cumprir seu papel. O incentivo a não utilização do raciocínio, principal arma do ser humano e que o distingue dos animais, transformaria a escola em um aparelho de manipulação ideológica do Estado. Isto seria muito danoso para uma nação. A escola deve ser considerada pelo Estado como a cabeça pensante de uma sociedade, ao invés de simplesmente copiadora, deve ser influenciadora e produtora de ideologias para o Estado. Essa discussão política deve permear todo ensino de uma nação. Jamais podemos isolá-la dos bancos escolares, ela precisa ser integrada (Morais, 1992). Neste sentido precisamos ser agentes do processo de reorganização institucional do ensino, onde as instituições de ensino tenham voz e vez, onde a descentralização, a autonomia, a estabilidade de equipes possibilite um maior espaço de participação da sociedade (Mello apud Scoz, 1991). Em síntese, é indiscutível a importância da escola para uma sociedade, seja ela de ensino fundamental, médio ou superior. Precisamos apenas tomar alguns cuidados com as políticas educacionais, para que sua função deixe cada vez mais as características alienantes e estimule o raciocínio e a discussão política em sala. Referências Bibliográficas: ARANHA, Maria Lúcia de A.
Filosofia da educação. São Paulo: Moderna, 1989. ARANHA, Maria L. de A; MARTINS, Maria Helna P.

Filosofando: uma introdução à filosofia da educação. São Paulo: Moderna, 1986. KERSCHER, Maracy Alves; KERSCHER, Silvio Ari. Monografia: como fazer. 2. ed. Rio de Janeiro: Thex Editora, 1999. MORAIS, Régis de.

Estudos de filosofia da cultura. São Paulo: Loyolla, 1992. SCOZ, Beatriz J. L. et al. (Org.). Psicopedagogia: contextualização, formação e atuação profissional

. Porto Alegre: Artes Médias, 1991.
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